Entrar no mercado de smartphones com uma nova plataforma pode parecer uma tarefa difícil, mas a empresa finlandesa Jolla acha que isso pode ser feito e vem demonstrando a interface de usuário de seu sistema operacional, o Sailfish.
A Jolla, que significa “bote” em finlandês, foi fundada no ano passado por um grupo de ex-funcionários da Nokia que queriam continuar o desenvolvimento do sistema operacional MeeGo. O recém-nomeado CEO da empresa, Marc Dillon, trabalhou na Nokia por quase 11 anos. O MeeGo foi abandonado pela Nokia depois que seu CEO Stephen Elop decidiu seguir com o Windows Phone em Fevereiro de 2011. No entanto, a companhia ainda lançou um smartphone Meego que já estava em desenvolvimento, o N9, ainda naquele ano.
A Jolla demonstrou a interface de usuário do Sailfish na quarta-feira (21), durante a conferência de startups Slush, em Helsinque, e em um vídeo postado no Youtube. Esta última demonstração mostra ícones grandes com os quais os usuários podem interagir diretamente na tela inicial, semelhante ao conceito de blocos dinâmicos do Windows Phone 8. Os usuários serão capazes de terminar uma chamada ou pausar uma música sem ter que entrar no respectivo aplicativo, de acordo com a companhia. A empresa ainda não anunciou quaisquer smartphones, mas os primeiros produtos devem chegar no próximo ano. A companhia também demonstrou o Sailfish rodando no N9. O sistema operacional também pode ser adaptado para rodar em tablets, TVs e sistemas automotivos, de acordo com a Jolla.
Na quarta-feira, a companhia também apresentou um preview do kit de desenvolvimento de software (SDK) do Sailfish. O kit é baseado no Qt Creator – uma plataforma de ambiente de desenvolvimento integrado do qual a Nokia também decidiu se livrar – e estará disponível para Windows, Linux e Mac OS X em breve. Para ampliar o número de aplicativos, os smartphones baseados no Sailfish também serão capazes de executar apps desenvolvidos para Android. A Jolla também anunciou um acordo com a ST-Ericsson, que fornecerá chips para os aparelhos, e outro com a operadora finlandesa DNA, que irá comercializar seus futuros produtos.
A competição no mercado de smartphones é ferrenha, e quebrar o domínio de Android e iOS não será fácil, como a Microsoft e a Nokia estão descobrindo. No entanto, a Jolla é uma pequena empresa com uma base de custos relativamente pequena, de modo que os volumes não precisam ser enormes para se tornar um negócio sustentável, de acordo com Geoff Blaber, analista da CCS Insight.
“Há a oportunidade entre os entusiastas: pessoas que estavam interessadas no MeeGo. Sempre será aquele o volume. A grande questão é como a Jolla pode ir além disso”, disse Blaber.
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