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SAP torce por profissionalização do futebol brasileiro para ofertar suas tecnologias

O duo ‘esporte e entretenimento’ virou uma indústria importante nos planos da SAP em um passado recente. Faz alguns meses que a companhia vem apostando nesse segmento como vetor de negócios. Nesse meio tempo, trabalhou em customização e preparação das ferramentas a fim de torná-las aderentes a demandas de tal indústria, que passa por uma onda de profissionalização da gestão.

Falando especificamente sobre a questão de esporte, há um brilho a mais em toda essa história. Trata-se de algo muito próximo de coisas que podem ser elencadas como paixão por algumas pessoas. Os sistemas da alemã já rodam em muitas modalidades. Tênis, basquete, Fórmula 1, hockey, baseball, vela, futebol americano e também no ‘soccer’, o nosso futebol ? o que chega ainda mais perto do interesse brasileiro.

A aplicação de tecnologia no esporte pode transformar e trazer benefícios à modalidade de diversas maneiras, seja na organização das finanças do clube, seja na preparação de atletas, seja na gestão de patrimônio, seja na maneira como o time se relaciona com seus torcedores. E, com o perdão do trocadilho, os provedores de TI tem uma avenida para irem ao ataque, ainda mais no Brasil, onde o esporte move bilhões de reais que contrasta com níveis ridículos da capacidade de gestão da grande maioria dos clubes.

As ferramentas da companhia são utilizadas em cinco times (em sua maioria alemães) de futebol. Um desses é o atual campeão mundial de clubes, Bayern de Munique. Contudo, o caso mais emblemático da aplicação de soluções SAP é o Hoffenheim, que virou uma espécie de laboratório e vitrine aos produtos da marca destinados à vertical.

O time mantém uma relação bastante próxima com a provedora ? que estampa seu logo no uniforme dos jogadores. No início da década de 2000, o clube começou um processo de profissionalização de sua gestão. Um dos primeiros passos nessa direção foi adoção de um ERP.

O sistema de gestão funcionou como um alicerce que, com o tempo, suportou aplicações cada vez mais avançadas. Atualmente, há integrações pesadas de mais de dez tecnologias para gerar uma solução bastante impressionante que vai de análise de rendimento do jogador, a rotina de back office do clube, gestão de arenas, bilhetagem de ingressos para partidas e chega nos dispositivos móveis dos torcedores.

São tecnologias que conseguem prover uma gama de informações e capacidades de gestões das mais variadas, tanto dentro quanto fora do campo. Há conexões robustas de uma gama de tecnologias, como RFID, softwares de modelagem 2D e 3D, torres de comunicação e o próprio Google Glass, por exemplo.

A maior parte da tecnologia de campo vem sendo utilizada apenas em treinamentos, permitindo mapear o comportamento dos atletas, coletando informações detalhadas de jogadores e ajudando a identificar padrões que acarretam na evolução do time. Esse tipo de soluções mais sofisticadas ainda não são autorizadas pela FIFA para que sejam utilizadas em jogos oficiais. Mas a SAP acredita que isso deve mudar, em breve.

Como falamos anteriormente, o Brasil seria um campo fértil para aplicações em uma das paixões nacionais. mas, será que os clubes brasileiros se interessariam em dar transparência a seus processos? Não há resposta clara a essa pergunta por enquanto.

Replicar tais experiências no Brasil exigirá, antes de tudo, uma mudança de cultura. A parte boa é que a SAP está disposta a promover essa transformação e a própria provedora lembra que o movimento de adoção da tecnologia na Alemanha mesmo começou por uma questão de compliance.

A fabricante vem puxando iniciativas para atrair atenção à aplicação de suas soluções nessa indústria. Alguns parceiros, cerca de cinco, segundo executivos da companhia, já mostraram interesse em ofertar tais produtos no País. De acordo com a provedora, inclusive, alguns contratos já estão sobre a mesa.

O primeiro gol pode ser creditado aos cartolas da Sociedade Esportiva Palmeiras, primeiro clube a adotar o BusinessOne, em anúncio feito no ano passado. A iniciativa do paulista residia em um ponto central: profissionalizar sua gestão em meio a uma bagunça financeira e temporada disputando a segunda divisão do campeonato brasileiro.

O software que comprou é, originalmente, similar ao do Hoffenheim. A ferramenta deve evoluir com o tempo. Mas, o ponto mais intrigante foi a publicidade despertada pelo fato, em si, e como ela despertou interesse de outros times.

Como já foi dito, algumas revendas nacionais tentam se gabaritar para a oferta da tecnologia ao futebol uma vez que, com exceção da soluções de ingresso, que está sendo localizada no laboratório de São Leopoldo (RS), todas as ferramentas já estão preparadas para implementação no mercado local.

Atualmente, o único canal que trabalha com soluções da marca para times no País é a chilena Exxis, grupo que faturou US$ 16 milhões em 2013 e que abriu um escritório em solo nacional há dois anos. Leandro Cacciatore, country manager da companhia no Brasil, conta que a empresa mapeou diversos clubes e associações no mercado nacional para o qual poderia ofertar o software. Especificamente em futebol, há pelo menos seis times no forecast.

O negócio com o Palmeiras ? dividido em quatro fases, cuja a última fase contempla a adoção da plataforma Hana ? serviu para dar visibilidade ao canal e impulsionar iniciativas. Esporte e entretenimento é apenas uma das indústrias que o canal de BusinessOne ataca. As oportunidades da companhia para o País, de maneira geral, são animadoras.

A Exxis atualmente possui dos escritórios locais, no Rio de Janeiro e em São Paulo. O plano é abrir mais cinco até o final de 2015. A estratégia contempla bases em Porto Alegre (RS), Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Manaus (AM) e em um estado do Nordeste, ainda a definir.

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