Vale do Silício latino-americano: 5,6% da economia catarinense vem da tecnologia

Nos últimos seis anos, o número de startups no Brasil praticamente dobrou, alcançando um total de seis mil empresas. Santa Catarina, também conhecida como o Vale do Silício da América Latina, é a região onde se concentra grande parte dessas empresas inovadoras e tecnológicas, tendo 5,6% da toda a sua economia já ligada à tecnologia, de acordo com o Observatório ACATE Panorama 2018.

Uma pesquisa inédita sobre o cenário de startups em Santa Catarina desenvolvida pelo SIS/Sebrae SC, em parceria com a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE), mostra que a maior parte das empresas catarinenses deste segmento atuam com serviços de tecnologia da informação e comunicação — 20,64% prestam serviços por meio da tecnologia e 75,16% atuam diretamente na produção de softwares. O universo considerado para a pesquisa, que contou com 329 startups catarinenses, mostrou que 56,45% delas estão em crescimento contínuo há cinco anos e que cerca de 46% destas faturam mais de R$60 mil por ano.

Outro aspecto importante identificado na pesquisa está relacionado à capacidade de captação de investimentos dessas empresas. Apesar de ser um dos grandes pólos tecnológicos brasileiros, Santa Catarina ainda não possui grande atratividade para investidores, sendo que apenas 30,65% das startups do estado receberam algum aporte. O dado revela que os fundadores usam, na maior parte das vezes, capital próprio como principal fonte de recursos para a criação das empresas. Foi o caso da Cheesecake Labs, empresa que desenvolve aplicativos web e mobile e começou com o esforço de quatro amigos, sendo capitalizada pelos mesmos.

Por outro lado, algumas ideias inovadoras conquistam os investidores desde cedo. A startup GoGood, plataforma de saúde e bem-estar corporativo que ajuda empresas a melhorarem os hábitos de saúde dos trabalhadores por meio de gamificação, foi uma das beneficiadas com investimentos externos, tendo recebido mais de R$ 1,5 milhão desde sua fundação e participado no programa de aceleração da Plug and Play Tech Center e da Oxigênio Aceleradora, da Porto Seguro.

“Queremos atuar na redução do custo de saúde das empresas por meio da prevenção, reduzindo a incidência de doenças crônicas como a obesidade e a hipertensão e ajudando as pessoas, por meio de consultorias de médicos e especialistas, a melhorarem sua rotina de prática de atividade física, alimentação, sono e estresse”, afirma o CEO da GoGood Bruno Rodrigues.

Feitas a poucas mãos

Com relação ao tamanho de equipe das startups entrevistadas, a maior parte opera com poucos funcionários ou apenas com o esforço dos próprios fundadores. Na GoGood, por exemplo, uma média de dez colaboradores tocam a empresa.

A startup é jovem, com dois anos de mercado, mas já demonstra resultados expressivos, com crescimento no último ano de mais de 150% no número de usuários da plataforma. A Cheesecake também começou suas operações com poucos colaboradores, seguindo a tendência demonstrada na pesquisa, mas conta hoje com cerca de 50 profissionais.

“A empresa começou na sala do apartamento dos fundadores, com apenas os quatro dando conta do trabalho. A medida que a demanda aumentava, eles tiveram que contratar pessoas para ajudar nos projetos. Hoje, apenas cinco anos depois, o número de colaboradores aumentou mais de 12 vezes”, conta Marcelo Gracietti, CEO da empresa

Sobrevivência dos negócios

Outro dado relevante é que, segundo o Sebrae Nacional, 23,4% das empresas fecham com menos de dois anos no Brasil, enquanto 48,39% das empresas possuem entre dois e cinco anos de atividade, constituindo um ambiente de negócios mais maduro.

“Validar o modelo de negócio, valorizar colaboradores e dar assistência especial aos clientes é a receita ideal para a sobrevivência no mercado”, destaca Marcelo. Com uma carteira de clientes que abrange mais de 30 empresas, sendo 57% de fora do Brasil, a Cheesecake aumentou seu faturamento em 25% em 2018. Para 2019 a empresa prevê um crescimento de pelo menos 30%.

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