A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entra em vigor a partir de agosto de 2020, mas as empresas brasileiras ainda não estão efetivamente “dentro” das regras.
Isto é o que aponta uma pesquisa realizada em março deste ano pela Serasa Experian. Foi levantado que 85% das companhias não estão preparadas para garantir os direitos e deveres sobre o tratamento e coleta de dados pessoais. Esta é a média nacional, apontando que a grande maioria não está em conformidade com a lei.
A pesquisa, em si, ouviu executivos (gerentes, diretores e C-level) de 508 pequenas, médias e grandes empresas, de 18 ramos da economia brasileira e em todas as regiões do país.
Em entrevista anterior ao IT Forum 365, Leonardo Militelli, fundador e diretor-executivo da empresa de segurança IBLISS, afirma que deve haver uma relação de respeito e transparência. “O principal ensinamento que isso [a LGPD] trouxe para as empresas é que elas precisam respeitar seus clientes”, disse ele na ocasião.
Na pesquisa da Serasa Experian, foi revelado ainda que 72% das companhias com mais de 100 funcionários pretendem terceirizar o processo de adequação; ou, neste caso, para auxiliar. Em empresas de 500 a 999 funcionários, este percentual sobe para 81%.
Imagem: Serasa Experian/Reprodução.
Tiago Brack Miranda, especialista em segurança da informação da Indyxa, afirma que “as empresas devem começar o quanto antes, revisando seus processos” para identificar “o que já está em conformidade com a lei, e o que ainda não está”.
Na visão do especialista, estas empresas precisam “ter tempo hábil para corrigir e evitar problemas futuros.” Para ele, isto deve garantir mais clareza sobre o controle de dados coletados “desde o momento em que eles entram na empresa, até o momento em que são apagados”.
Na pesquisa da Serasa Experian, foi indicado que 31,8% do setor financeiro está pronto para as exigências da lei. Este é um percentual duas vezes do que a média nacional, que é de 15,2%.
O setor de saúde e hospital ocupa a lanterninha, com apenas 8,7% das empresas em conformidade. Cerca de 34,8% das companhias ainda afirmaram que precisarão de mais seis meses a um ano para estarem totalmente prontas para a LGPD.
Foi indicado que, no setor de serviços, 19,6% das empresas estão em conformidade; no varejo, 17,9% das empresas estão adaptadas e dentro da lei.
Miranda explica que, estando em último lugar, o setor de saúde é “um dos mais visados por criminosos digitais”. Quem fará a fiscalização de uso indevido ou incidentes com dados é a Agência Nacional de Proteção de Dados. A LGPD prevê multas de até 2% do faturamento anual, com teto máximo de R$ 50 milhões por infração.
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