Roubo de identidade e fraude bancária assombram consumidores

O digital galopante no planeta mudou hábitos e modelos de trabalho e trouxe a irrefreável sedução da conveniência ao consumidor hiperconectado. Mas tudo tem seu preço: a inevitável preocupação com a segurança, diante de tantas brechas abertas nos tradicionais escudos de proteção. Qual a percepção dos usuários de produtos e serviços sobre estarem ou não seguros nesse novo cenário?

É o que foi apurar a Unisys com seu estudo Unisys Security Index 2018, que acontece há 11 anos globalmente, hoje em sua 13ª edição, que passou a incluir o Brasil em 2013.  O diferencial desse estudo é que ele aborda consumidores em geral, de variadas profissões e faixas etárias e não como acontecem com os convencionais, com profissionais de segurança da informação.

“Dessa forma, temos uma visão mais abrangente, que traz insights diferenciados sobre a percepção do mercado, relacionada à segurança dos seus dados, pessoal, nacional, internet e financeira. Afinal, as ameaças cibernéticas estão cada vez mais presentes”, diz Eduardo Almeida, presidente da Unisys para a América Latina (foto).

De acordo com o executivo, um dos maiores objetivos do estudo é justo proporcionar às empresas a possibilidade de se adiantarem na construção de suas estratégias para se protegerem agora para um futuro próximo. “É preciso se antecipar de forma assertiva, com base nessas percepções”, garante.

Nesse levantamento, o consumidor brasileiro é o sexto mais preocupado entre os 13 países mais preocupados com a segurança. Totalizamos nada menos do que 97% receosos com o uso indevido de redes sociais para fins criminosos.  As preocupações prosseguem em transações online (64%) e segurança nacional (51%).

Na América Latina, que inclui Brasil, roubo de identidade e fraude bancária lideram o tipo da lista de preocupações, registrando 76% e 75% respectivamente.

Cenário

De acordo com a Unisys, o Índice de Segurança é calculado com base nas preocupações das pessoas sobre segurança, em uma escala de um (1) a (4) quatro, em que 1 significa não estar preocupado (zero pontos) e 4 extremamente preocupado (300 pontos). Como estamos aqui no Brasil? O estudo identificou 185 pontos, considerado nível alto – apresentando um recuo de apenas 4 pontos em relação a 2017.

É uma boa notícia na avaliação de Leonardo Carissimi, diretor de Soluções de Segurança da Informação da Unisys para América Latina. “Considerando que, no mesmo período, os índices da Colômbia e da Argentina aumentaram 47 pontos e 23 pontos, respectivamente. Apesar de estarmos um pouco acima do índice global que se mantém em 173 pontos”, diz.

Ele recomenda que as corporações devem fazer a leitura disso com base em inteligência de mercado para construir estratégias. “A segurança vai ser cada vez mais um fator de sobrevivência do negócio.”

E a Lei Geral de Proteção de Dados?

Os brasileiros estão bastante preocupados com a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), de acordo com o estudo. Perto de 60% dos respondentes não estão confiando nos avanços que poderão ser proporcionados para proteger os dados mantidos pelas organizações.  Somente 9% estão otimistas.

Sancionada em agosto de 2018, a LGPD obriga as organizações públicas e privadas a cumprirem com padrões de segurança para impedir o roubo, vazamento e venda não autorizada de dados pessoais.  E, ao que parece, não serviu como um calmante para corações e mentes do mercado, considerando que ainda é recente e desconhecimento de muitas empresas, e de outras que ainda estão se preparando para a LGPD entrando no novo desenho.

O levantamento revelou que 63% das pessoas não confiam na segurança dos dados pessoais compartilhados com as organizações, mantidos em nuvem dentro ou fora do País.

Mas em relação à startups, seis entre dez confiam que elas tomam medidas necessárias para a proteção dos dados.  Curioso? Mais de 60% dos respondentes acreditam que estão seguros quando realizam suas transações bancárias online por meio de seus smartphones. Estudos da Febraban divulgados no mercado identificam que esse nível de confiança está pautado na evolução das tecnologias e no baixo índice de incidentes envolvendo essas operações.

Discurso mais business do que técnico

Com a identificação das percepções dos consumidores com uma visão 360º, o estudo proporciona a avaliação do grau de maturidade das pessoas em relação à segurança de maneira abrangente. “E quanto mais próxima a segurança estiver das estratégicas de negócio, sendo construída desde a fase da criação de produtos e serviços, certamente as estratégias serão mais assertivas.”

Outro ganho importante da aproximação da segurança com os negócios é que o discurso dos profissionais de segurança da informação junto ao board torna-se mais claro e efetivo, indo muito além da apresentação do arsenal tecnológico, em que os custos roubam a cena e, muitas vezes invalidam projetos. “Precisamos falar mais a linguagem dos negócios. É também a transformação da área de segurança da informação e dos seus profissionais”

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