Windows 8: 4 pontos de risco para a Microsoft na transição

Com o Windows 8 ? próxima versão do sistema operacional da linha, desta vez integrando o uso em desktops e tablets ? a Microsoft olha para o futuro. Contudo, o movimento não é de todo seguro. ?A fabricante está em um ambiente desconfortável, porque ela quer começar o futuro, mas a transição não é simples. Há um grande potencial de falha nesse processo, porque sempre que você muda as coisas dramaticamente, a chance de falhar é grande ?, afirmou Steve Kleynhans, analista do Gartner, em entrevista ao IT Web.
O especialista listou quatro pontos de atenção que a fabricante deve ter para não perder a mão com seu novo produto. O sistema deve ter sua versão para clientes apresentadas nesta semana.
- Foco no futuro, dificuldade no presente: na avaliação do especialista, o Metro ? interface de usuário presente no Windows 8 ? é definitivamente desenhado para o futuro. E a próxima geração de dispositivos é calcada em tecnologia de toque. No meio do caminho, teremos PCs convencionais em um ambiente que pode ser pouco amigável à proposta de interatividade trazida pelo Metro. ?Esses modelos de interação são bem menos precisos do que os encontrados em teclado e mouse. O problema é que as máquinas com Windows 8 virão com PCs?, explicou.
- A complicação do legado: além da própria dificuldade de transpor a barreira cultural de utilização e desenvolvimento de aplicativos, por parte dos desenvolvedores, é necessário muito cuidado para manejar a transição. ?Usuários precisam prender a usar algo novo, mas ao mesmo tempo, suportar tudo o que estava lá antes. Isso é difícil?, pontuou.
- Pura e simples inércia: muitos usuários são avessos a mudanças, muito normalmente pela desconfiança do novo. ?As pessoas tendem a tentar manter o Windows 7 tanto quanto consigam. Vimos isso acontecendo com Windows Vista, eles ficaram com o XP tanto quanto conseguiram?, disse. Neste caso, a Microsoft teve de dar uma tacada final: em outubro de 2011, a fabricante anunciou que acabaria com o suporte. Para os usuários, era mudar ou mudar.
- Unificação e interface: tablet, smartphone, desktop. O que não faltam são dispositivos que garantem diferentes experiências ao usuário. Cada empresa toma sua estratégia para adequar os sistemas operacionais móveis e os de computadores e notebooks: a Microsoft tem um apenas para celulares (Windows Phone) e outro adaptado a tablets e PCs (o malfadado Windows 8). A Apple opta por um voltado a computadores de mesa (OS X) e outro para iPhone e iPad (iOS). O Android tentou unificar a experiência móvel com o Ice Cream Sandwich, mas já indica que isso não será mais seu foco. O que fazer, então? Essa é a pergunta que vai ditar a estratégia de plataforma das fabricantes. ?Não acho que seja impossível unificar [todos os sistemas operacionais, independente do dispositivo usado pela pessoa]. Não precisa ter exatamente a mesma coisa nos diferentes tipos de dispositivo. O que precisa haver é similaridade ao longo das plataformas para que eles se sintam confortáveis e obtenham as melhores coisas possíveis de cada uma?, alertou o analista. ?Não significa necessariamente que eu precise rodar as mesmíssimas aplicações. Mas é um desafio e é difícil de fazer?, concordou.
De acordo com Kleynhans, o momento é crucial para a companhia, que até então era vista somente como uma atualizadora do Windows. E não somente com a versão 8 de seu sistema operacional, mas também com as novidades de interação do usuário trazidas pelo Kinect (o console do videogame Xbox que capta movimentos e pode revolucionar a forma como interagimos com dispositivos de uma forma geral) e pelo próprio Windows Phone, em sua versão 7.5, conhecida como Mango.
?Com essas novidades eles estão tentando liderar de novo e mostrar que podem ser relevantes e fazer algo novo e interessante aos usuários. Se eles vão ser sucesso, só o mercado pode dizer?, ponderou.
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