Velocidade máxima nos CompactFlash

Testando os cartões
As cobaias do nosso teste foram três cartões Lexar Pro, sendo dois de 512 MB (um modelo 40X e outro 80X) e um de 1 GB (80X), um Sandisk Ultra II de 1 GB, um Viking de mesma capacidade e um Dane Elec de 512 MB, ambos sem referências de velocidade. O Sandisk Extreme III foi testado alguns dias depois, no mesmo equipamento, e por último chegaram os dois cartões da Corsair, um CF e um SD, com seu respaldo incomparável quando se trata de memórias. Incluímos também o já citado cartão XD de 16 MB que veio em uma das câmeras testadas, e um CompactFlash Lexar 12X de 40 MB. Os produtos foram avaliados em uma câmera amadora Coolpix 2100, da Nikon, uma amadora avançada Finepix S7000, da Fuji, um leitor Sandisk Imagemate 12 em 1 e um Lexar 8 em 1, ambos USB 2.0. A mesma placa mãe e processador foram usados em todos os testes com os leitores para estabelecer um padrão de performance na porta USB.
Nos testes com as câmeras, medimos o tempo que o conjunto levava para armazenar cada foto e uma seqüência de quatro fotos da forma mais simples possível, fotografando o próprio cronômetro!
Nas avaliações com os leitores, o HDSpeed foi responsável por calcular as taxas de transferência de leitura e escrita.

Avaliar o desempenho de um cartão em câmeras como a nossa Fuji pode ser um tanto complexo: como a câmera possui um buffer que guarda as fotos temporariamente antes de enviá-las para o cartão, todos os modelos apresentaram resultados praticamente idênticos no uso cotidiano. Ou seja, é o tipo de situação onde qualquer cartão apresenta praticamente o mesmo resultado a não ser que seja usada a configuração de máxima qualidade (modo RAW sem processamento em JPG, e resolução de 12MP, que é a capacidade do sensor da câmera). Nesse caso, as imagens são tão grandes que ultrapassam o tamanho do buffer, e precisam ser parcialmente gravadas no cartão definitivo em real time.

Já na pequena Nikon, desprovida de buffer, pudemos observar uma diferença gritante: com o cartão Dane Elec, uma foto levou aproximadamente sete segundos para ser gravada. Já com os cartões mais “rápidos”, esse tempo caiu para menos de quatro segundos. No teste com o cronômetro os cinco disparos levaram 35 segundos com o Dane Elec e meros 18 com os cartões Lexar Pro e Sandisk Ultra II. Lembramos que nosso objetivo não é criticar o Dane Elec, e sim mostrar a diferença de um cartão “comum”, mais barato, para um topo-de-linha, mais caro.

