von Neumann II: o homem que sabia 28% da matemática

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11:31 am - 13 de abril de 2011

O homem

Ao contrário de, por exemplo, Nikola Tesla, von Neumann não fazia o tipo “cientista louco”. Gostava de se vestir bem para todas as ocasiões: consta que foi visto visitando o Grand Canyon em lombo de mula, porém trajando um elegante traje “risca de giz” com colete e paletó. Seu obituário, publicado no Times, informava que “ele era a antítese do matemático mal vestido e de cabelos longos. Sempre bem tratado, ele tinha opiniões tão sólidas sobre política internacional e coisas práticas quando sobre matemática”.

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Exibia, entretanto, algumas das peculiaridades que caracterizam os gênios. Insistia em dirigir, embora sua falta de habilidade ao volante fosse proverbial. Em mais de uma ocasião foi visto lendo um livro enquanto dirigia. Não é de surpreender, portanto, que tenha sofrido ? e provocado ? inúmeros acidentes. Consta que certa ocasião assim relatou um deles: “I was proceeding down the road. The trees on the right were passing me in orderly fashion at 60 miles per hour. Suddenly one of them stepped in my path.” (Eu vinha seguindo pela estrada. As árvores à direita passavam por mim, ordeiramente, a 60 milhas por hora. Subitamente uma delas parou em minha frente” (quem acha que isto é folclore ou exagero de minha parte, consulte o artigo “John von Neumann” do Bellevue College). Muitas vezes estes acidentes resultavam em prisão.

Muitos dos “causos” que se contam sobre ele envolviam suas habilidades matemáticas. Um deles relata que, em uma das frequentes festas que dava, um dos convidados lhe propôs o problema da mosca e dos dois ciclistas. Que, para quem não o conhece, aqui vai: “distantes 60 km em uma estrada reta, dois ciclistas partem um em direção ao outro exatamente no mesmo instante, movendo-se ambos em velocidade retilínea uniforme de 30 km/h. No exato instante da partida dos ciclistas, uma mosca parte da testa de um deles com velocidade retilínea uniforme de 60 km/h e voa em direção ao outro até tocar em sua testa, de onde volta imediatamente no sentido oposto, toca na testa do primeiro e retorna, repetindo o trajeto seguidamente até que os três corpos, mosca e os dois ciclistas, chocam-se exatamente no meio do percurso. Considerando-se que mosca e ciclistas mantiveram sempre suas velocidades retilíneas e uniformes (ou seja, desprezando-se o tempo necessário para acelerar até a velocidade final, inclusive quando a mosca inverte o sentido de seu trajeto), pergunta-se: que distância a mosca percorreu?”

A resposta é simples e depende apenas de uma única divisão (e divisão por um, portanto mui singela). Mas em geral leva-se algum tempo para atinar com ela. A resposta de John, no entanto, veio rapidamente. O que levou o visitante a acusá-lo de já conhecer a solução do problema.

“- De modo algum!” Exclamou von Neumann revoltado. “Eu calculei de cabeça a série de distâncias e efetuei a soma!”

Notável, pois não? O que confere alguma credibilidade ao outro “causo”. Que deriva da consideração de ser a matemática moderna tão vasta que ninguém, nem mesmo os maiores gênios, podem conhecê-la toda. Dentro desta ordem de ideias alguém perguntou a von Neumann que porção, de toda a matemática, ele conhecia. Consta que ele entrou em um de seus transes habituais, indicativos que estava imerso em complexos cálculos mentais, e ao final, respondeu com segurança: “vinte e oito porcento”.

Na próxima coluna vamos examinar, ainda que superficialmente, parte da obra deste gigante da ciência moderna. Até lá

B.Piropo

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