Inteligência artificial, migração para nuvem e cibersegurança estão entre as prioridades do orçamento de TI do setor financeiro
A dificuldade em perceber o retorno sobre o investimento (ROI) em inteligência artificial parece estar diminuindo no setor financeiro brasileiro. É o que aponta a última Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2026, realizada em parceria com a Deloitte. Segundo o estudo, a percepção de ROI passou de 5%, em 2024, para 19% no ano passado.
A maturidade da tecnologia também se reflete no crescimento do valor investido. Em 2024, os bancos aportaram cerca de R$ 596 milhões em desenvolvimento de IA. Já em 2025, o número subiu para R$ 826 milhões, um aumento de 39%. A expectativa é de que 2026 não seja diferente, com a IA sendo prioridade de investimento para 84% das instituições entrevistadas.
A pesquisa mostra que, embora a inteligência artificial já esteja presente em diversas frentes, cerca de 60% das instituições ainda se encontram em fases iniciais de adoção. No caso da inteligência artificial generativa, esse percentual é ainda maior, refletindo um momento de experimentação e desenvolvimento de casos de uso.
Apesar de estar no topo das listas de orçamento, a IA ainda não é a maior prioridade da TI bancária. Para esse lugar, os bancos elegeram a cibersegurança, com 100% dos entrevistados priorizando a área em nível alto (84%) ou médio (17%) de relevância.
De acordo com a Febraban, os bancos têm priorizado o uso da IA para se diferenciar na experiência do cliente (80%). Entre as aplicações mais populares estão as sugestões de ofertas de produtos e o apoio ao cliente via chatbots.
Entre 2024 e 2025, o setor passou por uma mudança no direcionamento desses investimentos. Em 2024, o maior aporte em soluções de IA era direcionado ao uso ou compra de softwares. Desde o ano passado, contudo, o foco do orçamento passou a ser o serviço de TI, cuja fatia cresceu de 3,1% para 5,8%.
Segundo o levantamento, os bancos estão investindo em treinamentos mais especializados e direcionados, ao mesmo tempo em que ampliam a contratação de talentos para sustentar a evolução tecnológica. Entre os profissionais bancários, 11% eram de tecnologia em 2025, e 42% dos bancos entrevistados pretendem aumentar esse quadro, correspondendo a um crescimento médio de 22%.
“O crescimento do orçamento tecnológico dos bancos, aliado à previsão de R$ 50,4 bilhões em investimentos para 2026, mostra que o setor financeiro ainda é o que mais investe em tecnologia no país. Esse avanço também depende da formação e da atração de profissionais cada vez mais especializados, capazes de sustentar a evolução tecnológica do setor”, afirma Ivo Mósca, diretor de Inovação, Produtos e Segurança da Febraban.
Os dados da pesquisa revelam ainda um crescimento expressivo de 58% no orçamento tecnológico nos últimos cinco anos, com previsão de investimento de R$ 50,4 bilhões para 2026, alta de 8% em relação a 2025.
Para Rodrigo Mulinari, diretor responsável pela Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária, a tendência é que a cibersegurança se mantenha no topo das prioridades conforme a inteligência artificial avança e o consumidor se torna cada vez mais digital.
Atualmente, 83% das transações bancárias dos brasileiros são feitas pelos canais digitais, ou seja, pelo celular e internet banking. Somente no mobile banking, nos últimos cinco anos, o crescimento foi de 169%, atingindo 187,5 bilhões de transações. De um total de 240,8 bilhões de transações feitas pelos brasileiros em 2025, por meio dos diferentes canais de atendimento das instituições financeiras, 78% foram realizadas pelo celular, alta de 11% em relação ao ano anterior.
Nesse contexto, a preferência dos usuários impulsiona o crescimento dos chamados heavy users, clientes que realizam mais de 80% de suas transações em um único canal, que já representam 76% da base de usuários digitais.
“O mobile banking reafirmou seu posicionamento como o principal canal em expansão, com um crescimento notável não apenas em consultas, mas em transações financeiras e investimentos. A conveniência digital transformou o relacionamento bancário em algo diário para a maioria dos brasileiros, tornando os canais físicos pontos de apoio para operações mais consultivas”, afirma Mulinari.
Os bancos brasileiros também elegeram a nuvem (84%) como tema protagonista no orçamento, com R$ 3,9 bilhões investidos em migração para nuvem em 2025, 30% a mais do que em 2024 (R$ 3 bilhões). Entre os maiores benefícios da tecnologia, os entrevistados elegeram o acesso facilitado a inovações tecnológicas avançadas, a eficiência operacional, a escalabilidade, as atualizações automáticas e a resiliência e recuperação de desastres.
A pesquisa deste ano também mostrou novas tecnologias ganhando espaço na TI bancária, como blockchain (32%) e computação quântica (8%), ainda que esta última tenha sido considerada de baixa relevância pela maioria dos entrevistados.
Tanto para o consumidor final como entre empresas, o Pix segue crescendo nas transações com movimentação financeira, com aumento de 19% no mobile banking e 53% no internet banking. O meio de pagamento também lidera o crescimento das transações no POS, as maquininhas do comércio, e, segundo o levantamento da Febraban, 3,7 milhões de contas PJ fazem mais de 50 transações via Pix por mês.
Para Mósca, a penetração do Pix vai além da confiança das pessoas na tecnologia e se deve também aos novos produtos oferecidos pela ferramenta. A chegada da transação por aproximação pode oferecer concorrência ao cartão de débito. No ano passado, 80% das transações via Pix para pessoas físicas foram realizadas de forma instantânea. Entre os 20% restantes, destacam-se Pix cobrança (19%), Pix agendado (0,3%) e Pix crédito (0,2%).
“O Pix não é um concorrente do cartão de crédito, que é muito usado para controle financeiro e acesso a e-commerce, por exemplo. Mas, com o cartão de débito, o Pix vem quebrando a barreira da experiência e apresentando vantagens de comodidade importantes para o consumidor”, comenta Mósca.
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Bruna Rocha
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