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Quem vai pagar a conta da IoT no Brasil?

A onda da internet das coisas (IoT, na sigla em inglês) está chegando e se aproxima cada vez mais. Alguns projetos no exterior começam a ganhar forma, mas e quanto ao Brasil? Nosso País tem infraestrutura de rede para suportar a demanda que a IoT trará?

Desde mudanças nas regulamentações a modelos de negócios, o fato é que o Brasil ainda tem um caminho a percorrer para suportar a demanda dos dispositivos conectados pela IoT. Esta conclusão foi unânime entre executivos de operadoras e empresas fornecedoras de tecnologias e telecomunicações, que participaram de debate durante a Futurecom 2016, realizada nesta semana em São Paulo.

Tarcisio Ribeiro, EVP global de vendas e serviços da Coriant, foi categórico. “A IoT é a oportunidade de revolucionar o Brasil.” Ribeiro destacou a previsão de 50 bilhões de dispositivos conectados com a internet das coisas até 2020, desde aplicações para casas a usinas hidrelétricas automatizadas e carros autônomos. Mas o caminho não é fácil.

“Atualmente, as redes não têm capacidades e as operadoras vão precisar se capacitar. Operadoras precisam se preparar para a introdução da IoT de maneira massiva. O problema é que as teles não monetizam isso e não devem fazer”, afirmou. Segundo ele, ainda, a operadora precisa mudar a mentalidade e os governos alterar regulamentações para facilitar também, como reduzir as cargas tributárias. “A IoT vai ser uma revolução maior que a Revolução Industrial e maior do que a introdução da internet. Operadoras e usuários precisam se preparar”, declarou.

Roberto Murakami, líder de negócios com operadoras da NEC, destacou que, em termos tecnológicos, o Brasil já possui redes construídas e que a IoT é algo concreto, considerando todas as implementações disponíveis. “Olhando para frente, com megaconexões, a pergunta que fica é: quem vai pagar a conta? Os custos têm que ser baixíssimos e as operadoras vão pressionar os fornecedores para diminuir os custos das implementações”, observou. As operadoras vão criar redes, prosseguiu, mas o serviço será prestado para um terceiro, um quarto. “Como monetizar isso para operadoras? Isso vai passar por transformação das operadoras mas ainda está embrionário”.

Do ponto de vista das operadoras, André Luis Ituassu, diretor de investimentos da Oi, também destacou que a grande questão acaba caindo nos custos, mas também na necessidade da infraestrutura de internet fixa. “Quando falamos de IoT, não podemos esquecer da rede fixa. Cerca de dois terços da IoT será conectada na rede fixa. A questão é quanto isso vai custar e quem vai pagar pelo serviço. A IoT traz vários serviços diferentes e que demandam rede. Carros autônomos, por exemplo, hoje são inviáveis pela cobertura que temos. A grande questão é como as operadoras vão se transformar internamente.”

Ituassu destaca que a Oi, assim como outras operadoras, está em processo de evolução para o digital, transformando sistemas e processos, o que seria o primeiro passo em direção à IoT. Mas a pergunta é quem vai arcar com a transformação e a rede que vai transmitir todos esses dados? A solução para alguns casos pode ser o poder público, em projetos de soluções para cidades inteligentes, por exemplo.

Murakami citou projeto no Japão, no qual sensores para detectar tsunamis foram implementados, por uma questão de necessidade de segurança das pessoas. “Quem bancou isso foi o governo. Aqui no Brasil, não temos tsunami, mas outros tipos de catástrofes, como deslizamentos de terra, e uma série de outros problemas cotidianos que poderiam ter um dispositivo como esse por meio de IoT. O governo teria que entrar e participar desse modelo de negocio”, disse.

Nesse sentido, Richard Ullenius, vice-presidente de serviços da Csg, defende que a solução é um trabalho em equipe que envolva operadoras, empresas e governo. “Nós, como empresas, precisamos criar modelos de negócios que sejam bons para operadoras também. É um trabalho em conjunto.”

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