Samsung Nexus S I: um telefone realmente esperto

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8:10 pm - 17 de julho de 2011

O telefone

O que mais chama atenção quando se vê um Nexus S pela primeira vez é seu formato não convencional e suas elegantes linhas curvas, com a grande lente de sua câmara traseira de 5 MPx se destacando ao lado do LED do flash, acima das marcas Samsung e Google estampadas em uma brilhante superfície negra como se vê na Figura 1 da primeira seção.

A sua face frontal, também curva, é tomada quase inteiramente pela tela de quatro polegadas. Acima dela se percebe, no centro, o risco do pequeno alto-falante e, do lado direito, a pequena lente da câmara frontal (á esquerda dele, sob luz forte e prestando muita atenção, dá para perceber através do plástico semitransparente os sensores de luz e de proximidade). Em baixo, quando ligado, aparecem iluminados os quatro ícones usados pelo sistema operacional (voltaremos a tudo isto adiante).

De perfil, o Nexus S é muito esbelto, como se pode perceber na Figura 5. Nas laterais, à esquerda, o ajuste de volume, à direita o botão liga/desliga e mais nada. Os controles da câmara (botão de disparo, ajuste de luminosidade, foco manual, alternância entre câmaras frontal e traseira ou foto e vídeo, armazenamento e outros) são todos virtuais, na própria tela da câmara, o que é muito bom. Na parte de baixo, apenas o conector mini USB que serve não apenas para transferência de dados para um computador (voltaremos ao assunto adiante) como também para recarregar a bateria. E, ao lado dele, o conector do fone de ouvido que os concorrentes costumam trazer na parte superior.

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Estes fones produzem um som alto e claro seja durante as ligações telefônicas, seja quando se reproduz um arquivo de vídeo ou áudio. Como alto e claro (embora, evidentemente, não com a mesma qualidade) também é o som emitido pelo alto-falante externo quando usado nas ligações em viva voz e reproduções de vídeo ou áudio.

Mas convém não esquecer que o Nexus S é antes e mais nada um telefone, ou melhor, um dispositivo de comunicação. E no que toca à sua capacidade de se comunicar, não há o que se criticar.

Para simples transmissão digital de voz e dados em baixa taxa (2G), o Nexus S usa o protocolo EDGE (Enhanced Data rate for GSM Evolution), uma evolução do protocolo GSM (Global System for Mobile communications), o mais usado mundialmente para telefonia celular, no qual opera em quatro frequências (o que o faz merecer a classificação de “quad-band“): 850, 900, 1800 e 1900 MHz.

Já para transferência de dados em alta taxa (“banda larga”) é usado o protocolo de terceira geração (3G) HSPA (High Speed Packet Access), que suporta taxas máximas de 7,2 Mb/s (Megabits por segundo) para os dados de entrada (“download” ou HSDPA) e de 5,76 Mb/s para a saída de dados (“upload” ou HSUPA). O Samsung Nexus S suporta HSPA em três frequências (portanto, é “tri- band“): 900, 1700 e 2100 MHz. A maioria das operadoras brasileiras adota a frequência de 2100 MHz, porém a TIM em alguns estados ? como Bahia, Ceará, Minas e Pernambuco, entre outros ? usa 850 MHz, não suportada pelo Nexus S. O resultado disto é que nestes estados, se a provedora do usuário for a TIM, o aparelho não funcionará em 3G.

Meu Nexus S foi adquirido (desbloqueado, naturalmente) no exterior. Chegando ao Rio de Janeiro bastou inserir o cartão SIM de minha operadora na posição correta em seu slot que o aparelho imediatamente pôs-se a operar com todas as suas funcionalidades 3G habilitadas, sem a necessidade de qualquer configuração adicional. Isto porque, no Rio, todas as operadoras utilizam a frequência de 2100 MHz para 3G e esta é uma das três suportadas pelo Nexus S. Mas se você pretende adquirir um deles para usá-lo em outro estado e tem dúvidas sobre a frequência de sua operadora, verifique qual é ela na página 3G no Brasil do sítio “Mosquito Eletrônico” e veja se coincide com uma das oferecidas em HSPA pelo aparelho.

Mas não é apenas via conexão EDGE ou HSPA que o Nexus S se comunica. Ele também oferece um soberbo suporte a conexões sem fio WiFi nos padrões 802.11 versões “b”, “g” e “n”. Tanto assim que, logo após adquirir o aparelho, ainda no exterior e sem o cartão SIM de qualquer operadora inserido, fiz diversas chamadas para o Brasil usando a conexão WiFi e o ótimo programa Skype, que permite efetuar chamadas para telefones fixos de qualquer parte do mundo via WiFi e cuja versão para Android é excelente.

Mas o Nexus S não é egoísta. Ele compartilha graciosamente (nas duas principais acepções do termo: “gratuito” e “com elegância”) sua conexão Internet com outros dispositivos.

