UEFI: As limitações do BIOS

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3:38 pm - 27 de fevereiro de 2012

O Itanium e seu EFI

Houve diversas iniciativas de dar cabo do BIOS ao longo destas três décadas. A primeira ocorreu ainda nos anos oitenta do século passado, mais precisamente em 1988 quando a IBM lançou seu malsucedido PS/2, uma linha de micros baseada em uma nova arquitetura de 32 bits, a MCA (de “Micro Channel Architecture“), patenteada com o objetivo estratégico de liquidar com a concorrência dos clones do PC, que exigia um novo sistema operacional e novas controladoras de dispositivos (o barramento MCA era diferente do ISA e os novos “slots” não aceitavam as velhas placas).

O PS/2 foi, talvez, o melhor exemplo de tiro que saiu pela culatra: em vez de liquidar com os clones, liquidou com a supremacia da IBM na linha PC ? mas isto é outra história, que talvez um dia venhamos a abordar. Pois uma de suas novidades ? e que logo caiu em esquecimento ? era um procedimento de inicialização denominado ABIOS (de “Advanced” BIOS), tão malfadado que hoje ninguém mais lembra dele (faça uma pesquisa no Google e verá que, ao menos nas primeiras páginas, não surgirá qualquer referência a ele; mas, para não pensarem que estou inventando, você as encontrará no verbete da Wikipedia referente ao PS/2).

As demais tentativas visaram o desenvolvimento de procedimentos de partida de máquinas com processadores que não aderiam à arquitetura ix86, como a incluída no padrão ARC (Advanced RISC Computing) para a falecida plataforma Alpha em 1990 (alguém lembra dela? Badaladíssima nas grandes feiras de computadores do início dos anos noventa do século passado, chegou a ser considerada a plataforma do futuro…) Também o SPARC, da Sun e o defunto Power PC, fruto de uma estranha aliança entre Intel, IBM e Motorola (um negócio destes não poderia dar certo…) tiveram seus próprios procedimentos de inicialização que não usavam o BIOS. Não há mais sinal de qualquer deles.

A primeira iniciativa de eliminar o BIOS que efetivamente frutificou ocorreu na segunda metade dos anos noventa do século passado. E não foi opcional, foi obrigatória: a Intel iniciava então o desenvolvimento do Itanium, seu primeiro processador a abandonar a arquitetura x86 e adotar aquela que passou a ser conhecida como IA-64 (hoje, Intel Itanium Architecture, provavelmente para evitar confusão com a ix-64) e precisava de um procedimento de inicialização eficaz.

A arquitetura interna do Itanium é revolucionariamente diferente da adotada nas linhas x86/x64. Usa paralelismo no nível das instruções (ou seja, não é superescalar) e foi concebida para sistemas computacionais de alto desempenho e servidores. Seria portanto inaceitável obrigar um microprocessador de tal poder de processamento a adotar o “modo real” para emular um velho x86 durante a partida. O que descartava liminarmente uma inicialização baseada em BIOS. A Intel, então, desenvolveu ? inicialmente, especialmente para o Itanium ? um padrão denominado originalmente “Intel Boot Initiative” e, mais tarde, rebatizado para “Extendend Firmware Interface” (interface com o “firmware” ampliada), ou EFI.

A especificação EFI, lançada em 2000, foi adotada no Itanium. O processador não foi propriamente um sucesso (dada a expectativa que cercou seu lançamento, foi considerado excessivamente lento) mas a EFI, patenteada pela Intel, não pode ser considerada um fracasso. Tanto que, em 2003, a especificação chegou à versão 1.1 e foi licenciado pela Intel para alguns fabricantes de computadores.

Mas em 2005 a Intel, embora mantendo os direitos de propriedade sobre o padrão EFI e podendo licenciá-lo, decidiu interromper sua evolução proprietária e cedeu os direitos de futuros desenvolvimentos para um consórcio formado por representantes de diversas empresas, tanto fabricantes de hardware como AMD, Apple, Dell, HP, IBM, Lenovo e a própria Intel, como desenvolvedores de sistemas como a Phoenix e a Microsoft.

Este consórcio mudou o nome da especificação para UEFI (de Unified EFI, ou EFI unificada) e adotou a denominação de Unified EFI Forum.

Segundo sua própria definição, trata-se de “uma organização industrial colaborativa sem fins lucrativos formada para promover e gerenciar o padrão UEFI”.

Um padrão que tem por objetivo substituir o BIOS e sobre o qual entraremos em detalhes na próxima coluna.

Até lá.

B.Piropo

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