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Respeitável Público: A Internet Móvel

O que você espera de um telefone celular? Se esta pergunta fosse feita para os usuários do Brasil, tenho certeza de que a resposta hoje seria quase unânime: Falar! Infelizmente, na era do SMS (short message system),WAP (wireless application protocol), banda larga (ou broadband em inglês), GPS (global position system) e outras tantas novidades que nos descarregam todos os dias, conseguir falar no seu aparelho celular ainda é um desafio para muitos. No entanto, simplesmente falar no celular pode ser muito importante para você, mas não o suficiente para quem oferece os serviços… Qualquer produto do mercado existe para atender a uma demanda. Se a demanda existe, as empresas se lançam para oferecer um produto que satisfaça aos anseios (imaginem quanto não valeria um remédio que curasse a AIDS). Mas estamos descobrindo uma demanda diferente. Não aquela gerada pelos potenciais clientes, mas sim pelas próprias empresas fornecedoras, que precisam apresentar sempre uma novidade ao mercado para que se mantenham vivas.

Assim vem nascendo a Internet móvel. Surge não por qualquer tipo de pressão dos usuários, mas por uma necessidade das diversas prestadoras de serviços (operadoras de telecomunicações, provedores de Internet e fornecedores de tecnologias). Para fugir de um cenário de guerra total de preços (no qual restariam vários derrotados e poucos vitoriosos), que naturalmente se forma com a competição que foi inaugurada a partir da privatização das teles e do ritmo acelerado da resregulamentação do setor.

As operadoras de telecomunicações dependem cada vez mais da capacidade de oferecer produtos de valor diferenciado (aqueles pelos quais os usuários estejam dispostos a pagar um pouco mais). Para os provedores de Internet, o acesso móvel à Web representa a oportunidade de reinventar a própria Internet, já que todas as páginas precisam ser reconstruídas para compatibilizar o conteúdo com as limitações dos dispositivos móveis (trazendo um mundo de oportunidades de novos negócios e a possibilidade de entrar primeiro na onda do business-to-consumer). Por fim, os fornecedores de tecnologias que, apesar do enorme desafio em transformar um aparelho telefônico em um microcomputador, também necessitam de posicionamento de vanguarda e diferenciação.

É sobre estes pilares que está montado o circo no qual a Internet móvel irá se apresentar. A promessa é de um show, mas o público que começa a comparecer ainda não tem a vaga idéia do que irá assistir.

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