von Neumann I: a criança prodígio

A juventude
Por que o primeiro trabalho do jovem gênio húngaro foi publicado na Alemanha? Porque desde 1921, ainda aos dezesseis anos, mudou-se para Berlin atendendo ao desejo do pai. O velho Max, impressionado com os então recentes feitos dos químicos alemães, achava ser a engenharia uma atividade capaz de garantir uma vida folgada a seu filho (tolinho!). Por isto convenceu John a estudar Engenharia Química na Universidade de Berlin, prosseguindo os estudos neste campo dois anos mais tarde, na Eidgennossische Technische Hochschule em Zurique, também Alemanha.

Mas o grande interesse de John era matemática. Assim, ainda em 1921, no mesmo ano em que se mudou para Berlin, ele prestou exame para cursar esta disciplina na Universidade de Budapeste. E, embora jamais tivesse assistido aulas e voltasse à Budapeste apenas para prestar os exames regulares, laureou-se com distinção obtendo quase sempre os graus máximos (aos meus alunos que porventura lerem estas mal traçadas e pretenderem usar von Neumann como paradigma para solicitar o mesmo privilégio informo que, sim, será concedido imediatamente, desde que cumpram uma única condição: antes do primeiro exame, devem demonstrar um grau de genialidade pelo menos igual do de John von Neumann, pois afinal paradigma é paradigma).
Conquistado o diploma em engenharia química em Berlin, John retornou a Budapeste onde continuou os estudos de matemática, agora buscando o doutorado. Um de seus professores, Geoge Pólia, respeitado matemático que se destacou no campo da análise de probabilidades e teoria dos números, certa vez declarou sobre ele:
“Johnny was the only student I was ever afraid of. If in the course of a lecture I stated an unsolved problem, the chances were he”d come to me as soon as the lecture was over, with the complete solution in a few scribbles on a slip of paper” (Johnny era o único aluno que me metia medo. Se, durante uma aula, eu apresentasse um problema ainda não resolvido, muito provavelmente ele me procuraria assim que a aula terminasse já com a solução completa rabiscada em uma tira de papel).
John von Neumann conquistou seu doutorado em matemática em 1926, antes de completar 23 anos, com uma tese sobre teoria dos conjuntos na qual definia números ordinais, definição que é usada até os dias de hoje.
Sua fama de gênio espalhou-se ainda na casa dos vinte anos ? e conquistar fama assim tão jovem em um mundo sem Internet, televisão e BigBrother, sem esportes radicais, sem roque, rap, funk, axé e outros sucedâneos musicais, era dureza. Apesar disso, nos congressos científicos e encontros acadêmicos, já se apontava como “um jovem gênio” o então jovem professor.
John lecionou em Berlin de 1926 a 1929 (começou, portanto, aos 23 anos, tornando-se assim o mais jovem professor em toda a história da Universidade) e em Hamburgo até o ano seguinte.
Em 1930 emigrou para os EUA e passou a dar aulas em Princeton, mantendo-se em sala de aula até 1933.
Não obstante, nunca foi tido como um bom professor. Sobre isto afirmou William Poundstone no livro “Pisioner?s Dilemma”:
“His fluid line of thought was difficult for those less gifted to follow. He was notorious for dashing out equations on a small portion of the available blackboard and erasing expressions before students could copy them” (Era difícil para os menos talentosos acompanhar sua linha de raciocínio fluida. Ele se tornou conhecido por escrever equações em pequenos trechos limpos no quadro-negro e apagá-las antes que os alunos tivessem tempo de copiá-las).
Em 1933, aos trinta anos e ainda em Princeton onde trabalhou pelo resto de sua vida, von Neumann foi um dos quatro professores convidados para fundar o Instituto para Estudos Avançados.
Um dos outros três era Kurt Godel, um matemático que se tornou famoso por seus trabalhos na teoria dos números e lógica matemática e que, se você se interessa pelo assunto, provavelmente conhece.
Outro era um alemão, já cinquentão. Mas este eu aposto que, interessando-se ou não pelo assunto, certamente você conhece. Seu nome era Albert Einstein.
Assim começou a fase “americana” da vida de John von Neumann. Ainda como um matemático essencialmente teórico. Genial, sem qualquer dúvida, mas teórico.
É curioso como isto mudou com o advento da Segunda Grande Guerra…
B.Piropo
