Categories: Notícias

Sistema operacional do Anonymous pode ter sido criado pela polícia

O surgimento de um sistema operacional (SO) baseado em Linux, atribuído ao grupo Anonymous,  e depois a negativa dos hacktivista  sobre a autoria da plataforma causou dúvidas na comunidade open source. Afinal: quem foi o responsável pela criação do programa?

“Se estivéssemos escrevendo um filme de cibercrime, eu poderia inventar que policiais – desesperados para identificar a identidade dos hacktivistas – fizeram uma ‘teia’ com um software, que prometendo esconder a identidade dos hacktivistas, secretamente, passasse informações de volta à polícia”, disse o consultor sênior de tecnologia da Sophos, Graham Cluley, em um post de blog. “Claro que não sugiro que foi isso o que aconteceu. Mas muitas coisas estranhas acontecerem (como um líder do LulzSec sendo descoberto como informante secreto do FBI desde o meio do ano passado)”, disse.

O arquivo, que era descrito como um software do Anonymous, tinha 1.5 GB e foi rapidamente baixado 26 mil vezes no ambiente de compartilhamento de arquivos open source SourceForge. De acordo com seu autor, que se apresentava como usuário anônimo, a plataforma “havia sido criada para propósito educacional, para verificar a segurança das páginas de web”. Ele também adicionava: “por favor, não use a ferramenta para distruir nenhuma página web”.

O sistema operacional foi criado dento da versão 11.10 do Ubuntu, sistema operacional open source baseado na distribuição Debian Linux. Contudo, ele também incluía uma série de ferramentas de ataque auto-orientado, incluindo o Anonymous High Orbit Ion Cannon – uma atualização da ferramenta de Low Orbit Ion Cannon distributed denial of service (DDS) do grupo Low Orbit Ion Cannon – assim como injeção SQL automatizada da ferramenta Havij e do analisador de protocolo de rede Wireshark.

Rik Ferguson,  rquiteto de soluções da Trend Micro, disse à BBC que depois de rodar o sistema operacional, descobriu que se tratava de uma plataforma funcional com uma série de ferramentas pré-instaladas que poderiam ser utilizadas para coisas como buscas por vulnerabilidades ou cracking de senhas. O executivo não conseguiu garantir, contudo, se o material incluía malwares com intenção de atacar o usuário.

Canais confiáveis do Anonymous, no entanto, avisaram as pessoas de que não havia qualquer ligação entre a plataforma e o grupo. “Não usem o sistema operacional do Anonymous, não sabemos nada sobre isso e não podemos atestá-lo”, escrevia um tuite.

Em um movimento incomum, administradores do SourceForge retiraram o arquivo do ar na última semana. “A SourceForge e a comunidade open source como um tudo valorize a transparência, particularmente quanto questões de segurança estão envolvidas. Este projeto não se mostra transparente com o que prega. Além disso, valendo-se de uma confusão premeditada com o nome, esse projeto tentou ganhar espaço na mídia com base em um movimento muito conhecido, de forma a elevar o número de downloads de um projeto que tem menos de uma semana”, continuou.

Em resposta, os criadores anônimos do software, por meio de um post no Pastebein, publicaram o que se trataria de um atestado de “saúde” dado pelo Rootkit Hunter (rkhunter) scan à plataforma, “para usuários ‘onde’ (sic) assustados com troias ou arquivos perigosos”.

O sistema operacional é um risco ou não? A questão ainda não possui respostas, mas o surgimento de uma versão Linux baseada em Anonymous parece uma estranha coincidência, especialmente no momento da recente previsão e sentença dos que se dizem líderes do Anonymous e LulzSec, incluindo Hector Xavier Monsegur (a.k.a. Sabu).

Saiba mais:

Anonymous nega sistema operacional e site tira plataforma do ar

Anonymous apresenta seu próprio sistema operacional baseado em Ubuntu

Anonymous: conheça os 10 principais fatos do grupo

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

13 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

16 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

19 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago