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Qual é o valor do capital humano na era digital?

Sabe aquele profissional de bermuda, barba e camiseta divertida? Não subestime sua capacidade intelectual. Ele pode agregar conhecimento para a estratégia digital ou até mesmo ser o próximo CEO da sua companhia. “Empresas que nasceram digitais e têm talentos nativos digitais, têm uma empresa disruptiva”, observou Guilherme Maciel, líder da prática de digital da Korn Ferry no Brasil, na abertura do IT Forum Digital, encontro realizado nesta quinta-feira (18/6) em São Paulo pela IT Mídia em parceria com a ESPM e a Korn Ferry.

Maciel apontou que, hoje, o desafio das empresas digitais, ou que estão nessa jornada, está pautado em velocidade, volatilidade, disrupção e escalabilidade. E nesse mundo altamente dinâmico, as companhias devem pensar de forma dirusptiva e agir como startups. “Sua organização está pronta?”, questionou, lembrando que a digitalização passa por quase tudo em nossas vidas e não há tempo para esperar.

Para ilustrar essa rápida e avassaladora mudança, Maciel usou o rádio. “Ele demorou 38 anos para atingir 40 milhões de usuários. O Facebook consumiu três anos e o iPhone 5 três meses”, enumerou. Dados impressionantes da atualidade que mostram que a era exponencial da inovação já chegou. “Mais do que isso, vivemos o tempo da disrupção”, completou.

Berço digital x evolução digital
Com essa rápida transição, Maciel lembrou que empresas que já nasceram no digital têm o claro desafio de nunca ‘dormir’ e ao mesmo tempo lidar com clientes que não são nada fiéis. E inovar nesse ambiente não é tarefa fácil. “A sociedade é líquida”, sintetizou.

Por outro lado, quem está agora passando pela evolução digital deve se preparar para a disrupção. “Algumas empresas têm conselhos avançados, mas estão presas nos antigos modelos”, observou. Essas companhias também têm de lidar com clientes mais exigentes, bem informados e que demandam personalização.

Ainda que estejam em diferentes estágios, em comum essas empresas têm o desafio de localizar talentos que possam agregar e fazer a diferença na jornada digital. “Uma companhia que está se tornando digital e conta com um nativo digital, tem grandes chances de sucesso. Já contar com um não digital em uma empresa que nasceu digital, as chances de sucesso são menores”, explicou.

Não há mais como evitar essa onda e quem não migrar para o modelo, tende a morrer. E quem pode liderar essa evolução? O líder de marketing. “Estudo da revista Economist em 2012 já mostrava que o marketing seria grande usuário de TI e, por isso, agora ele precisa agregar novas capacidades ligadas à tecnologia”, acredita.

Maciel esclareceu, no entanto, que o chief marketing officer (CMO) não vai absorver as funções dos C-levels, mas terá de alinhar suas competências para atuar com excelência no novo universo. “Sua função vai exigir cada vez mais tecnologia. Mas o CIO, CDO CISO, não vão desaparecer. O que falta nas empresas são conselheiros que entendam de tecnologia”, pontuou. Veja abaixo cinco mudanças que os líderes de marketing terão de absorver, segundo o executivo.

1. Aprimorar as competências em tecnologia
De acordo com Maciel, agora o profissional de marketing deverá antecipar os impactos das novas tecnologias e fazer uma leitura adequada do ambiente com capacidades tecnológicas.

2. Repensar os antigos modelos de estratégia
A competição está mais acirrada do que nunca. “Estamos na era das tecnologias devastadoras. E essas mudanças farão parte do dia a dia de diversos setores. Pense, por exemplo, no carro autônomo. Vai impactar em tudo”, afirmou.

3. Dados são o novo combustível
Não dá mais para desconsiderar isso, observa Maciel. A ideia agora é transformar ‘big’ em ‘small’, ver o que é exploratório e observar seus impactos. “Ninguém tem budget para atirar para todos os lados. É preciso ser assertivo”, aconselhou.

4. Cultivar a inovação
Trabalhar na diversidade não é somente moda, é mandatório. “Os times precisam de mais mulher e de pessoas com diferentes opções sexuais para gerar brainstorm. Precisamos de loucura de ideias. Trabalhar de forma provocativa gera coisas interessantes”, observou. Ele diz ainda que não adianta pensar em diversidade se não tiver inclusão, preparando as pessoas que estão na empresa e as que virão.

5. Juntar forças
A união faz a força. Essa frase nunca fez tanto sentido quanto na história atual. “Ninguém consegue chegar sozinho onde se tem de chegar”, constatou. Para Maciel, a digitalização pode cumprir com os objetivos de eficiência, melhoria dos serviços, personalização, mas se os processos não acompanharem, não haverá disruptura.

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