Virtualização e múltiplos núcleos: como licenciar? – Parte II

Author Photo
8:04 am - 26 de dezembro de 2007

Série de reportagens investiga como os principais players estão lidando com o licenciamento de software frente aos processadores de múltiplos núcleos e a virtualização.

Parte II

A IBM e a Oracle optaram por direções opostas à escolhida pela BEA, ?contando? núcleos de CPU individuais. Atualmente, o licenciamento por núcleo, da IBM, se aplica a quase metade de seus produtos de software, incluindo DB2, WebSphere, Tivoli e Domino, ao passo que o da Oracle se aplica a seu principal banco de dados. As duas fabricantes também levam em conta o desempenho de cada linha de processador, de modo que os custos são próximos da capacidade real de computação disponível para um aplicativo.

O esquema da IBM é o mais complexo. Ela cobra dos clientes por PVU (processor value unit, ou unidade de valor por processador), que é igual a 1% do preço de um processador padrão com núcleo duplo, Opteron ou Xeon. A IBM dividiu seus preços por soquete por 100 para definir o preço por PVU, o que significa que a maioria dos clientes x86 inicialmente não verá nenhuma mudança. Contudo, ao fazer a atualização para os chips x86 com processadores quádruplos, o usuário pagará o dobro por processador, porque cada um deles equivale a 200 PVUs.

A IBM afirma que este modelo é justo porque um chip com quatro núcleos pode fazer o dobro do que faz um chip com dois núcleos. O problema para a TI é que as contagens de núcleos dos chips estão aumentando exponencialmente. Isso significa que ocorrerá o mesmo com as taxas de licenciamento da IBM, se o número de PVUs por núcleo e o preço por PVU permanecerem constantes. Como esta situação é insustentável, em longo prazo, a IBM declara que ajustará o número de PVUs por núcleo para dar conta do verdadeiro desempenho, e espera diminuir os custos de acrescentar mais núcleos a um chip. Hoje, todos os núcleos x86 respondem por 50 PVUs.

O sistema de PVU, da IBM, também é o primeiro modelo de licenciamento da grande fabricante a levar em conta, explicitamente, a virtualização, por meio do que a IBM chama de “licenciamento de sub-capacidade?. Se um servidor for dividido em diversas máquinas virtuais, os aplicativos dentro de cada uma delas precisarão ser licenciados somente para o número máximo de núcleos disponíveis para cada MV, e não para todos os núcleos no servidor. Obviamente, manter o controle deste modelo foi o que causou problemas para a ferramenta Tivoli License Compliance.

O licenciamento de sub-capacidade pode resultar em economia, mas somente se as máquinas virtuais estiverem bem restritas a um limitado número de núcleos. O problema é que o maior argumento de venda da virtualização é sua flexibilidade, proporcionando a capacidade de se mover entre MVs, conforme o trabalho exigir. Para tirar proveito desse atributo, cada aplicativo precisa ser licenciado para cada núcleo em que pode ser executado, algo que a IBM admite que irá aumentar os custos para a maioria dos clientes. A medição também é muito difícil, exigindo recorrer à ferramenta da IBM. A companhia está desenvolvendo uma versão atualizada, como parte de um produto Tivoli mais amplo, destinado ao gerenciamento da virtualização, embora a ferramenta em si continuará sendo gratuita.

O licenciamento da Oracle é mais simples do que o da IBM, sendo efetuado com base na contagem de núcleos como frações de um processador, mas é menos favorável à virtualização. Um banco de dados Oracle sendo executado em VMware deve ser licenciado para cada núcleo no hardware básico ? independentemente de em quantos núcleos a MV realmente é executada. Atualmente, o único meio de economizar em licenciamento da Oracle por meio da virtualização é limitar os núcleos do processador disponíveis para um banco de dados, por meio do Solaris Containers, que a Oracle acredita estar colocando limites mais restritos do que a VMware, quando se trata de restringir o número de núcleos disponíveis para um aplicativo.

Leia as outras reportagens da série clicando aqui.

Newsletter de tecnologia para você

Os melhores conteúdos do IT Forum na sua caixa de entrada.