A busca por crescimento profissional exige esforço e dedicação. Além disso, existe também o investimento em capacitação constante e o olhar atento para os anseios e demandas do mercado. Apesar de ser indispensável conhecer o que os empregadores estão querendo e procurando entre os profissionais, ouvir propostas de emprego sem o real interesse em realizar um movimento de carreira pode causar inúmeros problemas tanto para a imagem do profissional quanto para o preenchimento das vagas que estão em aberto no mercado.
Quando estamos buscando preencher uma vaga, refinar a busca por candidatos, encontrar as habilidades técnicas e comportamentais, identificar valores e propósitos que estejam alinhados aos anseios da empresa, passam a ser o nosso grande desafio. Aliado a isso, imagine um cenário onde após percorrer um longo caminho de processo seletivo e chegar a uma etapa final, o seu melhor candidato desiste do processo por descobrir que na verdade ele está feliz na empresa/posição que já está ocupando.
O tempo, é um dos nossos mais valiosos recursos, ainda mais em um mundo onde nossa atenção é disputada por tantas distrações. Um profissional que se dispõem a participar de um processo seletivo simplesmente para “sondar” o quanto está requisitado pelo mercado, está desperdiçando o próprio tempo e o tempo das outras pessoas.
Considerar uma nova oportunidade não é crime, mas o candidato precisa “jogar” de forma transparente, demonstrando que está feliz onde trabalha e que mudar de posição e empresa, nesse momento, é uma decisão que precisa estar fundamentada em fatores importantes, como por exemplo, no momento atual de vida profissional e pessoal. Sem um planejamento de carreira não se tem uma visão clara de onde se quer chegar. Alguns profissionais se dispõem a ouvir as propostas sem ao menos fazer um exercício de reflexão de como está o cenário atual e o que faria sentido naquela oportunidade oferecida pensando onde se deseja chegar.
É difícil definir um ponto de virada com indicativos para a hora certa de procurar novas oportunidades e estar aberto a ouvir propostas, afinal de contas, o momento certo está intimamente ligado com os anseios pessoais e profissionais de cada um. Nesse sentido, ter um plano carreira e uma boa dose de autoconhecimento são os grandes norteadores da decisão. É importante ouvir novas oportunidades e considerar mudar de emprego quando a nova vaga atende os requisitos que você desenhou para os próximos passos de sua carreira. Observar os ganhos a longo prazo, as etapas que quer ou precisa viver para galgar novas posições, é uma maneira de se conhecer e de esboçar os próximos passos de desenvolvimento pessoal.
A insatisfação com o trabalho atual também é um grande motivador para a mudança. Uma vez que não vemos mais sentido nas atribuições que temos, não temos mais oportunidade de crescimento, perdemos a admiração pela liderança, descolamos da missão e dos valores empresariais, o melhor caminho é buscar novos desafios. Mas, mesmo nesses casos, é importante sermos transparentes, levarmos as causas de nossas insatisfações para a gestão e esgotar as possibilidades de “reconciliação” com a empresa atual. Esse esforço em expor as insatisfações demonstra grande maturidade, transparência e coerência – além de uma disposição para resolver os conflitos, em vez de simplesmente abandoná-los.
Alguns profissionais têm medo de mostrar para a liderança os fatores que o estão desmotivando, mas o fato é que, sem conhecimento e sem essas informações, a gestão não pode adotar medidas e estratégias para mudar ou compensar, em algum nível, o quadro de insatisfação. Analisar o tripé da carreira: qualidade de vida, salário e propósito é uma boa maneira de começar uma auto-observação e uma análise de prós e contras sobre a melhor hora para uma mudança.
Para finalizar esse conceito, acho importante ressaltar que o pior erro de um profissional que está especulando o mercado sem a real intenção de mudar de emprego é receber uma proposta e usá-la como moeda de troca em sua empresa atual. Utilizar essa oportunidade como argumento para conseguir um salário maior ou uma promoção nem sempre é uma solução para se conseguir o que deseja. Usar desse artificio para pressionar a empresa onde se está trabalhando pode ser até um tiro no pé. A liderança, mesmo quando negocia essa retenção, fica com a clara sensação de que foi colocada contra a parede e, portanto, o profissional passa a ter uma marca negativa. Na primeira crise (seja por relacionamento ou financeira), a chances desse profissional ser o primeiro a ser considerado para ser dispensado é muito grande.
Por isso, aconselho que independentemente de suas ambições profissionais, seja ético e transparente em suas relações de trabalho. Valorize o tempo, a energia e o investimento que estão sendo feitos em você. Ponderar sobre novas oportunidades é válido quando se tem clareza do seu planejamento de carreira e quando não desrespeitamos ninguém. O mercado de trabalho é pequeno, as pessoas se conhecem e uma vez que sua imagem esteja prejudicada, será muito difícil reverter o peso negativo associado ao seu nome e as suas escolhas.
(*) Paulo Exel é diretor de operação da Yoctoo
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