UEFI: Fechando a série

A nova tabela de partição (GPT)
Outra diferença fundamental entre os sistemas de inicialização baseados em BIOS e UEFI é a forma pela qual são gerenciadas as partições dos meios de armazenamento de massa.
Isto porque uma das primeiras ações do procedimento de carga do sistema operacional a partir de um disco rígido na inicialização baseada em BIOS é o exame do chamado MBR (“Master Boot Record”, ou registro mestre de inicialização, localizado imediatamente no início do disco) para verificar a forma pela qual o disco se subdivide em partições, além do tamanho e localização destas partições e a identificação daquela que armazena o sistema operacional.
Ora, de acordo com as especificações do MBR, nenhum disco pode ter mais que quatro partições primárias e a capacidade do disco que contém o sistema operacional (ou seja, o chamado “disco de inicialização” ou “boot disk“) não pode exceder 2,2 TB (Terabytes).
Há algum tempo isto não representava problema algum. Discos de grande porte não excediam poucas centenas de GB e 1TB vale 1024 GB. Mas hoje em dia já se pode encontrar no mercado americano discos magnéticos de três TB por poucas centenas de dólares e logo haverá discos maiores. Portanto, embora não seja uma questão premente, cedo ou tarde o limite de 2,2TB se tornará um fator restritivo ponderável.
Já os sistemas baseados em UEFI adotam uma nova especificação para a tabela de partições. Ela se denomina GPT, de “GUID Partition Table“, e permite adotar partições com capacidade de até 9,4 ZB (Zetabytes). Como um ZB vale 1024 TB, esta nova especificação oferece a possibilidade de durar ainda um bom tempo (mas não pense que é um valor exagerado; quando eu comprei meu primeiro disco rígido há pouco mais de vinte anos, a maior capacidade admissível para uma partição era de 32 MB ? isto mesmo, megabytes ? e eu achei que o problema estava resolvido para sempre quando este limite foi elevado para dois GB…).
GUID é o acrônimo de “Globally unique identifier“, ou “identificador globalmente único”. A denominação não fez muito sentido? Também acho. Então, destrinchemos: um GUID é um número único usado como identificador em um dado software.
Ainda está complicado? É porque o conceito é novo. Então elaboremos mais um pouco: um GUID é um número que, em binário, pode ser expresso com 128 dígitos (portanto é um número “de 128 bits”). Como cada quatro bits pode ser convertido em um algarismo (ou caractere) hexadecimal, um GUID geralmente vem expresso sob a forma de um número hexadecimal de 32 caracteres. Basicamente, é só isso. O que, no fundo, é muito simples: um GUID é um conjunto de 32 caracteres hexadecimais que representam unicamente um determinado objeto de um conjunto.
Talvez você tenha achado isto tudo meio esquisito, mas a verdade é que muito provavelmente você já lidou com GUIDs, embora não tenha percebido. Quer ver? Se você já examinou o Registro de Windows com o editor de Registro (Regedit) deve ter se deparado com algumas entradas estranhíssimas, parecidas com isto:
{3F2504E0-4F89-11D3-9A0C-0305E82C3301}
Pois bem, cada uma delas é um GUID, um identificador único de uma “classe de objeto COM” (“Component Object Model“, um modelo usado internamente por Windows para designar objetos de diversos tipos). Este é um dos usos do GUID. Outro, talvez inesperado: aquele “mundo virtual” chamado Second Life, que esteve muito em moda há cerca de dez anos, também usava GUIDs para identificar seus objetos.
Pois muito bem: a tabela de partições tipo GPT usa GUIDs para identificar partições ? e sendo o GUID um número de 128 bits, permite alocar a gigantesca capacidade de 9,4 ZB para cada partição (se quiser saber mais sobre GUIDs sugiro consultar o verbete correspondente da Wikipedia, edição em inglês).
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Mas usar GUIDs como identificadores de partições não é a única característica nova da tabela de partições tipo GPT (embora seja a que chama mais atenção, tanto que lhe deu o nome). Por exemplo: a GPT possibilita o uso de um número muito maior de partições que as quatro permitidas pelo sistema em MBR (as versões de Windows 64 bits que usam UEFI aceitam até 128 partições, mas este limite foi imposto pela MS, não pela especificação UEFI). Além disto, não exige qualquer tipo específico de sistema de arquivos, oferece excelentes facilidades para inicialização em rede e permite redundância (fazendo com que os dados que definem a partição, ou “cabeçalho” do disco, figurem não apenas no primeiro setor do disco como também mantenham uma cópia no último para permitir recuperação caso um deles seja danificado, como mostrado na Figura 2).
Aqui não cabem maiores detalhes técnicos sobre a GPT, mas quem tiver interesse neles pode obtê-los também no verbete correspondente da edição em inglês da Wikipedia (onde foi obtida a Figura 2).
