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TI deve buscar nova abordagem para liderar economia industrial digital

Um cenário onde máquinas não estarão conectadas somente a outras máquinas, mas a pessoas, gerando um incomensurável volume de dados que poderão ser transformados em informações valiosas e oportunidades de negócios para sua empresa. 

Este dia não está tão distante e previsões do Gartner indicam que em 2020 teremos 2,3 bilhões de dispositivos interligados.

Essa economia industrial digital já está em construção, relataram analistas durante o keynote de abertura do Gartner Symposium ITxpo 2013, realizado esta semana em São Paulo. 


Para eles, cabe ao CIO decidir qual papel irá desempenhar diante dessa nova realidade onde não somente o líder de TI irá dominar tecnologias dentro de sua empresa – o que já está acontecendo nos departamentos de marketing – e sim onde “todas as pessoas e organizações serão uma empresa de tecnologia”,  afirmou a analista do Gartner Betsy Burton.

De um lado as oportunidades residem nas conexões promovidas pelo conceito de internet das coisas; do outro, elas impõem necessidades de digitalizar produtos, processos e serviços e transformar modelos para competir por “momentos de negócios”, que podem vir de qualquer lugar.

Tome como exemplo o tempo que passamos sentados em nossas cadeiras de trabalho. Conectados por dispositivos, esses aparelhos poderão enviar informações sobre necessidades de reparos, bem como sobre a pessoa que está sentada, possibilitando a oferta de serviços personalizados. Aí está um “momento de negócio” que, para gerar receita, exigirá a reformulação de processos, produtos e o do modelo de negócio.

“De uma fornecedora de cadeiras, as organizações devem se tornar, quem sabe, uma loja de móveis as a service”, anunciou o vice-presidente de pesquisa do Gartner Tom Scholtz. “Identificar e explorar esses modelos e processos de negócios: é assim que uma organização se torna uma empresa digital”, acrescentou.

Economia digital em escala industrial
E é neste nível, do momento de negócios, que as companhias passam a competir na economia industrial digital. Hoje, já temos empresas e startups de consumo colaborativo alterando o nível de competição em seus nichos, como a Airbnb no setor de hospedagem e Parkatmyhouse em estacionamento, citadas por Betsy na apresentação.

Para que essas mudanças atinjam sua empresa, é preciso líderes para impulsionar novas tecnologias. “Essa liderança vai ter que adotar uma nova abordagem, pois ninguém vai esperar a TI. É o que está acontecendo com o marketing, eles estão agindo de maneira independente e adotando novas tecnologias”, disse o analista Val Shibar durante a abertura do simpósio.

O analista sugere a existência de uma crise atual na liderança de TI, que será solucionada pela figura do CDO, o chief digital officer, cargo que até 2020 deverá desaparecer. Neste momento, ganha o papel de destaque o líder responsável pela transição digital nas empresas. “O CDO não será mais preciso porque todos os líderes serão ‘digital officers’ e terão determinadas capacidades para conduzir uma organização digital”, avalia Shibar.

No momento, apenas 10% dos negócios globais possuem um CDO, e a perspectiva do Gartner que esse número aumente significativamente no próximo ano. “O papel dele é transitório, mas será fundamental para auxiliar as empresas, os líderes e o CIO nessa transformação”, avaliou Cássio Dreyfuss, principal executivo do Gartner no Brasil.

E onde fica o CIO nessa história toda? Focado na estratégia. “O CIO pode se tornar o CDO, mas essa não é uma transição automática e isso não garante que a empresa vai surfar nessa onda. Para isso, precisamos de uma liderança capaz de capturar esses momentos de negócio que se estendam além das fronteiras da empresa para criar oportunidades”, pontua Dreyfuss.

Como chegar lá?

Para tanto, o analista propõe uma “liderança em duas velocidades”, que consiste na execução de sistemas de missão crítica utilizando metodologias e processos tradicionais e, ao mesmo tempo, na criação de novas estratégias para conduzir inovação digital. 


Ele exemplifica o conceito como o que foi adotado pelo CIO da cidade de Boston ao separar a inovação digital em um grupo multidisciplinar, chamado de “escritório da nova mecânica urbana”, para que a equipe não ficasse presa o portfólio de TI e se permitisse correr certos riscos.

Guia rápido
Uma nova dinâmica econômica e organizacional, impulsionada pela tecnologia, requer mais que a adoção de metodologias ágeis. Segundo o Dreyfuss, trata-se de fazer parcerias com empresas menores e mais inovadoras, explorar colaboração através das redes sociais, criar uma equipe de inovação e tecnologias de negócios, desenvolver novas habilidades e empregar liderança e governança de maneira mais flexível.

E para que o CIO lidere essa transformação digital, o Gartner propõe:

– Deixar de ser o gerente de TI para se tornar líder da informação e da tecnologia para os negócios: “Isso requer uma mudança de foco, deixando de dedicar 80% de seu tempo para 20% às tarefas do dia a dia para priorizar o negócio digital”, diz Dreyfuss.

Vislumbrar novas fronteiras: pensar estratégias além do alinhamento do negocio para possibilitar novas oportunidades, o que inclui “competir com esses modelos de negócio, e até destruí-los criativamente”, afirma.

– Buscar outras formas para desenvolver inovação: promover a inovação “fora de casa” e ampliar o portfólio, deixando de trabalhar com um pequeno número de provedores de tecnologia para, por meio de crowdsourcing através de ferramentas como redes sociais, criar parcerias com pequenas empresas inovadoras que oferecem serviços na nuvem digital.

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