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Universidade de Uberlândia recebe investimento para desenvolver próteses para população de baixa renda

Atualmente existem 13 milhões de pessoas no Brasil portadoras de algum tipo de deficiência, de acordo com dados do IBGE – 15 mil delas sofreram amputação. Com a evolução da tecnologia, é possível, porém, recuperar de certa forma esses membros perdidos. Esse é o trabalho que a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) está desenvolvendo dentro do Laboratório de Engenharia Biomédica da instituição, em conjunto com o Grupo de Realidade Virtual e Aumentada.

De acordo com Alcimar Barbosa Soares, professor da universidade responsável pelo laboratório, próteses podem custar tanto quanto US$ 150 mil. “[O valor] está fora da realidade de grande parte dessas pessoas”, comentou o executivo durante coletiva de imprensa na Autodesk University, evento da companhia que aconteceu nos dias 13 e 14 de setembro, em São Paulo.

Pensando nessa população que não tem acesso à próteses, especialistas começaram um projeto para desenvolvimento de equipamentos que se adaptassem e se personalizassem às necessidades de cada paciente. A intenção é que haja barateamento no processo de confecção da prótese que, consequentemente, levará à redução de custo para aquisição, alcançando, dessa forma, a população de baixa renda do País. “Queremos levar para regiões remotas”, afirma o especialista, complementando que a expectativa é de que o projeto, que teve início em agosto de 2016, tenha seus primeiros dispositivos prontos no mesmo mês do ano seguinte.

Para ter a possibilidade de levar os estudos adiantes, os especialistas receberam aporte da Autodesk Foundation – o primeiro projeto que a empresa selecionou na América Latina. Soares ressalta que, além do dinheiro recebido, o financiamento também engloba o uso ilimitado de tecnologias Autodesk – que serão usadas para a modelagem dos membros. 

O projeto possibilita que próteses tenham de 30% a 35% de seus custos de produção reduzidos.

O caminho das pedras

Edgar Lamounier, pesquisador e professor da Universidade., também um dos responsáveis pelo projeto, conta que o desenvolvimento da prótese engloba basicamente três fases: o escaneamento do coto do paciente, a modelagem virtual e, por fim, treinamento para uso do novo membro e adaptação.

A modelagem no projeto é um dos maiores cuidados que os pesquisadores têm. “A maioria das próteses não são customizadas”, aponta Lamounier. “Queremos resolver essa questão crítica, porque irá ajudar ainda mais pessoas a controlá-las”, completa.

Esse último passo conta com tecnologia de realidade virtual para que o paciente aprenda a utilizar a prótese antes que seja efetivamente impressa. “[O desafio] é que o treinamento ocorra no mundo virtual tal como no real, com terapeuta ocupacional, fisioterapeuta”, disse Soares, comparando o aprendizado à andar de bicicleta: quando se é criança, coloca-se rodinhas para que não se perca o equilíbrio recém-adquirido e se caia – caso contrário, o pequeno se assusta e nunca mais sobre na magrela. “A ideia é criar mecanismos para que o paciente não precise subir na bicicleta e caia”, explica, ou seja, criar um ambiente em que ele possa treinar e descobrir como sua nova mão funciona antes de realmente poder usá-la.

Posteriormente é feita a impressão 3D da prótese. “Fazemos pedacinho por pedacinho. Até o parafuso é impresso em 3D”, acrescenta Soares.

Em um primeiro momento, o foco é o desenvolvimento de membros superiores que fiquem tão bons quanto um membro real. 

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