4 razões para os negativistas de TI vencerem batalhas, não guerras

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8:02 am - 02 de maio de 2012

Por todo seu brilho científico óbvio, frequentes avanços tecnológicos e capacidades quase mágicas, geralmente parece que o mundo da TI corporativa é populado por negativistas obstinados e não por caçadores de oportunidades. Avance um pouco em uma nova descoberta ou abordagem e é quase garantido ouvir em coro ?sim, mas…? Essa frase pode ser completada de diversas formas, ligada a dinheiro, desejo, disponibilidade de proposta etc. Mas todas chegam no ?não?, ou no ?não agora? ou ?não para gente?. É quase como um rito de passagem para qualquer produto ou plataforma de TI bem sucedido: se não é inicialmente dispensado, denegrido ou duvidado, provavelmente não tem chances de alcançar o sucesso.

Vamos dar uma olhada em alguns exemplos e tentar entender porque a reação do mundo tecnológico é explicar porque alguma coisa não vai funcionar e, em especial, porque mudanças de armazenamento parecem levar tanto tempo. Por um lado, essa ?relutância em abraçar o progresso? (como alguns dizem) é muito mais predominante do que se imagina, me tentando a simplesmente citar J.K. Galbraith e acabar logo com isso. Como ele observou ?perante a possibilidade de mudar e a ideia de provar que não há necessidade disso, quase todos se ocupam em encontrar a prova?. Mas, por outro lado, a ?cautelosa adoção pragmática do novo? (como outros veem) também é muito mais lógica do que se imagina.

A longa história da tecnologia mostra que o que estou prestes a demonstrar não é novidade. Por exemplo, Chester Carlson passou anos tentando convencer as pessoas a aceitar sua ideia, um processo que hoje conhecemos como xenografia. Mas ? também ? quem realmente poderia querer cópias quase instantâneas de documentos? Mais perto de casa, todos nós sabemos que Thomas Watson (com fama na IBM) pensou que poderia haver um total de mercado de cinco computadores mainframe! (E você ganha bônus se conseguir lembrar o nome de quem desafiou a ideia de precisar de um computador em casa).

E mais recentemente, a Internet cresceu de uma necessidade pragmática de acesso por sistemas universitários, não porque alguém imaginou a necessidade de correspondência eletrônica ou reconheceu que compras online poderia ser uma grande ideia. Por que haveríamos de querer computadores se comunicando com outros?

Talvez esta seja nossa primeira pista: o real poder e potencial de alguma coisa nova nem sempre está claro no inicio. Carros e telefones eram meros brinquedos interessantes no começo, e precisaram de uma infraestrutura completa para mostrar todo seu potencial e popularidade endêmica. O mesmo é essencialmente válido pra a Web ? era uma situação parecida com o ovo e a galinha, limitado pela velocidade do acesso e custos de rede, assim como pelo limitado número de websites. Mas seu valor foi ? primeiro gradual e depois rapidamente ? percebido.

Novas abordagens de negócio começaram a se formar. Não foram exatamente inventadas, já que foram se unindo e acontecendo; nenhum grupo de foco estava sentando, exigindo Internet, ou um computador pessoal ou uma biblioteca automatizada ou um iQualquer ou Google ou e-mail ou armazenamento baseado em estado sólido ou reduplicação. O valor dessas coisas não era sempre bem conhecido ou bem expressado, mas provocavam necessidades latentes e então receberam valor.

Mas, com tanta história de inovações bem sucedidas, por que armazenamento e TI, de todos os mundos, continuam exibindo resistência em abraçar o novo? Parece-me que são diversos fatores operando aqui.

1. ?Segurança em primeiro lugar? é, de forma compreensível, o mantra da maioria das áreas de TI, de qualquer tamanho. Poucos gerentes de TI são recompensados por abraçar o novo (embora isso esteja começando a mudar conforme as áreas de TI começam a usar incentivos e MBOs para encorajar o uso de coisas como virtualização e serviços em nuvem), enquanto muitos são crucificados caso alguma coisa dê errado. Isso significa, simplesmente, que o ultraconservadorismo é inato; e interoperabilidade, certificação, teste de aplicativo e suporte, certamente, não são coisas a se torcer o nariz quando se roda, digamos, sistemas de telecom, manufatura ou companhia aérea.

2. Geralmente, apenas um ou dois fornecedores vão destacar um tipo específico de avanço técnico. Isso significa que a resposta natural à competitividade do resto dos fornecedores no ecossistema é apontar todos os aspectos negativos (Reais ou não) da novidade; seja por não terem uma oferta equivalente ou simplesmente porque estão tentando ganhar tempo até que tenham, o efeito é o mesmo: O volume de negativismo acerca de certas ferramentas e métodos vai além do esperado.

