Empresas investem em equipe para formar especialistas em dados

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11:35 am - 17 de janeiro de 2013

A falta de mão de obra especializada em tecnologia é um problema enfrentado em diversos países. Temos casos envolvendo, por exemplo, a matriz da Microsoft, nos Estados Unidos, que necessitando de seis mil profissionais, pediu a órgãos do governo que flexibilizassem a emissão de vistos para trabalhadores estrangeiros. No caso do Brasil, segundo a Fundação Getúlio Vargas (FGV) estima que a falta de profissionais de TI no Brasil será de 800 mil postos em 2014.

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De forma geral, no mundo, o Gartner estima que, até 2015, serão criados 4,4 milhões de empregos em todo o mundo para suportar as iniciativas de Big Data. Durante o IT Mídia Debate, realizado pela IT Mídia (empresa responsável pela InformationWeek Brasil e pelo IT Web) na última terça-feira (15/01), Rossano Soares Tavares, presidente do Capítulo Brasil da Data Management Association  (Dama) e diretor da Dataproject Consultores, afirmou que durante o período, o mercado brasileiro demandará 90 mil profissionais com foco em gestão e governança de dados ? situação que, claramente, o mercado hoje não tem plenas condições de mudar.

Está claro que os projetos de Inteligência de Dados, especialmente os que tratam de informações desestruturadas, estão dando seus primeiros passos no Brasil. Os estudos de caso mais maduros, de empresas como Netshoes, Boa Vista Serviços e Serasa Experian, datam de 2010 em diante. Os frutos dos investimentos e uma compreensão mais profunda sobre as oportunidades são colhidos e identificados somente agora.

Diante desse cenário ainda de nebulosidade, presente na plateia, Mauro Bikelis, do departamento de TI do grupo Bradesco, questionou a Tavares e aos demais participantes da mesa – Célio Figueiredo (gerente arquitetura da informação da Boa Vista Serviços), Lisias Lauretti (CIO da Serasa Experian), Jesus Garcia (diretor de infraestrutura da Netshoes) e Anderson Figueiredo (gerente de pesquisas da IDC Brasil) ?  quais as alternativas para encontrar esses profissionais nos projetos que acabam de começar.

Anderson Figueiredo, da IDC, reforçou que, desde o nascimento da web, nomes de profissões desapareceram ? e que o mesmo ocorre agora no departamento de dados. ?Teremos  cientistas de dados e engenheiro de dados. E é aqui que temos um gap: o desenvolvimento necessário é absurdo e a empresa vai ter que entender que precisará desse tipo de profissional?, alertou.

?Organizações precisam tomar consciência e atitude, porque não adianta querer e apenas tirar profissionais da concorrência. Esse profissional, cientista de dados, precisa entender de matemática, estatística e ser paciente, para mergulhar profundamente para entender os dados. Não é qualquer perfil que se torna adequado?, ponderou Tavares, indicando que a Dama faz parcerias com universidades para a oferta de cursos de capacitação que garantam o desenvolvimento de profissionais. Desta forma, empresas podem investir em treinamento interno para conseguir formar esses perfis.

Garcia, da Netshoes, explicou que a empresa tenta resolver essa necessidade em parcerias com universidades. ?O desafio não é só analisar dado e informação e tratar como número, mas promover uma integração com negócio e gerar um resultado melhor e mais rápido?, ponderou.

No caso da Serasa Experian, que possui um departamento separado de Inteligência de Dados, a busca é por colaboradores que detenham conhecimento holístico. A equipe conta com formados em matemática, pesquisa, e estatística. ?Estamos formando pessoas nisso, e o líder da área faz o link entre negócio e dados.  A médio prazo essa escassez deverá gerar briga pelos melhores e você tem que achar formas alternativas de suprir essa necessidade?, alertou.

Para Célio Figueiredo, da Boa Vista Serviços, desde a origem da análise de dados, nos anos 80, o administrador dessa área sempre se diferenciou da tecnologia como um todo, mas o próprio departamento tinha dificuldade de entender o papel como sendo estratégico para a corporação. ?Pela nossa necessidade o cientista de dados é a profissão mais sexy do mudo e isso envolve pessoas com conhecimento e histórico em gestão de dados, temos estatísticos   e profissionais de outras áreas que lidam com dados no dia a dia?, comentou, sobre o departamento que hoje tem cem profissionais. De qualquer forma, ele concorda que o investimento pesado para montar a equipe pode não ser algo viável e que, antes de mais nada, é preciso entender o real potencial da área. ?Isso aconteceu há alguns anos com BI e dados estruturados, e o retorno fracassou para muitas organizações?, finalizou.

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