Softline fortalece compliance para se consolidar no Brasil

Prestes a completar dois anos da aquisição da Compusoftware, a companhia russa de serviços e soluções de TI Softline busca se consolidar no mercado brasileiro. Mais do que tecnologias, a empresa aposta em outro quesito para se diferenciar no competitivo mercado de integradoras: compliance.

Rodrigo Carril, diretor jurídico e de compliance: foco em governança

A companhia trata a governança como item essencial no processo de restruturação que vem passando desde o início deste ano. Um importante passo da estratégia foi dado em fevereiro, quando Rodrigo Carril foi contratado para assumir o cargo de diretor jurídico e de compliance América Latina, com a missão de fazer uma verdadeira revolução na companhia no quesito governança.

O foco principal era “importar” os processos e a cultura da multinacional russa ao País. “A empresa que compramos era nacional e a Softline veio com uma estrutura internacional, com outra lógica”, comenta Carril, em entrevista ao IT Forum 365.

Marcelo Boriero, diretor de vendas, conta que havia muita informalidade na forma de tocar os negócios, uma herança da empresa adquirida. “O desafio foi pegar essa empresa ‘abrasileirada’ e colocar dentro de uma multinacional com processos e estrutura”, lembra.

Do zero

Carril comenta que um dos principais passos foi refazer todos os contratos com parceiros. “Reestruturamos todo nosso programa de parcerias para garantir total cumprimento de regras de compliance internas e de fabricantes”, diz. A empresa conta com cerca de 20 parceiros.

A preocupação com governança se estendeu a clientes e todos os contratos foram revistados para garantir troca de informações. Mas as medidas foram além. “Paramos efetivamente deixar de fazer negócios com alguns clientes que não se encaixavam na nossa nova política. Precisamos de parceiros alinhados com nossa estrutura. Muitos não estavam minimamente maduros para se adaptar”, diz Carril.

Avaliação

Carril, que também é diretor do Instituto Compliance Brasil – instituição sem fins lucrativos orientada ao desenvolvimento do compliance na sua concepção mais ampla – explica que o “crivo” para análise de clientes, do ponto de vista de compliance, possui duas vertentes. A primeira delas se trata de empresas envolvidas em escândalos de corrupção e que trazem grandes riscos financeiros.

Marcelo Boriero, diretor de vendas: meta é crescer pelo menos 20% em 2017

Na outra ponta, existe uma particularidade do setor de tecnologia. “Eu vendo software. Mas o que meu cliente faz com os produtos? Até que ponto eu estou desenvolvendo um produto para que ele faça algo ilícito? Não tivemos nenhum caso como esse, mas é outra possibilidade.”

Metas

A Softline tem crescido 27% ao ano globalmente, meta que a operação brasileira vislumbra para o fechamento do ano fiscal 2018, que se encerra em abril.

A empresa classifica 2016 como ano de “conflito de cultura”, após a compra, e define 2017 como o ano da consolidação, sobretudo com a reestruturação.

Segundo Boriero, a empresa fechou o primeiro semestre do ano fiscal acima da meta e a expectativa é de superar os 20% de crescimento ao final do período. Com 110 funcionários e escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, a companhia prepara a expansão da sua estrutura na capital paulista e anunciará em breve 30 novas vagas.

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