Synology Diskstation DS710+

No dia a dia
Esse é o tipo de produto que você instala e esquece que ele existe. Fica lá no canto da mesa, quieto, com os leds acesos, fazendo o trabalho dele sem incomodar ninguém. Aqui no escritório não temos a necessidade de usar uma série de recursos que o DS-710+ oferece nativamente, mas outros são fundamentais. Depois dos discos instalados, dos usuários definidos e da configuração do roteador estar devidamente ajustada, com as portas para alguns serviços definidas, adotei algumas estratégias que vou descrever aqui:
O único serviço de mídia que precisamos é o que serve aos WDTV Live junto às TVs, todos os demais foram desativados rapidamente. Temos rotinas de backup bastante intensas e todas elas foram transferidas para o DS-710+ sem nenhuma dificuldade. Um dos PCs permaneceu utilizando uma licença recém comprada do Genie Timeline, um ótimo software de backup, enquanto os outros passaram a usar o Synology Data Replicator, que se comunica com o NAS diretamente. Não tenho ainda uma opinião formada de qual é o melhor, pois ambos funcionaram muito bem. O nobreak (um APC RS 1500) ficou ligado direto no NAS, que se desligará caso entre em “safe mode”.
Não habilitei nenhum acesso remoto externo a nossa rede (o DS-710+ suporta vários provedores de DDNS (Dynamic DNS ? uma forma de definir um domínio fixo com IP dinâmico dos provedores de internet brasileiros), mas habilitei alguns recursos para uso local, como o File Station (muito útil para “arrumar a casa” usando o browser do Smartphone). A idéia era replicar o que era feito antes com o MyBookWorld (MBW) e avaliar as diferenças. E o salto qualitativo valeu a pena.
O gerenciamento de tudo é muito mais fácil, habilitar e desabilitar recursos é algo trivial, quando no MBW era necessário atuar no código via SSH (DiskStation também tem) porque pela interface da Western Digital simplesmente não é possível desativar alguns serviços “nativos”. Pode ser impressão minha, mas o Download Station me pareceu oferecer mais performance do que o “Transmission”, o bittorrent que eu instalei “a força” no MBW. O Download Station além de permitir em uma única interface o download de vários tipos diferentes de arquivos (o outro só permite “torrents”) nos primeiros exemplos consegui taxas de download acima de 1000kbps, perto do limite da minha banda larga, algo que raramente eu conseguia com o Transmission. Aliás, instalei o Transmission no DS-710+ de forma muito rápida, pois alguns usuários no fórum da Synology desenvolveram um pacote para facilitar a instalação, e funcionou de primeira, mas vou remover e ficar com o Download Station. Essa comunidade de desenvolvedores que portam aplicações para o gerenciador de pacotes do sistema da Synology, que é baseado em Linux, dá um valor adicional ao produto.
Mas foi o ganho de performance do conjunto que mais me surpreendeu. O MBW da Western Digital “amarrava” minha rede, pois todo o conteúdo compartilhado era lentamente servido por ele. Com o DS-710+ tudo ficou absurdamente mais rápido, as rotinas de backup ficaram praticamente 10 vezes mais rápida, a transferência de arquivos também, e o WDTV Live ficou tão rápido na navegação utilizando o DiskStation pela rede que dispensei o disco local USB.
Esse incremento de performance não se dá somente pelo processador Atom, mas também pela nova controladora de discos com suporte a SATA II, veja nos gráficos abaixo as diferenças de performance entre os modelos da Synology de duas baias.


O ganho acontece não só em taxas de transferências, mas também em número de clientes simultâneos. Melhor que isso só o DS-1010+ com link agregation, capaz de agrupar duas conexões de redes em uma só, dobrando a banda.

Ainda vou pesquisar um pouco mais sobre o iSCSI, recurso que me parece extremamente interessante para algumas aplicações que tenho. Um dia desses volto a escrever sobre isso aqui no site.
Conclusão
O DS710+ é um NAS de gente grande. Ao contrário dos modelos da Western Digital, é possível fazer upgrades de disco sem dificuldades, restaurando ou instalando do zero um sistema operacional novo (algo quase impossível com o MyBookWorld, onde o sistema está pré-instalado no disco interno e o usuário não tem acesso a uma cópia) e a performance é praticamente 10 vezes melhor. Adaptar o DS710+ às suas necessidades é algo trivial, pode-se incluir ou excluir pacotes, ativar ou desativar serviços e há diversas formas de gerenciar os discos e suas partições compartilhadas. O fórum da Synology é uma ferramenta riquíssima para resolução de problemas e divulgação de novos recursos, vale a pena se inscrever.

Os aplicativos desenvolvidos pela Synology são fáceis de usar e bastante versáteis, permitem seu uso em PCs, Mac, iPhone e outros smartphones baseados em Android. Com apenas duas baias de disco, o DS-710+ fica limitado a no máximo 6TB com o atual firmware (considerando que no momento os maiores discos disponíveis são de 3TB), e considerando o preço atual dos HDDs de grande capacidade não é caro montar um conjunto com 2TB ou 4TB no total em RAID 0 ou discos independentes, lembrando que em RAID 1, mais seguro, a capacidade total corresponde a de apenas um dos discos.
Seu único problema é o preço. O DS-710+ sem nenhum disco custa lá fora mais de 550 dólares, quase 200 dólares a mais que o MyBookWorld de 4TB (com os discos inclusos) e tem preço sugerido no Brasil de 2.740 reais, mais de 1300 reais mais caro que o NAS da Western Digital por aqui. Será que vale a pena? Dependendo da necessidade sim, especialmente para escritórios, pois o ganho de performance é considerável, o gerenciamento de iSCSI facilita demais a vida do administrador da rede, e o recurso de gerenciamento de câmeras de vigilância por si só já vale o preço do DS-710+.
