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Windows 8 está indo mal. É chegada a hora do Windows Classic?

Os resultados iniciais chegaram e as notícias não são boas para a Microsoft. As indicações são de que as vendas do Windows 8 são parcas. A questão para a empresa agora é se que fica com seu sistema operacional radical e reimaginado ou volta para o antigo ambiente Windows familiar.

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Piper Jaffray, analista da Gene Munster e sua equipe, passaram o Black Friday (sexta-feira após o Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, famosa por ótimas promoções e grandes vendas; N. da T.), monitorando o tráfego das lojas da Microsoft e Apple no Mall of America, em Minneapolis.  Descobriram que os clientes nas lojas da Apple compraram 17,2 itens por hora, enquanto na Microsoft a compraram apenas 3,5 produtos por hora, e a maioria deles era de jogos do Xbox. No final de duas horas, a loja da Apple vendeu 11 iPads, enquanto a Microsoft vendeu exatamente zero tablets Surface, segundo publicado na Fortune.

E enquanto isso, 29% de mais de 20 mil prováveis compradores de tablets que foram entrevistados neste mês pela VuClip disseram que planejam comprar um iPad. Vinte e dois por cento afirmaram que optarão por um Samsung Galaxy Tab. Apenas 4% escolheu o Microsoft Surface. Isso não chega nem perto dos 15% que planejam comprar um BlackBerry PlayBook (aparentemente ainda no mercado por alguma razão).

Na semana passada, o analista Brian White, da Topeka Capital Markets, disse que sua avaliação da cadeia de fornecimento asiática revelou que o Windows 8 teve um início lento: “mais lento do que… do que os fabricantes de PCs esperavam há alguns meses”. Também no mês passado, o Destsche Bank reduziu sua estimativa de vendas de PCs no trimestre atual, devido ao “início sem brilho do Windows 8”, segundo o analista Chris Whitmore.

Então, com toda a evidência apontando para um início fraco para o Windows 8, a Microsoft deveria abrir mão de sua Modern UI (interface de usuário cujo codinome é Metro) e voltar com o Windows que as pessoas estão acostumadas. Tal postura seria uma admissão de seus erros, sem mencionar a perda de bilhões de dólares gastos em desenvolvimento e promoção do Windows 8.

Mas há precedentes para esse cenário. O exemplo mais famoso de uma grande empresa cortando suas perdas em um produto superdivulgado, mas que falhou enormemente, foi a Coca Cola. O fabricante de bebida apresentou a New Coke em abril de 1985, mas reintroduziu a Coca normal como “Coke Classic” apenas três meses depois, após o feedback do consumidor que foi resumido como: “Blergh!”

O próprio Steve Ballmer já mostrou que não tem medo de admitir erro e eliminar produtos. A empresa eliminou o telefone KIN em 2010 apenas alguns meses após seu lançamento. Tendo como alvo adolescentes e jovens-adultos, ele não conquistou ninguém.

Então é chegada a hora do Windows Classic?

Seria surpreendente se a Microsoft não estivesse pelo menos discutindo  esse cenário. A saída repentina no início desse mês do diretor do Windows, Steven Sinofsky, que defendeu o Windows 8 e o Metro, mostra que o futuro do Windows está em jogo (é interessante observar que J Allard, ex-CTO da divisão de dispositivo da Microsoft e líder do projeto KIN, renunciou pouco antes de a empresa anunciar a interrupção do produto).

Aqui está a minha conjectura: a Microsoft dará ao Windwos 8 pelo menos até junho para observar se ele consegue ganhar tração. Nesse meio tempo, começará a avaliar as inúmeras reclamações sobre o SO. Acho o Metro uma interface atrativa e inovadora que destaca os produtos da empresa, como o Surface RT, de seus competidores Android na área de tablets. Mas precisa de mais polimento.

Um dos maiores problemas com o SO é que há duas maneiras para fazer quase tudo, dependendo se você está no modo Metro ou no convencional desktop Windows Explorer. O que funciona em um geralmente não funciona no outro, o que significa que os usuários do Windows 8 devem aprender dois conjuntos de comando para as tarefas.

Por exemplo, tanto o Metro quando o Explorer oferecem a configuração Ease Of Access. Mas são completamente diferentes. No Metro, é possível selecionar um botão para “Deixar tudo maior em sua tela”. Ele faz apenas isso. Textos e notícias ficam maiores. No Explorer, há um Ease fo Access Center que pode te levar para o Painel de Controle. Tem uma ferramenta para “Mudar o tamanho de todos os itens”. Mas parece que ela só afeta os ícones do desktop e textos em documentos, não sites. E esse é apenas um item do Windows 8 sujeito à confusão.

Então, há o Internet Explorer 10. Os dispositivos Windows 8 vêm com duas versões de navegador – uma versão de desktop e uma versão Metro. Suas interfaces e estruturas de comando diferem significativamente. No Metro Explorer, uma barra vertical mostra tiles representando seus sites favoritos e frequentemente visitados. Não há comando correspondente na versão desktop. Essa e outras discrepâncias podem ser uma fonte interminável de frustração para os usuários, que precisam lembrar em qual modo estão, e os comando corretos.

Aqui vai outro exemplo: para fechar o aplicativo de desktop Windows 8, é possível clicar no familiar botão X, no canto superior direito. Quer fechar o aplicativo Metro? Não tem X. É preciso deslizar da parte de cima da tela para baixo. Ou pressionar ALT-F4, que funciona com a maioria dos apps, mas não com todos.

Unificação

A Microsoft precisa unificar a experiência de usuário entre os modos Explorer e o Metro no Windows 8. Isso pode ser um atrativo para tornar o SO mais agradável ao usuário e aumentar as vendas. Também é preciso que surja um ambiente de aplicativos mais rico. Quando escrevi esse artigo, ainda não havia aplicativos do Facebook, Twitter ou LinkedIn para a plataforma. Fiquei estarrecido, já que o marketing da Microsoft tem uma relação estreita com as redes sociais.

Mas se o Windows 8 não decolar até o meio de 2013, não acredito que a Microsoft irá arriscar outra época de vendas. Até lá espero que a empresa apresente o que chamarei de Windows 8 Classic. Ela manterá as inúmeras melhorias em segurança e gerenciamento do Windows 8, mas abrirá mão do Metro em favor do desktop Windows, com o botão Iniciar, Barra de Tarefas e outros recursos bem-conhecidos.

Depois de alguns meses, espero que o SO seja renomeado e perca o “Classic”, assim como a Coca Cola fez, e chamá-lo simplesmente de Windows 8. Se o cenário se formar dessa maneira, o Metro terá o mesmo fim do que o KIN. O que você acha? Acredita que a Microsoft acabará com o Metro?

Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini

 

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