Transformação exige quebrar barreiras, alerta CEO da CA Technologies

Qual a relação da tecnologia da informação (TI) com o montanhismo? Pode parecer que são áreas completamente distintas, sem qualquer similaridade. E na verdade são, mas o aprendizado do montanhismo pode ser levado para a TI, como mostrou Mike Gregoire, CEO da CA Technologies, na abertura do CA World, evento anual da companhia, que acontece nesta semana em Las Vegas (EUA).

“A mudança não é natural para nós. Traz medos, porque é pautada por riscos. Precisamos gerenciar riscos e não evitá-los”, disse o executivo. Ele citou Jimmy Chin, fotógrafo, produtor de vídeos e montanhista como exemplo dessa prática. “Ninguém deu a Jimmy o desafio de escalar a montanha mais difícil do mundo. Ele fez. Depois de planejar, encontrou o balanço entre criatividade, inovação e execução”, afirmou Gregoire.

O próprio CEO da CA Technologies decidiu sair da zona de conforto e participar de uma escalada com Chin e o resultado foi uma surpreendente lição de vida, que pode ser levada ao mundo corporativo. “O montanhismo exige avaliar riscos e consequências. Eu estava fora da minha zona de conforto e claramente vi as consequências das minhas decisões a cada segundo”, comentou. “Meu trabalho é sobre risco e estresse o tempo todo. Preciso estar consciente da segurança para abrir espaço para a criatividade”, assinalou Chin no palco do CA World.

Remover barreiras

Usando o montanhismo como pano de fundo, Gregoire reforçou o fato de que empresas estão lidando com mudanças a todo o momento e nesse cenário quebrar barreiras é fator-chave para inovar. Segundo ele, parte do trabalho da CA é ajudar clientes a aceitar os riscos de forma adequada. “No mundo digital, por exemplo, temos de desenvolver uma intuição digital. Entender de onde vêm os dados e como usá-los de forma responsável”, apontou.

Ele citou a empresa do segmento de saúde Optum como exemplo dessa prática. De posse de dados de milhões de clientes, o executivo relatou que a companhia está mudando a forma que provê experiências para seus consumidores. “Agora, médicos e pacientes podem tomar melhores decisões”, disse, acrescentando que todo o mercado está tentando resolver desafios específicos com base na tecnologia.

Outra organização destacada por ele que tem o poder de ouvir dados foi o Citi Group, que atua no mercado de serviços financeiros. A empresa criou a Citi Fintech, que trabalha em linha com diversas fabricantes de tecnologia, como a CA, para levar a verdadeira cultura de startup para os negócios: falhar e aprender rapidamente com os erros.

De acordo com Gregoire, a Citi Fintech usa metodologias ágeis para acelerar o time to market de desenvolvimento de produtos e reduzir atrasos nas entregas de projetos. “A habilidade de mudar conforme interagimos com nossos clientes é crucial nos dias de hoje. Se não tivermos a capacidade de lidar com essa velocidade, estamos fora”, justificou Yolanda Piazza, CEO da Citi Fintech.

Superando desafios

O executivo lembrou que nem todos estão efetivamente abraçando o risco da execução, mas, segundo ele, o sucesso é gerado pela forma como as pessoas reagem quando as coisas dão errado. “Nesse caso, pergunte-se ‘o que fizemos de errado?’. E isso leva a uma segunda questão ‘como fazer certo?’”, recomendou.

Um dos conceitos que a CA tem colocado em prática para ajudar empresas a superarem esse desafio é o da Moderna Fábrica de Software. A companhia defende que o software está no centro de todas as companhias, em todos os setores, e o negócio moderno precisa estar pronto para desenvolver, corrigir e atualizar sua plataforma de software e viabilizar a transformação digital.

Gregoire alertou que essa não é mais uma moda do mercado. Trata-se de uma forma de falar de transformação digital e suas necessidades para executivos de negócios, ávidos por mudar suas operações para o próximo nível. Ele apontou a cidade de Singapura como modelo prático do conceito. Até pouco tempo, a população ligava para a polícia para qualquer tipo de demanda, como uma luz quebrada na rua ou um buraco.

O governo da cidade, então, criou junto com a CA, o OneService, aplicativo que se converteu em um canal conveniente para relatar questões municipais em Singapura. Agora, 5,7 milhões de pessoas têm acesso ao app. “É disso que estamos falando. O potencial da Moderna Fábrica de Software é enorme. É sobre criatividade e execução”, finalizou.

*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da CA Technologies

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