Notícias

Qual a próxima regra do jogo da inovação?

Em 1965, Gordon Moore (então presidente da Intel) trouxe a perspectiva exponencial de aumento de 100% de performance dos semicondutores a cada 2 anos, sem acréscimo de custo. Desde então, a Lei de Moore vem definindo as regras do jogo do mercado. Com roadmaps claros (aumentar a performance o mais rápido possível) as empresas mais ágeis puderam sair na frente, baratearam a inovação, habilitaram tecnologias nas mais diversas áreas e criaram um ambiente para o nascimento de um novo tipo de empreendedorismo.

Mas como tudo é impermanente, Carl Anderson, pesquisador da IBM, em 2014, foi o primeiro de muitos que visualizaram o fim da lei de Moore. Tecnicamente ainda é muito provável que continuemos a gerar grandes saltos de performance nos computadores e gadgets, mas o que vem se discutindo é sua importância na definição das regras dos próximos anos, dessa nova era de inovação que estamos criando.

Passamos 60 anos pavimentando uma rede complexa de recursos, colecionando cada vez mais dados e em situações sempre diferentes, com maior capacidade de armazenamento e de geração de informação. Passamos os últimos anos, acreditando em previsões, em controle de linhas de produção para entregarmos aparelhos cada vez mais potentes. Sempre em busca de mais resultados, maiores números e maior alcance, esse estilo de business, gerou efeitos colaterais sociais e ambientais importantes que nos permitiu perceber claramente nossa interdependência como humanos entre si e com a natureza.

Leia também: Utilities: rumo à transformação digital com o 5G

Especialistas, como Greg Santell (Harvard Business Review), Peter Diamandis (founder da Singularity University), Zaid Hassan (escritor best seller Social Labs Revolution) também acreditam no fim da lei de Moore como instituição informal e nos convidam a olhar para essa abundância de tecnologia com outro enfoque, como uma oportunidade preciosa de criar um novo mundo, de aplicar as tecnologias para em vez de gerar disrupções mercadológicas, resolver os grandes desafios da humanidade.

E agora sem a lei de Moore, em um mundo absolutamente complexo e interdependente, as regras não estão claras, não temos um mapa. Citando Dharemendra Modha, líder do time de desenvolvimento de chips neuromórficos da IBM: “estamos trabalhando em um território desconhecido, não existe uma única pessoa no mundo que tenha todas as respostas.” Historicamente, já sabemos, que em situações de alta complexidade, a colaboração e a multidisciplinaridade é crucial.

Em ambientes propícios, com pessoas e propósitos alinhados, com o tempo, as propriedades emergentes que Fritjof Capra (físico, que compôs a teoria dos sistemas) tanto citou, começarão a aparecer: novos modelos de negócios, novos formatos de relacionamento comerciais e novos produtos, novas estradas e novas regras. É o momento de aprender a lidar com a incerteza, construindo o futuro através da experimentação, da colaboração e do foco na descoberta.

Referências:

https://siliconangle.com/2021/04/10/new-era-innovation-moores-law-not-dead-ai-ready-explode/

https://www.intelligenthq.com/keeping-new-era-innovation/

https://hbr.org/2018/01/why-the-rewards-for-ambitious-problem-solving-are-about-to-get-bigger

https://www.un.org/en/un-chronicle/responsible-innovation-new-era-science-and-technology

https://www.forbes.com/sites/gregsatell/2016/07/17/a-new-era-of-innovation/?sh=36c6874d5a4e

* Elisa Carlos é head de inovação da Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex)

Recent Posts

SpaceX, Anthropic e OpenAI enfrentam riscos em possíveis IPOs

SpaceX, Anthropic e OpenAI estão no radar de Wall Street para possíveis aberturas de capital…

16 horas ago

Sistemas legados: como tomar decisões para garantir resiliência em setores críticos

por Eduardo Honorato Falar sobre infraestruturas críticas na Era Digital tem sua própria complexidade dentro…

20 horas ago

Sem equipes preparadas, IA não entrega transformação

A adoção de inteligência artificial (IA) nas empresas não depende apenas da disponibilidade de ferramentas.…

22 horas ago

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

2 dias ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

2 dias ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

2 dias ago