Notícias

São José dos Campos é piloto para certificação de cidades inteligentes

São José dos Campos, cidade localizada no interior de São Paulo, será a primeira a receber a certificação nacional para cidades inteligentes. Trata-se de uma iniciativa conduzida pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em parceria com o Parque Tecnológico São José dos Campos e a prefeitura da cidade.

A Certificação Nacional para Cidades Inteligentes, Resilientes e Sustentáveis propõe indicadores de serviços urbanos, qualidade de vida, cidades inteligentes e cidades resilientes. A partir do processo de certificação, os gestores públicos têm acesso a dados padronizados e auditados por organismo independente, que serão utilizados para orientar decisões de gestão, planejamento e investimento.

Leia mais: 5G: o que é essa revolução que vai mudar indústria e rotina das pessoas

A ABNT participou ativamente da elaboração e disseminação das normas NBR ISO 37.120, 37.122 e 37.123, utilizadas para caracterizar cidades e comunidades sustentáveis segundo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. De acordo com Mário William Esper, presidente da ABNT, o projeto piloto desenvolvido em São José dos Campos será conduzido de forma totalmente independente de qualquer setor público ou privado.

Padronização e implementação

Não existe um rótulo ou uma padronização do que é uma cidade inteligente. Porém, é certo que seu conceito estende os benefícios da tecnologia à proteção do meio ambiente, tratamento de água e esgoto, promoção da segurança e outras áreas do desenvolvimento urbano.

Para ajudar os gestores públicos a tomarem decisões acertadas e melhorar a qualidade de vida da população, a ABNT, por meio da Comissão de Estudo Especial de Cidades e Comunidades Sustentáveis, tem sido atuante nas discussões e na tradução de normas internacionais ISO voltadas ao desenvolvimento de cidades. O intuito da associação é acelerar a implementação das normas no país.

Como evidencia o presidente da ABNT, cada cidade deve criar sua estratégia e seu próprio caminho a partir das boas práticas recomendadas nas normas técnicas. “O que as normas querem trazer é que existe uma estratégia específica para cada cidade, para que a cidades se tornem mais inteligentes, mais sustentáveis, resilientes, inclusivas, ambientalmente amigáveis, mais centradas no cidadão e voltadas à qualidade de vida”.

Como mencionado acima, três normas traduzidas pela associação guiam o processo de certificação: ABNT NBR 37122 – Cidades e Comunidades Sustentáveis – Indicadores para Cidades Inteligentes (estabelece estrutura de 79 indicadores que avaliam o desempenho de uma cidade); ABNT NBR ISO 37120 – Cidades e comunidades sustentáveis – Indicadores para serviços urbanos e qualidade de vida (trata-se da norma inicial, com indicadores e metodologias detalhadas); ABNT NBR ISO 37123 – Cidades e comunidades sustentáveis – Indicadores para cidades resilientes (norma complementar, que aborda indicadores para resiliência das cidades).

Criada em 2015, a comissão é inspirada no Comitê ISO/TC 268 – Sustainable cities and communities, que busca desenvolver normas práticas para impulsionar as transformações e digitalizações das cidades em direção à sustentabilidade, inteligência e resiliência. As normas da comissão estão alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, com as diretrizes da IEC (Internacional Electrotechical Commission), com a ITU (Internacional Telecommunication Union) e com a UNDRR (United Nations Office for Disaster Risk Reduction).

Segundo o Prof. Dr. Alex Abiko, coordenador da comissão, essas diretrizes estabelecem um “cenário futuro para o desenvolvimento das cidades”, de modo que esse trabalho insere o Brasil em um esforço internacional de melhoria das nossas cidades.

Os indicadores para cidades inteligentes são divididos em 19 temas: economia, finanças, governança, educação, habitação, esporte e cultura, recreação, saúde, população e condições sociais, esgoto, água, resíduos, segurança, telecomunicação, agricultura loca/urbana, meio ambiente, planejamento urbano, transporte e energia.

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

12 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

15 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

17 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

1 dia ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago