Supercomputador: Watson não deve estar disponível em outras línguas até 2012

O software de inteligência artificial Watson, da IBM, deve estar disponível comercialmente em outras linguagens somente depois de 2012. A afirmação foi feita por Manoj Saxena, general manager da Watson Solutions, nesta terça-feira (25/10), durante a quinta edição do Information On Demand, evento realizado em Las Vegas (Nevada, EUA) com a presença de cerca de dez mil pessoas.
A questão foi levantada durante coletiva de imprensa realizada para apresentar um produto de saúde, o Content and Predictive Analytics for Healthcare (Conteúdo e Análise Preditiva para Saúde), que foi formatado com base em tecnologia do que ficou conhecido como supercomputador. Mais de 80% dos dados de instituições estão armazenados de forma desestruturada. Em saúde, eles se apresentam em anotações de médicos, formulários de registro, documentos, etc. Tais informações dobram de tamanho a cada cinco anos.
A solução, que está disponível em 20 línguas, promete varrer todo o conteúdo disponível em diversos formatos – sejam eles quais forem – identificando padrões e promovendo melhores opções de tratamento.
No caso de transmutação total do Watson para outras línguas a situação é um pouco mais complexa. “ O Watson entende inglês, particularmente o inglês dos Estados Unidos – que é bem diferente do inglês falado em outras partes do mundo”, brincou o executivo. Como o supercomputador é baseado em inteligência artificial – formatada via criação de conexão de redes neurais artificiais – e tem como principal elemento a capacidade não somente de entender linguagem humana, mas também interagir com seres humanos – para que ele seja completamente adaptável a todos os idiomas ele precisa ser treinado, o que demandaria esforços específicos em cada idioma.
Contudo, segundo o executivo, a tecnologia não teria de ser completamente reconstruída. Segundo ele, quando analisada, ela é quebrada em quatro áreas: Run Timing, Tuning, Lógica (baseada em algorítimos) e de Conteúdo (que pode ser formatado via parcerias, como dito anteriormente. Algumas são baseadas em idiomas, como o Tuning, e outras não. “Os modelos de aprendizagem da máquina não mudam tanto. Podemos expandir, baseada em nuances lingüísticas”, explicou Saxena, adicionando, contudo, que isso não ocorreria no curto prazo.
Conforme Saxena, no que diz respeito à divisão de conteúdo, soluções com base neste tipo de inteligência artificial serão trabalhadas de forma parcialmente open source. E que fique claro que este open source é algo bem específico. No caso do desafio Jeopardy, do qual o supercomputador participou em fevereiro deste ano, uma das fontes de informação era o Wikipedia. “Há muitas formas interessantes de parceria”, pontuou.
Busca antiga
De acordo com Mike Rhodin, vice-presidente sênior do Grupo de Soluções de Software, a busca por inteligência artificial é antiga na companhia, data dos anos 90, quando o supercomputador Deep Blue conseguiu vencer de uma expert uma partida de xadrez. “Depois deste desafio procuramos quais eram os principais problemas. Na última década vimos o próximo grande desafio, que é a explosão de dados sobre a qual conversamos”, comentou.
A ideia não é que o Watson seja uma ferramenta universal, mas deve permitir o desenvolvimento customizado de diversas comunidades, como forma de atender a questões específicas e apostar no desenvolvimento de áreas definidas. Quanto maior o foco, maior a chance de um resultado acurado.
A “inteligência” do supercomputador é que ele se autoalimenta, ou seja, ele aprende com inserções de dados. A capacidade do Watson de entender a linguagem da websemântica permite o crescimento de seu conhecimento na mesma medida que a explosão de dados da web. Vale lembrar que segundo previsões da própria IBM apresentadas durante o evento, o chamado Big Data – incluindo dados produzidos dentro da corporação e, também, no ambiente virtual – aumentará 44 vezes até 2020.
*A jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da IBM
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