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Para 2022, não há “exercício de futurologia” sem nuvem híbrida e IA

Início de ano e chega aquele momento de tirar a bola de cristal empoeirada do armário para traçar previsões do segmento de tecnologia da informação que projetamos para os próximos 12 meses no mundo corporativo. Exercício interessante, mas que muitas vezes é permeado de incertezas e especulações que acabam não se concretizando, desviando o foco do que, de fato, têm fortalecido as empresas ao longo dos últimos anos e que – sim – seguirão contundentes no processo de transformação digital em 2022.

Do turbilhão que vivemos no último biênio e que impulsionou os projetos de digitalização dos mais diversos segmentos econômicos levando companhias ao pico de eficiência, fica impossível projetar o ano que está por vir sem bater na tecla das demandas latentes de nuvem híbrida e inteligência artificial, ligadas por exemplo a empresas de finanças, varejo, setor público, indústria, entre outras. Segundo projeções da IDC, a IA é tão importante quanto a nuvem em termos de oferecer aos clientes uma vantagem competitiva real nos próximos 5 a 10 anos. Aliás, até 2025, toda a economia da nuvem ultrapassará a marca de US$ 1,3 trilhão. As empresas brasileiras agora entendem que a nuvem híbrida é a base fundamental para fluxos de trabalho inteligentes alimentados por IA – com as tecnologias intrinsicamente ligadas uma na outra.

O Brasil lidera o uso de IA na América Latina e segundo o Índice de Adoção Global de IA , de 2021, 41% das empresas locais aceleraram a implementação da tecnologia, e a curva de adoção pode manter esse ritmo este ano. E no curto prazo, para o futuro de logo mais, estamos falando de um uso de IA para um atendimento cada vez mais personalizado e fluido ao cliente, melhor aproveitamento do potencial do 5G pela automação impulsionada por IA, diminuição de custos aplicando a tecnologia para solucionar problemas de TI de forma preventiva e redução de ameaças virtuais com mais eficiência, conforme caminhamos para uma abordagem “zero trust”.

No caso de cloud, a adoção de múltiplos serviços de nuvem híbrida, adequados a diferentes aplicações, é realidade para 95% das organizações globais e vai acelerar em 2022. Sem titubear, é preciso dizer que as tecnologias abertas estão sendo estabelecidas como novo formato que pode unir todas as diferentes nuvens públicas e privadas, conforme as companhias se movem em direção da tecnologia, gerando flexibilidade e escolha para todos os setores. Aqui no Brasil, outro estudo recente da IBM aponta que apenas 5% dos entrevistados relataram usar uma única nuvem privada ou pública em 2021, em comparação a 45% em 2019. O mundo é híbrido e multicloud.

Permeado a este cenário, ainda temos todo o potencial do 5G que será aplicado no País de forma gradual, fomentando o potencial – além da nuvem híbrida e IA – de outras tecnologias importantes em paralelo, como edge computing e IoT. Na indústria, o 5G conectado ao edge computing automatiza operações que podem ajudar a reduzir custos e controlar a qualidade em

linhas de produção através de robôs e análises visuais quase em tempo real. O edge também potencializa cenários de IoT, para diminuição de custos e automação de operações. Com o 5G rodando, o leque de recursos tecnológico expande.

Por fim, vale apontar ainda que a computação quântica está avançando em casos de uso concretos para diferentes indústrias, o que permitirá, entre outras coisas, potencializar as capacidades de IA para outros níveis. Aqui América Latina tem uma grande oportunidade e é um protagonista importante devido aos ecossistemas de inovação ligados à área que temos.

Não é preciso bola de cristal para prever que este é o caminho para as corporações acelerarem sua transformação digital, impulsionarem seus negócios e oferecerem melhores experiências, produtos e serviços aos seus clientes.

*Mário Hime é íder de Transformação de Negócios para IBM Consulting Brasil

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