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Você está preparado para a internet de todas as coisas?

“Imagine um dia típico. O alarme toca e você nota que ele despertou 10 minutos além do horário programado. O radio relógio checou o horário do seu voo para Porto Alegre e viu que ele estava 30 minutos atrasado, então te deixou na cama mais um tempinho.

Você levanta, se arruma e na cozinha sua embalagem de remédios está lembrando que você deve tomar seus medicamentos. Se você esquecer, a embalagem enviará um e-mail para o seu médico, para que ele saiba, e um SMS para te lembrar.

Quando você já está saindo de casa, nota um brilho no corredor e percebe que seu guarda-chuva está com uma luz azul acessa indicando que há 90% de chances de chover hoje. Você o pega e vai para a estação de ônibus esperar seu transporte para o aeroporto.

No caminho, por um aplicativo no celular, é informado que o seu ônibus chegará em 1 minutos e 20 segundos. Não precisa, portanto, pegar táxi ou carro. Você pega o voo, chega em Porto Alegre, faz um check-in no Foursquare e um objeto de decoração na sua casa mostra para sua família que você já chegou bem no trabalho.

Na hora do almoço, você consulta seu monitor corporal para saber do seu consumo diário de calorias, como foi o seu sono e definir o que pode comer, baseado na sua dieta. Todos os dados são carregados automaticamente para a nuvem, onde estão hospedadas suas informações de saúde.”

(trecho baseado no livro “Designing the Internet of Things”, de Adrian McEwen & Hakim Cassimally).

Embora pareça futurístico, esse poderia ser um dia típico em 2015. Não há nada de ficção aqui. Todos os produtos descritos acima já existem e podem ser adquiridos. Carregamos todos os dias o elemento básico do kit de construção da internet das coisas (IoT, da sigla em inglês): nosso smartphone tem mais poder computacional que os maiores computadores de 10 anos atrás. E essa revolução tecnológica não para. Cloud e conectividade são mais dois elementos-chave na criação da IoT.

A internet comercial essencialmente viveu três fases de evolução até agora. Na fase 1, o que importava era a conectividade: queríamos navegar na web e ver e-mails. Na fase 2, surgiu o e-business que hoje movimenta bilhões de dólares na economia mundial. Novas formas de colaboração surgiram modificando a maneira como as empresas faziam negócios. Entramos há poucos anos na fase 3, em que a experiência imersiva modificou a interação entre pessoas e entre empresas. É a era do Facebook, da mobilidade, da nuvem e da experiência intensiva de vídeo.

Estamos agora na fase 4 da Internet. Apps, computação em nuvem, conectividade, smartphone, sensores inteligentes. Esse é o ecossistema da Internet das Coisas, em que pessoas, processos, dados e coisas estarão conectadas.

As pessoas estarão conectadas de uma forma mais relevante e valiosa. A experiência de vídeo será intensiva. Entregaremos a exata informação para a pessoa correta (ou máquina correta), aumentando assim a produtividade dos negócios. Os dados serão organizados e tratados de maneira que se tornem mais úteis à tomada de decisão. E, por fim, as coisas e objetos estarão conectados, criando a comunicação máquina-máquina. Um maravilhoso mundo novo onde o que estava desconectado passará a ser visualizado na internet.

Não tenha dúvidas. A IoT transformará a indústria de TIC e também a maneira como vivemos. Até 2020, 50 bilhões de dispositivos estarão conectados à internet, gerando um mercado de 19 trilhões de dólares, segundo a Cisco. Isso é quase oito vezes todo o PIB brasileiro. O banco Morgan Stanley prevê uma oportunidade gigante, similar à onda da internet móvel que também movimenta um mercado bilionário.

Obviamente, esse novo mundo trará desafios para a sociedade. Para usufruir de todos os benefícios que a internet das coisas trará, algumas barreiras precisam ser superadas:
  • Conectividade: não adianta falarmos de Internet das Coisas se não tivermos como nos conectar à internet. Como a agricultura tirará proveito da IoT se o LTE rural não for implementado?
  • Segurança: já começamos a escutar sobre os primeiros casos de ataques gerados a partir da internet das coisas. Outro dia li no jornal que um hacker invadiu uma babá eletrônica e começou a gritar com o neném que dormia. Os pais assustados foram ver o que se passava e quando entraram no quarto, a câmera girou no sentido deles. Eles correram para desligar da tomada. Filme de terror, não?
  • Geração de empregos: quando falamos que não haverá mais pessoas fazendo medição de energia nas nossas casas, o que será desses empregos? Haverá, portanto, necessidade cada vez maior de conhecimento e especialização.
Uma nova economia de US$ 19 trilhões gerará oportunidades sem precedentes. Empresas serão beneficiadas com ganho de produtividade e competitividade. Novos produtos, serviços, modelos de negócios e padrões de consumo surgirão, e nem conseguimos prever agora o quão impactante essas mudanças serão para nossas empresas.
O que podemos dizer com certeza é que a Internet das Coisas transformará a maneira como vivemos, nos relacionamos em sociedade e produzimos riquezas.
Precisamos nos preparar!
*Lucas Pinz é gerente sênior de tecnologia da PromonLogicalis

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