Há um ano, a T-Systems consolidou no Brasil a área de M2M, sigla para comunicação máquina a máquina, e passou a investir de maneira mais robusta no desenvolvimento de soluções do segmento principalmente com tecnologia RFID (identificação por radiofrequência). Agora, a meta é clara: aumentar a base de clientes dessa divisão de 20 para 45 nos próximos 12 meses.
?Nosso principal mercado ainda é o automobilístico e manufatura, principalmente para controle logístico. Mas vemos o varejo puxando o segmento, partindo para a automação devido ao ganho nas operações de estoque e inventário?, explica o diretor da divisão M2M da T-Systems do Brasil, Carlos Ribeiro. Alguns dos clientes já no portfólio são o varejista Makro, a Aman, do Grupo Volkswagen, a empresa de louças Deca e alguns hospitais.
O executivo reconhece algumas limitações para o uso das tags para alguns setores, nos quais mesmo um chip da categoria mais barata, em torno de R$ 0,40, pode representar um impeditivo devido a peculiaridades do setor ? como é o caso da indústria de moda. ?Mas o ganho é realmente incrível. Dá para mensurar o retorno entre sete ou oito meses em um projeto médio, de investimento entre R$ 2 mil e R$ 3 mil reais, ou mais especificamente da área de moda, aumento de 3% a 7% nas vendas pela melhor eficiência operacional?, exemplifica. Em grande parte isso acontece porque a leitura dos chips é reduzida a segundos, além de diminuir riscos de desvios e roubos de mercadorias.
A T-Systems também está trabalhando com uma empresa austríaca para baratear os leitores dos chips. Hoje, cada equipamento tem custo de US$ 3 mil a US$ 4 mil, o que pode inviabilizar o investimento em pequenas e médias companhias ou até mesmo em algumas das grandes. Com um dispositivo que se acopla a smartphones e tablets Android, Ribeiro acredita que um leitor pode chegar ao país em torno de US$ 400. ?Estamos trabalhando na camada de software para criar aplicações a diferentes setores?, explica.
Cenário Nacional
O desenvolvimento do mercado de M2M está ligado à superação de algumas barreiras. A primeira delas é a fabricação do chip ? a única companhia que o realiza no País é a Ceitec, amparada por investimento federal, ainda assim com a bolacha importada. As importações elevam os preços das tags.
Além disso, existem limitações técnicas. Metais como ferro e alumínio, e também líquidos, interferem na leitura dos chips. Ademais, quando a tecnologia for amplamente adotada, é preciso desenvolver soluções que limitem a leitura por espaço e também tipo de chip. Se uma caixa com diversos produtos estiver em um centro de logística, no qual é necessário registrar a entrada do lote e não de cada produto individualmente, é preciso que o sistema diferencie as tags que necessitam dar entrada no sistema. ?Existe a demanda e estamos investindo pesadamente nisso, para criar soluções capazes de atender cada necessidade?, conclui o executivo.
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