Sistema de inteligência artificial reconhece 1 em 1 bilhão de rostos em meio segundo

Imagine a cena: um homem anda pela avenida Paulista quando uma das câmeras públicas da região, ao captar em vídeo a imagem de seu rosto, a mostra a um sistema de Inteligência Artificial. Em milésimos de segundos a inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) reconhece o sujeito – é um foragido chefão do crime.

A AI, então, informa à polícia a localização do gangster e passa a segui-lo, em tempo real, usando câmeras de ruas, estradas ou parques disponibilizadas a seu sistema. Além de saber onde o bandido está, a AI dá ainda outras informações sobre ele – entre elas, seu estado emocional, ajudando os policiais a estabelecer uma estratégia para capturá-lo.

Ficção? Não é. Essa tecnologia não só existe como está prestes a ser lançada no Brasil e segurança pública é só uma das aplicações para sua capacidade de reconhecimento de rostos a partir de vídeos em stream. O mais incrível: a AI precisa de menos de meio segundo para identificar uma pessoa usando seu atual banco de imagens de 1 bilhão de faces. É considerada a mais rápida e eficaz do mundo em sua categoria. Essa performance permite ao sistema identificar instantaneamente a identidade de uma pessoa em um vídeo em stream, seguir as rotas nas quais ela se movimenta e determinar sua localização exata.

Criado por uma nova empresa russa de tecnologias de reconhecimento facial chamada NtechLab, o sistema já é usado para analisar fluxos de vídeo em tempo real de 6 mil câmeras públicas de Moscou, em uma aplicação piloto do Departamento de Tecnologias da Informação da capital da Rússia.

Nessa mesma direção, a AI facial desenvolvida pelo cientista da computação Artem Kukharenko, fundador da NtechLab, está sendo implantada em Elmet, cidade de médio porte na região do Tártaro, na Federação Russa. Com 170 mil habitantes, Elmet sofre de alguns dos males que afligem a maioria das cidades contemporâneas – a necessidade de atenção contínua das autoridades à segurança pública e o cuidado para que o desenvolvimento urbano não se torne caótico, sem oferta de serviços públicos onde necessário ou em excesso em locais já privilegiados.

Para fazer frente a esses problemas comuns a municípios de países ascendentes, não só da Rússia como também do Brasil, Elmet foi escolhida como uma das cidades-piloto para a implantação de tecnologias destinadas a torná-la uma das pioneiras smart cities da região. Uma das bases sobre a qual se assentará essa implantação será o sistema da NtechLab.

Ayrat Khayrullin, responsável governamental pelo projeto em Elmet, observa que “o piloto mostra que a biometria facial garante um nível totalmente novo de segurança para os cidadãos”. O conceito smart city baseado em análise inteligente de vídeo vem se tornando fundamental na segurança das maiores cidades do mundo, concorda Mikhail Ivanov, CEO da NtechLab. “Mas o reconhecimento facial é importante não só para questões de segurança policial como também para a formação de Big Data para controle mais eficiente da capacidade de uso e de desenvolvimento de rodovias, tráfego de pedestres e oferta de serviços públicos”.

Com quatro anos de mercado, a NtechLab tem em sua tecnologia de reconhecimento facial uma vantagem que vale em especial para países como o Brasil – o custo baixo de implantação e uso. Com isso, ela pode ser usada até em supermercados, shopping centers, condomínios ou estádios. “É questão de adaptação do sistema”, conta o engenheiro João Rotta, especialista brasileiro no uso dessa nova tecnologia. “O algoritmo da Inteligência Artificial de reconhecimento de rostos é como uma massa de modelar que pode ser adaptada a diferentes necessidades, se adaptando a elas e aprendendo a lidar com as situações que se colocam”, explica ele.

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