Um ano após lançamento, quais são os avanços e perspectivas do SAP Leonardo?

A edição 2017 do Sapphire Now, evento anual da SAP, teve uma missão clara: apresentar a nova plataforma Leonardo ao mundo e mostrar que a multinacional alemã estava olhando um horizonte muito além do ERP. Neste ano, a conferência, que termina nesta sexta-feira (8/6), manteve a mesma linha: pouco foco em ERP e diversas novidades sobre tecnologias como CRM, blockchain, inteligência artificial, bem como a plataforma de serviços em cloud Hana.

Mas, passado o primeiro ano do lançamento da solução, qual o estágio do Leonardo, sobretudo no Brasil?

O país, particularmente, tem relevância global por contar com um dos cinco laboratórios de inovação, os chamados Leonardo Centers. A instalação fica na sede da companhia em São Leopoldo (RS), o SAP Labs Latin America.

“Grandes empresas de setores como petróleo, energia, beleza e muitos outros têm adotado o Leonardo no Brasil. O país é um dos primeiros em que o Leonardo tomou forma”, destacou Tomas Helou, VP de Leonardo e Analytics para América Latina.

O executivo diz que, com grandes projetos em andamento e concluídos, o Brasil já passa a ser um exportador de tecnologias criadas com o Leonardo. Dois casos citados pelo executivo são das empresas brasileiras Natura e O Boticário, ambas apresentados por representantes das companhias durante a conferência da SAP.

Na empresa de produtos de beleza, o projeto piloto foi realizado em uma loja para identificar a quantidade de produtos nas prateleiras em tempo real. Com uso de internet das coisas e câmeras captando os produtos, é possível fazer um inventário para determinar a necessidade de reposição de forma efetiva.

Na Natura, o teste foi a criação de um modelo de vendas. “Implementamos um modelo que utiliza o SAP Cloud Platform com IoT, machine learning, advanced analytics para permitir uma gestão mais eficiente dos pedidos de vendedoras”, explica. A solução funciona conforme a demanda. Com a parceria, a empresa consegue rastrear pedidos e conhecer a localização por geoprocessamento, o que auxilia seus consultores e clientes. E eles podem salvar as assinaturas dos destinatários das mercadorias por motivos de conformidade.

Até 2021, inclusive, a Natura planeja migrar todos os aplicativos locais para a nuvem. A SAP Cloud Platform foi a escolha estratégica da companhia.

Helou destaca que o modelo de inovação utilizado pela unidade permite o desenvolvimento rápido e com baixos riscos e custos. “A metodologia começa o projeto pequeno e vai avançando.”

Estágio e perspectivas

Segundo o executivo, mais de 40 empresas brasileiras estão utilizando o Leonardo – a maioria no estágio ainda de testes. Para ele, o momento do Leonardo ainda é de amadurecimento, mas sobretudo por conta do estágio de transformação digital das companhias e não pela maturidade das ferramentas.

“Apenas 5% das empresas da América latina já tem uma agenda concreta de transformação digital. O Leonardo ainda é um ‘garoto’, não porque a tecnologia não esteja amadurecida, mas temos que trabalhar junto com fornecedores e até meios de comunicação para que as mensagens dos benefícios possam permitir a transformação digital amadurecer.”

Muitas dessas mudanças, para ele, são culturais. “Para 80% da sempresas atendidas pela SAP, conseguimos resolver o core de negócio e hoje podemos apresentar um caminho de transformação digital com o Leonardo”, disse.

“Acredito que no ano que vem essa porcentagem será bem maior. Nosso objetivo com o Leonardo é melhorar a qualidade de vda da humanidade e fazer com que empresas sejam mais eficientes”, completou.

Novidades apresentadas

Durante a conferência, a SAP apresentou algumas novidades para o Leonardo, todas após feedback de clientes.

As capacidades do SAP Leonardo Machine Learning, por exemplo, estão agora incorporadas em aplicações em todo o portfólio SAP, incluindo as soluções SAP S/4HANA Cloud, SAP C / 4HANA e SAP Ariba.

O SAP Leonardo Machine Learning Foundation, que permite aos clientes desenvolver aplicativos individuais, possui cinco novos serviços, incluindo detecção de objetos, reconhecimento de texto em imagens e classificação de texto, que analisa e categoriza automaticamente documentos de texto. Agora ele suporta scikit-learn e TensorFlow, bibliotecas de código aberto para machine learning.

 

Outras duas novidades do portfólio Leonardo são a oferta de blockchain como serviço, além da ferramenta para criação de chatbots inteligentes.

Assim como no último ano, a impressão que fica é que o Leonardo segue como grande aposta aposta da SAP para diversificação e modernização de seu portfólio, mas ainda é difícil de mensurar seus impactos efetivos por conta de desafios de transformação digital, sobretudo no Brasil, onde a grande parte das empresas ainda engatinha no tema inovação.

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