Governo dos EUA diz que empresas chinesas realizam campanhas em larga escala para extrair capacidades de modelos de inteligência artificial
O governo dos Estados Unidos comunicou novas medidas para proteger empresas americanas de inteligência artificial (IA) após acusar entidades sediadas na China de promover campanhas sistemáticas para extrair capacidades de modelos avançados desenvolvidos por laboratórios norte-americanos. Segundo a administração do presidente Donald Trump, a prática tem permitido que concorrentes estrangeiros lancem sistemas semelhantes com custos significativamente menores. As informações foram divulgadas pela CNBC.
A iniciativa faz parte de um esforço mais amplo da Casa Branca para preservar a liderança dos Estados Unidos em inteligência artificial em meio ao aumento da competição tecnológica com a China. O governo pretende ampliar a cooperação com empresas privadas, compartilhar informações sobre tentativas de exploração de modelos e desenvolver mecanismos para responsabilizar os envolvidos.
De acordo com um memorando assinado por Michael Kratsios, diretor do Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca (OSTP), grupos estrangeiros estariam conduzindo operações de “escala industrial” para realizar o chamado AI distillation, técnica utilizada para treinar um novo modelo a partir das respostas geradas por outro sistema mais avançado. Embora essa abordagem tenha aplicações legítimas em pesquisa, autoridades americanas afirmam que ela vem sendo usada de forma indevida para copiar tecnologias protegidas.
Segundo o documento, milhares de servidores intermediários e técnicas para contornar restrições estariam sendo empregados para coletar grandes volumes de respostas dos modelos americanos, reduzindo drasticamente o tempo e o investimento necessários para desenvolver sistemas concorrentes.
Entre as medidas anunciadas estão o compartilhamento de inteligência entre governo e empresas, a criação de boas práticas para detectar tentativas de extração massiva de dados e o estudo de instrumentos para responsabilizar agentes estrangeiros envolvidos nesse tipo de operação.
A Casa Branca informou que pretende trabalhar diretamente com os principais desenvolvedores de IA dos Estados Unidos para identificar padrões de ataque e fortalecer mecanismos de proteção dos modelos.
Embora o memorando não cite empresas específicas, a discussão ocorre poucos meses após laboratórios americanos tornarem públicas acusações contra desenvolvedores chineses. Em fevereiro, a Anthropic afirmou que DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax utilizaram milhares de contas fraudulentas para tentar reproduzir capacidades do Claude. Na mesma época, a OpenAI também informou ao Congresso americano ter identificado indícios de tentativas semelhantes envolvendo seus modelos.
Segundo o governo norte-americano, modelos obtidos por meio desse processo podem não reproduzir integralmente o desempenho dos sistemas originais, mas conseguem alcançar resultados competitivos em determinados testes utilizando investimentos muito menores.
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A medida também acompanha propostas em discussão no Congresso dos Estados Unidos para ampliar sanções contra organizações estrangeiras que realizem extração não autorizada de capacidades de modelos fechados de inteligência artificial. Parlamentares classificam esse tipo de prática como uma nova forma de apropriação de propriedade intelectual ligada à corrida global pela IA.
O posicionamento da Casa Branca ocorre em um momento de crescente disputa tecnológica entre Washington e Pequim. Nos últimos anos, os Estados Unidos ampliaram restrições à exportação de semicondutores avançados e passaram a tratar a inteligência artificial como um ativo estratégico para segurança nacional, defesa e competitividade econômica.
As autoridades norte-americanas argumentam que impedir a transferência indevida dessas tecnologias é parte central da política nacional de IA apresentada pelo governo. O objetivo é evitar que adversários utilizem inovação desenvolvida por empresas dos EUA para acelerar seus próprios sistemas.
A China rejeitou as acusações. Representantes do governo chinês afirmaram que o país apoia a inovação tecnológica baseada em competição e cooperação, além de defender a proteção da propriedade intelectual. Pequim também criticou o que classificou como tentativas de restringir o desenvolvimento tecnológico chinês e pediu que Washington abandone medidas consideradas discriminatórias.
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Redação
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Bruna Rocha
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Pamela Sousa
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