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Unesp e Huawei inauguram laboratório para inovação em redes definidas por software

A Universidade Estadual Paulista (Unesp) e a Huawei inauguraram ontem (15/12) um laboratório de inovação voltado para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias de infraestrutura de redes definidas por software (SDN, na sigla em inglês) e de computação de alto desempenho (HPC, na sigla em inglês). O valor do investimento não foi revelado.

O espaço está localizado no campus da universidade na Barra Funda, em São Paulo, que agrega o data center do Núcleo de Computação Científica (NCC) da Unesp e é fruto da parceria entre a universidade e a empresa chinesa. De acordo com a companhia, a iniciativa é parte do investimento em pesquisa e desenvolvimento da fabricante, que somente em 2015 direcionou US$ 59,6 bilhões globalmente para inovações.

Segundo Rogério Iope, engenheiro de sistemas e gerente-executivo do NCC, entre os trabalhos do laboratório estão desenvolvimento de serviços, métodos e ferramentas de código aberto para integrar tecnologias de computação em nuvem com redes definidas por software. “Focamos na movimentação de grandes quantidades de dados que precisam trafegar em redes de longa distância”, explicou o executivo na inauguração do espaço.

O projeto busca também o desenvolvimento de um controlador SDN próprio e a implantação de um ambiente de desenvolvimento para testar as novas tecnologias. Para isso, planeja-se conectar e transferir dados entre a Unesp e a Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN), em Genebra, na Suíça, e o California Institute of Technology (Caltech), nos Estados Unidos.

O pesquisador do laboratório Beraldo Leal explica que, nos últimos meses, a universidade e a empresa iniciaram os trabalhos na área e os primeiros resultados já podem ser observados. Um deles, contou, foi o estabelecimento de novo recorde de velocidade de transmissão de dados entre os hemisférios Norte e Sul. A movimentação de dados aconteceu a taxas de cerca de 100 Gbps. Com 200 estruturas computacionais interligadas, a velocidade na transmissão de dados é bastante crítica para o sucesso das pesquisas.

Leal destacou que antes da era SDN, a configuração de equipamentos de rede era muito complexa e manual. Além disso, toda a inteligência ficava na caixa. “O SDN quebrou esse paradigma”, detalhou.

O projeto Kytos foi outra concretização do projeto. Leal, que também lidera o desenvolvimento do Kytos, afirmou que o trabalho, totalmente open source, é um novo controlador de redes SDN, permitindo que dispositivos de rede sejam controlados por software.

Na esteira do Kytos, o time do lab quer, ainda, criar uma comunidade para reuso de códigos em projetos de rede, com instalação parecida com a experiência dos usuários de lojas de aplicativos, como a App Store. “Já temos mais de 9 mil linhas de códigos e mais de 10 aplicações nativas, das mais simples às mais complexas. Tudo isso disponível no GitHub [serviço de web hosting compartilhado]”, comemora, acrescentando que o projeto está apenas no começo.

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