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“Uma grande crise é uma grande oportunidade”, afirma Henrique Meireles

O Brasil vive atualmente um momento econômico delicado. Para Henrique Meirelles, atual ministro do Ministério da Fazenda, essa é a chance de fazer diferente. “Chegamos a um ponto de decisão no Brasil, agonizado pela crise econômica. Dependendo dos resultados deste ano, teremos a maior recessão econômica no País desde que o PIB começou a ser medido em 1992”, que leva ao desemprego aos patamares que estamos hoje, com mais de 10 milhões de pessoas desempregadas, e “contamina o processo de funcionamento da economia”, comentou durante abertura do último dia de Ciab, feira de tecnologia para bancos que acontece nesta semana, em São Paulo.

Apesar do teor da afirmação, o ministro acredita que “uma grande crise é uma grande oportunidade”, declarou, citando como exemplo a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) de 1999, que, segundo ele, teria sido um resultado oportuno gerado por uma crise. Para o executivo, essa é a hora de restaurar o crescimento e, para isso, é preciso retomar “a confiança de que o governo consegue manejar suas próprias contas”.

Para contornar a situação do País, portanto, o ministro reiterou as medidas que estão sendo trabalhadas por ele e que tem como proposta serem aplicadas durante um prazo de 20 anos. “Isso é um problema fiscal”, sentenciou. Na opinião do político, o primeiro passo deve ser organizar problemas, identificar e atacar os mais importantes. “Tentativas desorganizadas de atacar todos os tipos de problema é algo que demanda esforço e impressiona, porque apresenta muita atividade, mas historicamente é algo ineficaz”, analisou.

>> Confira a cobertura completa do evento

Quando assumiu o posto, convidado pelo presidente interino Michel Temer, Meirelles entrou com uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC), a qual fixa o teto limite para crescimento de gastos públicos. “Isso significa uma coisa muito forte, o crescimento real das despesas públicas ficam zero acima da inflação”, afirmou ele, comparando a taxa de anos anteriores, que chegou a 6% e que ele classifica como crescimento insustentável. “Se isso for colocado na Constituição, como esperamos que seja, passa a ser uma norma fortíssima”, completou.

Evoluindo nesse sentido e restaurada a saúde financeira dos estados, o ministro também citou como segmento de atenção saúde, educação e previdência social – essa última já tendo como primeiro passo de reestruturação o redirecionamento da Secretaria da Previdência para a Fazenda.

Meirelles também comentou sobre tecnologia, foco do evento e um dos setores que promove grande crescimento no País. Para ele, o setor representa importância no presente e no futuro do sistema financeiro. “Com o e-commerce cada vez mais, de fato, nas transações financeiras, isso abre uma porta enorme”, disse. “Na transparência, em melhores serviços, e principalmente começa a mudar a relação da sociedade com seus recursos e com o próprio sistema financeiro, que ainda hoje tem relação muitas vezes percebida como de dificuldade. Acredito que a tecnologia pode resolver essa questão. É um desafio”, completou.

Ao final da apresentação, o executivo ressaltou que, apesar de estar atuando em um governo interino, que pode durar mais dois meses ou dois anos, o importante é deixar a casa arrumada. “Fui convidado e aceitei ser ministro da Fazenda não foi para fazer o projeto para um governo [específico], mas para o País, apresentando propostas que, no longo prazo, vão resolver o problema do Brasil, aumentar a confiança e fazer a roda da economia girar de forma diferente. Quem vai estar aqui no futuro não é relevante e acredito que deveríamos pensar nisso, em vez de ficar se preocupando com quem está ocupando a cadeira no momento”, alfinetou. “O trabalho que cada um de nós faz pelo País no momento e o impacto no longo prazo, isso é o que importa. E, como gosto de dizer, o longo prazo demora, mas chega”, encerrou.

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