O preço do cartão Sandisk Ultra II é praticamente o dobro de um “comum” como o Dane Elec e de outros da mesma capacidade e que não fazem referência a velocidade, mas são sempre superiores a 12X, com exceção de alguns modelos Sandisk extremamente baratos que são vendidos com capacidade em “número de fotos” (100 fotos seriam aproximadamente 128 MB), que tem velocidades em torno de 4X.
Muitos devem estar pensando: qual o problema em tirar uma foto em 4 segundos ou em 8? Quem tira várias fotos em seqüência com uma câmera amadora que precisaria de “tanta performance assim”?
As mulheres, meu caro, elas simplesmente enlouquecem nas festas com as câmeras portáteis à mão. Nessas festas é dificílimo conseguir reunir o pessoal para as poses em conjunto, e na hora que se consegue tal façanha, se a máquina não estiver pronta todos saem da posição, reclamam, saem dizendo que já vão voltar, e aquele momento mágico se perde. As melhores fotos com os amigos são feitos nos momentos mais inesperados. Eu e minha esposa fomos recentemente ao casamento de uma amiga, e ela, com a câmera em mãos, passou a festa toda fotografando os mínimos detalhes e reclamando a cada foto que o cartão era lento (o tal Dane Elec), e que ela esperava “horas” para tirar outra foto, perdendo lances “importantíssimos”. Mesmo assim, conseguiu bater mais de 300 fotos em uma única noite. É impressionante como a fotografia digital amadora afetou o comportamento feminino.
Outro aspecto importante na velocidade dos cartões é o tempo de transferência das fotos para o PC. Alguns usuários ainda usam as próprias câmeras para isso, através de um cabo USB, mas certamente não é o modo mais rápido. Poucas são as câmeras que adotam o padrão USB 2.0 por isso os leitores de cartões, especialmente os multi-formatos, acabam sendo ótimas aquisições. Há inúmeros modelos, o Lexar 8 em 1 que vemos nessas fotos custou a bagatela de 28 dólares em uma loja nos EUA enquanto o Sandisk é encontrado na faixa de 35 a 40 dólares, mas há modelos muito mais baratos. É uma aquisição que recomendamos e por ser muito barato preserva a funcionalidade da transferência pela câmera para uma situação de “emergência”.
Nos testes com os leitores, cujos resultados você observa na tabela abaixo pudemos observar que os cartões “rápidos” são efetivamente mais velozes, principalmente nos tempos de escrita (mais relevantes em câmeras digitais). De valores na casa dos 2 MB/s (12x) alcançados pelos modelos “comuns”, a velocidade praticamente triplicou entre os modelos mais caros atingindo valores entre 5,5 e 8,6 MB/s (38x a 60x). Já nos testes de leitura a diferença foi menor, mas continuou existindo: 4 a 5 MB/s nos modelos simples e 7 a 8,5 MB/s nos mais rápidos-uma diferença de praticamente 100%.
|
Sandisk |
Lexar |
||||
|
Cartão |
Read |
Write |
Read |
Write |
|
| XD 16 MB | 4,6 | 0,5 | 4,0 | 0,4 | (*) |
| CF 512MB DANE ELEC | 5,5 | 1,7 | 5,7 | 1,7 | (*) |
| CF 1 GB Viking | 4,5 | 2,1 | 4,1 | 1,9 | (*) |
| CF 64 MB LEXAR 12X | 4,3 | 2,2 | 4,3 | 2,1 | (*) |
| SD Corsair 512 MB | 5,3 | 4,8 | 6,0 | 5,9 | |
| CF 512MB LEXAR 40X | 6,2 | 5,6 | 5,5 | 4,0 | |
| CF Corsair 512 MB | 6,0 | 6,1 | 5,7 | 5,8 | |
| CF 1 GB LEXAR 80X | 7,1 | 6,6 | 6,8 | 5,1 | |
| CF 512MB LEXAR 80X | 7,1 | 6,7 | 7,0 | 5,2 | |
| CF 256 MB Sandisk Ultra 2 | 8,2 | 7,2 | 6,6 | 4,8 | |
| CF 1 GB Sandisk Ultra 2 | 8,4 | 7,6 | 7,0 | 5,4 | |
| CF 1 GB Sandisk Extreme III | 8,5 | 8,6 | 7,0 | 5,7 |
(*) Notem a baixa performance de escrita desses cartões genéricos nos dois leitores-essa tabela está ordenada pela coluna de escrita (write) no leitor Sandisk
O único senão é que as tais escalas de “X”, quando divulgadas, não correspondem exatamente ao observado na prática: o cartão Lexar 40X, por exemplo, atingiu uma média de 39X na leitura e 32X na escrita-resultados bastante condizentes com o anunciado e muito próximo do Corsair, que também declara 40x ou 6MB/s em suas especificações. O Lexar de 80X, por outro lado, marcou 46X na leitura e 39X na gravação-uma decepção, tanto em relação ao divulgado quanto em relação ao cartão de 40X da mesma marca que esperávamos ter metade do desempenho.
Outro ponto interessante é que a taxa de escrita dos cartões “genéricos” ficaram sempre acima da faixa dos 12X, como o modelo Lexar de 64 MB que usamos como referência, apesar de não divulgarem isso. Em outras palavras: nenhum cartão atual deve ser visto simplesmente pela capacidade, na falta de informação (em “X” ou MB/s) na embalagem, procure no site do fabricante ou nos sites de comparativos citados anteriormente antes de comprar para não fazer um mau negócio. Se sua câmera não tiver buffer, a má escolha de um cartão pode estragar seu passeio.
Outra característica que decepcionou na Lexar, uma marca conhecida e respeitada, utilizada por muitos profissionais, é que os cartões “rápidos” como o 40X e 80X utilizados nos testes usam a tecnologia proprietária com nome de WA (Write Acceleration) ou aceleração de escrita. Reparem na logomarca WA no canto dos cartões.
Só que poucas câmeras são certificadas pela Lexar como compatíveis com essa tecnologia, e surpreendentemente o leitor da marca não faz referência a esse recurso, tanto é que os cartões apresentaram uma performance melhor no leitor da Sandisk, sua concorrente, do que no próprio leitor da Lexar. Vai entender…
Outro fator identificado nos testes e que de certa forma nos surpreendeu foi a diferença de performance entre os leitores. Ora, se o controlador da memória está no cartão e o computador é o mesmo, como pode um modelo ser até 15% mais rápido que o outro? Seja como for, parabéns à Sandisk pela dianteira. Além de ser mais rápido, seu leitor ainda aceita mais tipos de cartão e tem um botão para transferir automaticamente os arquivos para o computador-pena que seja necessário instalar os drivers para que o recurso funcione.
O cartão XD, que tanta gente diz ter a vantagem da velocidade, foi no mínimo decepcionante: com uma média de 4,3 MB/s (29X) para leitura e 0,5 MB/s (3X) para escrita, ele ganharia fácil o título de pior cartão deste comparativo. O que não deixa de ser mais um motivo para os profissionais continuarem preferindo o padrão CompactFlash ou SD, que além de mais barato, continua mais rápido e é vendido em uma variedade muito maior.
A linha Extreme, da Sandisk, é composta por cartões que podem operar em climas extremos, tanto em ambientes extremamente quentes quanto congelados merece nosso destaque pela ótima performance e pelas características do produto, que incluem uma bonita bolsinha para transporte. Mais importante que sua velocidade é a sua durabilidade e resistência há condições de tempos adversas, o pessoal da National Geographic certamente aprecia esses cartões em suas expedições.
Essa relação de leitor mais rápido ou mais lento também acontece com câmeras digitais. Há relatos muito convincentes de câmeras que “gostam” mais de um cartão de determinada marca ou velocidade do que de outros, embora mais uma vez não há como exemplificar tecnicamente porque isso acontece, já que a controladora do CF fica no próprio cartão. Há relatos até curiosos, como um defeito nas primeiras Fuji Finepix S7000 que sofriam com o “Batery Drain”, um fenômeno que faz com que as baterias descarreguem muito rapidamente quando não estão em uso, quando estavam usando cartões da Sandisk e de outras marcas, enquanto que com os modelos Lexar e os proprietários XD, não havia o tal fenômeno. Tal problema foi corrigido pela Fuji em uma revisão de hardware entre dezembro de 2003 e janeiro de 2004, mas os relatos dos usuários são no mínimo muito curiosos.