Para compartilhá-la com um dispositivo que rode Windows 7 ou Android basta conectá-lo ao telefone com o cabo USB e, na tela de configuração do Nexus S, ativar o “Vínculo USB”. Diferentemente de outros aparelhos ? inclusive alguns que usam Android como o Motorola Milestone ? não é preciso instalar qualquer programa auxiliar seja no Nexus S, seja no computador que receberá os dados: ativado o compartilhamento, a conexão é imediata e, dependendo do sinal, surpreendentemente rápida. Veja, na Figura 6, o Nexus S mostrando sua tela de configuração do Vínculo USB e conectado com um cabo USB a um micro portátil que, por sua vez, mostra a janela solicitando a configuração de compartilhamento de arquivos na rede recém descoberta. E tenha em mente que para conseguir este efeito bastou conectar o cabo a ambos os dispositivos e habilitar o vínculo USB no Nexus S sem apelar para qualquer programa de terceiros.

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Porém, neste campo, o Nexus S vai muito além. Pois, sem a necessidade de se agregar qualquer acessório, ele é capaz de funcionar como ponto de acesso (“hotspot“) WiFi, distribuindo o sinal para até cinco dispositivos, permitindo assim criar uma rede local através da qual pode compartilhar via WiFi o acesso à Internet recebido pela conexão 3G. E a configuração também não exige mais que a mera configuração do aparelho. O primeiro passo é ativar a função e informar ao telefone o nome que ele deve atribuir à rede. O segundo, opcional, é habilitar a segurança (padrão WPA2 PSK) e introduzir uma senha de oito caracteres que os demais dispositivos terão que fornecer para se conectar. Isto feito, o telefone passa imediatamente a transmitir em WiFi e basta configurar os receptores para se conectar à rede. Veja, na Figura 7, a tela de configuração do Nexus S como ponto de acesso WiFi e note que o vínculo USB permanece habilitado. Aquele pequeno ícone azul que aparece na barra de informações no alto da tela indica, justamente, que a função de ponto de acesso WiFi está ativa e operando.

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Acreditem ou não, tudo isto é muito simples, não exige qualquer conhecimento especializado e portanto pode ser feito por qualquer leigo, funciona perfeitamente e a qualidade da conexão depende muito mais da operadora que do Nexus S. Eu testei ambas as conexões, tanto a cabo USB (que tenho usado diariamente há duas semanas e somente não é satisfatória porque a qualidade do sinal da Vivo tem sofrido inexplicáveis e injustificáveis oscilações ultimamente) e a sem fio via ponto de acesso WiFi, mostrada na Figura 8 onde se vê o Nexus S com a tela de configuração e o micro portátil mostrando a tela de meu antivírus solicitando o tipo de proteção a ser usado na rede recém-identificada (note que os dispositivos não estão fisicamente interconectados; o cabo que sai do Nexus S está ligado ao carregador da bateria, não ao micro). Em ambos os casos o Nexus S se comportou bravamente.

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Além disso, caso não se deseje compartilhar o sinal da Internet, pode-se usar o conector micro USB 2.0 para ligar o Nexus S a um computador e efetuar a transferência de dados entre ambos, como veremos adiante.

Finalmente e como seria de esperar, o Nexus S suporta conexão sem fio padrão Bluetooth versão 2.1 com tecnologia EDR (Enhanced Data Rate; ver detalhes aqui). Ideal para quem deseja utilizar o telefone a maior parte do tempo com fones de ouvido e não quer se preocupar com fios.

Além de tudo isto o Nexus S troca mensagens instantâneas (os populares “torpedos”) usando quase todo o tipo de protocolo disponível, inclusive o serviço de mensagens do próprio Google. E se integra transparentemente à conta Google do usuário. Na verdade esta integração é indispensável para que o aparelho cumpra todas as suas funções. Por isto, ao ser ligado pela primeira vez, solicita identificação de usuário e senha da conta no GMail que, caso não exista, pode (mais que isto: deve) ser criada na ocasião. Esta conta passa a ser a “principal” (o Nexus S permite configurar contas adicionais de correio eletrônico de outros provedores, mas exige uma do GMail que deve ser a principal) e funciona daí em diante como fulcro de todo o tipo de comunicação do dispositivo que, se configurado de acordo, recebe as mensagens em tempo real (função “push e-mail“) e mantém sincronizadas as contas, incluindo mensagens, agenda, contatos e tudo o mais.

Porém o mais impressionante é a facilidade com que se faz uma conexão tipo “videoconferência” usando a câmara auxiliar do Samsung S e um programa de terceiros, como o gratuito Tango (disponível tanto para Android quanto para iPhone aqui). Veja, na Figura 9, a imagem que capturei enquanto mantinha uma conversa com nosso amigo e colunista do FPCs Carlos Alberto Teixeira. Na imagem maior, transmitida via 3G, aparecem C@T e seu filho (que, como se percebe, teve a bem-aventurança de sair à mãe) e, na menor embaixo e à esquerda, capturada com a câmara frontal do Nexus S, minha própria imagem fotografando a tela. Para gente mais bonita que C@T e eu, este tipo de conexão é uma maravilha…

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Pois estas são as funcionalidades ligadas à comunicação oferecidas pelo Nexus S, que afinal é um telefone.

Mas ele não é só isto. É também um computador, e um computador e tanto.

Cujas funcionalidades serão discutidas na próxima coluna.

Até lá

B. Piropo

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