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Sem verba, Inpe pode desligar supercomputador utilizado para monitoramento meteorológico

Supercomputador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Tupã poderá ser desligado até agosto deste ano como forma de economizar energia frente à falta de verba enfrentada pela instituição. 

Segundo o Jornal da USP, o Inpe recebeu R$ 44,7 milhões junto ao Ministério da Ciência e Tecnologia neste ano, frente a um total previsto de R$ 76 milhões. Se confirmado, o desligamento aconteceria pela primeira vez na história.

Professor do Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente da USP, Pedro Luiz Côrtes afirmou à publicação que o desligamento do Tupã pode acarretar um risco estratégico para os governos estaduais, municipais e para o governo feceral.

Sem o Tupã, modelagens fornecidas pelo Inpe sobre possíveis eventos meteorológicos e climáticos estarão indisponíveis, prejudicando o planejamento estratégico de governos. “Ficaremos com um ‘buraco’ nessas informações e isso, obviamente, vai deixar o governo desguarnecido a respeito do que vai acontecer, de quais são as possibilidades para o próximo semestre”, avaliou.

Ainda segundo o professor, o desligamento também tem o potencial de trazer impactos imediatos, incluindo para o funcionamento do operador nacional do sistema elétrico — que coordena o funcionamento das usinas hidrelétricas, termelétricas e das plantas eólicas — e à atuação da Agência Nacional de Energia Elétrica na distribuição da energia pelo Brasil.

“Isso tem um impacto muito grande na inflação: o IPCA já vem crescendo também em função do aumento das tarifas elétricas. O planejamento do governo em relação à agricultura e à avaliação da qualidade das safras em função dessas questões hídricas poderia afetar, por exemplo, a balança de pagamentos e as exportações”, pontuou.

Por fim, também haveria implicação na saúde pública, segundo o professor, já que o aumento de temperatura em locais onde chove muito pode contribuir para o crescimento de doenças como dengue, zika e chikungunya. Sem os dados processados, políticas de prevenção amparadas em dados do monitoramento seriam prejudicadas.

(Com informações do Jornal da USP)

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