4 dicas de sucesso, e 4 desafios, de quem domou cloud computing

Reconhecida pela Amazon Web Services como um dos dez principais canais do mundo, a brasileira Dedalus acredita que 45% do seu faturamento, em 2013, virá de serviços com a companhia de infraestrutura de cloud computing norte-americana. Com previsão de faturar 35 milhões de reais neste ano, a empresa tem os 55% restantes de seu ganho vindo de ofertas baseadas na tecnologia Google. Nuvem, portanto, do começo ao fim.
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Além do destaque recebido pela AWS, a empresa também recebe chancela do Google, por conta de seu desempenho. ?A Dedalus é a única companhia brasileira a possuir destaque como parceiro da dobradinha Google/AWS. E também o único Premier Partner da AWS fora dos Estados Unidos?, contou Maurício Fernandes, presidente da empresa, em entrevista à CRN Brasil.
Segundo Fernandes, comparar ofertas do Google e da Amazon com a de empresas de concorrentes é o mesmo que querer igualar um computador a uma máquina de escrever elétrica. Para ele, que abandonou qualquer outro fornecedor, um concorrente não atende à demanda, simplesmente pelo fato de não ter escala suficiente para automatizar a ofertas completamente e perder a dependência de pessoas.
Conforme o executivo, se um cliente precisar de novos servidores, o fornecedor provavelmente demorará ao menos seis semanas para entregar. A AWS, por sua vez, faz o processo em minutos, via solicitação web. ?Isso não significa porém que o ser humano é desnecessário para se usar a nuvem. É ainda mais do que no passado e esta é a grande oportunidade para resellers, integradores, consultorias e desenvolvedores?, disse.
Fernandes explicou quais são os 4 principais motivadores do resultado em um mercado que o canal de TI ainda começa a desbravar no Brasil. E como nem tudo são flores, ele detalhou, também, quais foram os 4 principais desafios no processo. A expectativa da empresa é de crescer 60% neste ano, mais do que a média de 50% dos últimos períodos.
Principais motivos do resultado:
- História: a companhia aposta em cloud computing desde sua fundação, quando iniciou suas atividades como um data center de internet ? parque vendido, posteriormente, para a Uol Diveo. ?Cloud foi uma consequencia de nossa trajetória de duas décadas. Cloud rompe com tecnologias do passado mas não com as necessidade de pessoas e corporações?, afirmou.
- Foco em cloud: quando optou por cloud, a Dedalus não criou uma divisão especifica sobre o tema. ?Vemos muita gente criar divisões de Cloud em suas empresas. Esta é uma das formas mais ágeis de se perder dinheiro. A Dedalus abandonou tudo o que fazia para se dedicar a Cloud. Queimamos os navios para ter certeza de que a única opção era colonizar aquelas terras novas?, disse. segundo Fernandes, isso trouxe não somente um foco da empresa, com equipes de marketing e técnica, mas também uma visão de negócio.
- Quem eu sou?: Logo que apostou em nuvem, a empresa de posicionou não como uma revenda, mas como um fornecedor que compreenderia as dificuldades do cliente e ofertaria uma solução.
- Equipe: um grande gargalo do crescimento das empresas, os colaboradores também são essenciais em seu sucesso. Na Dedalus, a equipe aliou experiência com tecnologias mais antigas às atualizações necessárias ao mercado de cloud computing. ?Nosso Diretor Técnico trabalha com mainframes desde a década de 1970. Nosso gerente da área AWS era um analista especializado em sistemas operacionais e bancos de dados e hoje gerencia um time e processos que vão da pré-vendas a operação?, exemplificou o executivo. ?Cloud tem dado a chance do profissional de TI finalmente expandir seus horizontes. E fomos muitos felizes também no recrutamento de novos talentos. Conseguimos trazer gente com mente aberta, que aprendeu cloud conosco?, comemorou.
Desafios:
- Equipe: o quarto motivador do bom desempenho da empresa foi citado em primeiro lugar no quesito desafios. Mas Fernandes explica essa aparente contradição. ?Cloud é uma tecnologia que envolve mudança e isso remete ao medo. E a velha indústria tem estimulado este medo, pois é sua fórmula de sobrevivência. Com isso, os profissionais de TI em geral têm medo de mudar. Os demais executivos de negócio veem nela uma salvação para a agilidade, baixo custo e simplificação de seus negócios. Mas o desafio está em convencer o pessoal de TI a atravessar a ponte. Temos 420 clientes e continuamos a aprender mais sobre isto todos os dias?, assumiu.
- Confusão: sobre este ponto o executivo disparou, afirmando que a própria indústria estimula cenário de confusão e medo como forma de manter os alicerces das antigas tecnologias. ?Não por acaso, as duas líderes de Cloud não vem da velha indústria de TI: Google (internet) e Amazon (e-commerce). Agora que a velha indústria percebeu que vai perder rapidamente tudo que conquistou em décadas, jogam com o que aprenderam no século 20: rdade embutem contratos de fidelidade e custos maquiados. ?O início do século 20 foi marcado por guerras. O início do século 21 será marcado pela aposentadoria desta mentalidade complicada, controladora, extrativista. E nuvem é uma das tecnologias que mostra este processo, junto com mobilidade e redes sociais.?
- Os primeiros clientes: convencer os early adopter da tecnologia no Brasil, como a rede de faculdade Anhanguera Educacional. Explicar o processo e convencer o fechamento do negócio foi, segundo Fernandes, muito difícil.
- Modelo de negócio: aqui entra o paradigma descrito pelo executivo no item 2, que envolve a complexidade e confusão das ofertas. Para a companhia foi necessária uma abertura em mudar sua ida ao mercado, que antes representava a venda de servidores que custavam milhões de dólares e, em nuvem, remete a servidores ao custo de dezenas de dólares. ?Cloud significa volume. E baixo custo?, resumiu. ?Antes vendíamos coisas que ficavam escondidas em racks. Hoje prestamos serviços aos funcionários de nossos clientes. É um imenso movimento. Tivemos de reaprender tudo. Acredito que os tempos de TI morreram. Cloud é uma forma tão ampla de se empregar a tecnologia que requer de todos nós, profissionais de TI, uma determinação gigante de aceitar que o mundo mudou e que nossos conhecimentos vão se espalhar pelas corporações. Felizmente?, concluiu.
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