3. Outro problema comum é que usuários de pequenas e médias empresas e corporativo verão algo como OK para uso por consumidores ? e/ou talvez para departamento ?propulsor?? mas não para computação ?real?. Infelizmente, para os negativistas, porém, o valor real demonstrado por esses usuários mostram o que é realmente possível; o gato proverbial deixou o balaio. É por isso, por exemplo, que desenvolvedores usam cartão de crédito corporativo para acessar sistemas em nuvem, e ao fazer isso, eles pressionam os departamentos de TI mais tradicionais a adorar soluções similares, flexíveis e econômicas.

Outro bom exemplo, de muitos anos, foi o lançamento do mensageiro instantâneo do Yahoo (IM). Era uma solução tão amadora que a manutenção do sistema era agendada entre 9 a.m. e 5 p.m., já que imaginavam que ninguém estaria usando nesse período. Ainda assim, hoje, IM é um aplicativo essencial para algumas operações (incluindo operações de câmbio). As versões para consumidor ? de qualquer coisa ? comprovam e geram mudanças em TI. Quantas vezes, por exemplo, você tem problemas reais com seu sistema pessoal de e-mail ? talvez Hotmail ou Gmail ? comparada ao sistema Exchange corporativo?

4. Frequentemente, a atração inicial de alguma coisa não é o que a torna um sucesso no longo prazo. Dessa forma, por exemplo, a deduplicação só alcançou sucesso depois que compreenderam que seria possível fazer backup em tempo com isso, não apenas por causa da mensagem superficial ?fitas não prestam? que era semanticamente atraente.

Também com frequência, é preciso melhorar o modelo econômico para suprir necessidades de crescimento maciço. Por exemplo, a VMware era, basicamente, uma solução de departamento localizada para engenheiros e cientistas até que seu valor em consolidação foi percebido, o que levou a melhor utilização e motivação econômica poderosa. A adoção de estado sólido e as diversas tipologias de nuvem são essencialmente parecidas ? o valor principal, apesar de tudo, é econômico.

Vamos agora redirecionar a discussão de volta para os modernos data centers e armazenamento de dados. A ideia de usar coisas que hoje são vistas como padrão e normais, como discos SATA ou iSCSI, em data centers (para processamento real) foi aceita apenas há alguns anos, com dúvidas quase unânimes. Da mesma forma, servidores eram vistos como bons para uso em departamentos, mas não podiam ser levados a sério: ?Meu Deus, logo você vai sugerir que rodemos data centers em Windows!?. Isso era inaceitável há alguns anos.

Quando a mais recente era de implantações de flash NAND baseado em estado sólido entrou em cena, há pouco mais de quatro anos, foi recebido por uma rodada universal de ?porque não vai funcionar? entre todos os fornecedores que não tinham a oferta. Desde então, todos entraram na onda. Agora, as coisas que eram atacadas por flash ? como confiabilidade ? estão começando a ser vistas como vantagens para a tecnologia. Seja em questão de progresso de produto, experiência de usuário ou, talvez, a falta de ataques contínuos, não importa muito. Hoje, o ?não? do mundo flash está mais centrado na compatibilidade de mídias MLC (multi-level cell) para uso corporativo. Adivinha, é barato, então vamos achar um jeito de fazer funcionar.

Assim, de forma geral, se você quer uma ideia sobre para onde estamos indo quando se trata de data centers, olhe para o que parece lógico, mas está recebendo o bloqueio negativo, já que é muito provável que seja adotado, no final das contas. De fato, pode demorar muito; pense em ILM. Sua promessa está começando agora a ser percebida, mas ainda é discutido em tons calmos porque a promessa foi feita há muito tempo.

Outras coisas acontecem mais rápido. A corrida para a nuvem é um exemplo perfeito, embora, mesmo ali, tenha sido uma grande aventura entre aqueles que abraçam os desafios da consumerização e os que mantêm o conservadorismo para cruzarem o abismo da TI. (É claro que o uso da nuvem também é bem fácil, já que não está preso a questões de orçamento e ciclos da TI regular).
Como é típico, o ?não? silencioso da maioria acaba gerando um estrondoso ?sim? da minoria, alegando que a ideia foi deles e que é completamente plausível. Eles estavam, obviamente, apenas esperando que os problemas fossem solucionados antes.

*Mark Peters é Analista Sênior da Enterprise Strategy Group, autoridade líder independente sobre armazenamento e análises corporativas, além de outros interesses de tecnologia do negócio.

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