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Quatro reflexos tecnológicos da pandemia de 2020 em 2021

Mesmo na eminência de novos pedidos de isolamento social, temos otimismo no horizonte em função da vacinação efetiva da população. Mesmo assim, cabe uma reflexão sobre como a pandemia afetou e continuará afetando as nossas vidas.

O ano de 2020 ficará marcado por ser aquele que, de fato, catalisou o processo de Transformação Digital, tanto na esfera pública, quanto privada. Para melhor explicar, separei alguns pontos que vejo como cruciais para realizar algumas constatações e identificar tendências para 2021:

Varejo, serviços bancários e logística

A pandemia global serviu para forçar muitas pessoas a mudar seus hábitos – e começar a fazer seus serviços bancários e até pedir comida e demais itens domésticos online. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm) registrou mais de 150 mil novas lojas online no segundo e terceiro trimestres de 2020.

Leia mais: Estudo: número de edtechs cresce 26% no Brasil em 2020

De acordo com dados da ABComm, entre abril e setembro do ano passado, 11,5 milhões de pessoas fizeram sua primeira compra on-line. Já de acordo com pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC (Serviço de Proteção ao Crédito) 97% dos compradores buscaram informações na internet antes de realizar suas compras.

Os players que melhor performaram foram àqueles que já tinham malha robusta para efetuar entregas mesmo com a alta demanda repentina e os que conseguiram alternativas para driblar estes gargalos. Segundo Procon-SP houve um crescimento de 208% nas reclamações de pedidos online, sendo o atraso na entrega o principal motivo. Ou seja, as empresas que conseguiram rapidamente transformar lojas em postos avançados de distribuição ganharam a confiança dos clientes.

Serviços públicos e da educação

A pandemia foi um “start” para a digitalização da administração pública, já que os tradicionais atendimentos presenciais não puderam ser feitos. De acordo com o Ministério da Economia, foram economizados mais de R$ 1 bilhão de reais com despesas fixas relativas à manutenção de escritórios físicos, e R$ 161 milhões em benefícios, como transporte, aos trabalhadores entre abril e agosto de 2020.

Na mesma direção, as instituições de ensino tiveram que recorrer a serviços de videoconferência e gadgets, abrindo um caminho (que já deveria estar mais sedimentado) para a Educação à Distância (EAD) e para o “ensino híbrido”.

Digitalização, home office e desurbanização

Em 2021, quem não estiver adaptado ao mundo digital terá mais problemas. E, claro, isto acaba afetando diretamente os idosos e os mais pobres, demandando políticas públicas e privadas para inclusão digital de forma ampla. Além disso, o trabalho remoto talvez não seja mais em tempo integral, mas, com certeza, ele existirá com força.

As pessoas e as empresas terão que investir na “profissionalização” das estações de trabalho domésticas para serem sustentáveis e isto passa também por questões ergonômicas. Sendo assim, os grandes centros tendem a ficar menos inchados e os imóveis das cidades do interior que tenham infraestrutura de internet mais robusta serão mais valorizados ainda.

Saúde

Segundo dados do Distrito HealthTech Report 2020, o número de healthtechs no Brasil saltou de 248 para 542, entre 2018 e 2020. Um crescimento de 118% e que tem tudo para continuar muito acelerado em 2021. O futuro do mercado de saúde tende a sensorização dos pacientes para acompanhamento de tratamentos, no tratamento remoto (telemedicina), na diminuição das internações e no desfecho clínico mais flexível.

As empresas que têm incutidas as melhores práticas digitais, valorização de seus dados e ativos tecnológicos em sua cultura organizacional largaram bastante à frente e ganharam em competividade com as mudanças pandêmicas. Os vencedores em 2021, provavelmente, serão aqueles que já ditaram o ritmo do jogo em 2020.

* Alex Takaoka é diretor de vendas do Fujitsu do Brasil

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