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Provedores de serviço e conteúdo são pressionados a migrar para o IPv6

Com a previsão do fim de endereços IP disponíveis com o protocolo de quarta versão (IPv4), utilizado em grande parte dos provedores de serviço e internet no Brasil, as companhias estão cada vez mais pressionadas a migrar sua infraestrutura para a sexta versão, IPv6, já usada na Ásia, Europa e Estados Unidos. São operadoras de telecomunicações, bancos, lojas de comércio eletrônico, universidades, órgãos do governo entre outras organizações que, apesar de a escassez ser comentada desde os anos 1990, vivem um momento crucial em 2014 – a expectativa é que os endereços de quarta versão se esgotem neste ano, ainda no primeiro semestre.

Nas últimas décadas, alguns atributos foram criados para adiar a mudança, como o DNS. O problema, contudo, é que essas situações provisórias se tornaram regra e podem implicar em uma série de dificuldades.

De acordo com o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), as consequências da não adoção do IPv6 para usuários é a pior experiência de navegação, falha no funcionamento de serviços específicos como VoIP, entre outros. Para provedores de acesso à internet, o problema está na maior complexidade de suas estruturas e, consequentemente, maior custo para mantê-las. Sem contar na dificuldade adicional na utilização de sistemas de segurança baseados em reputação dos IPs, resultando em comprometimento da segurança e estabilidade na internet, e quebra da conectividade fim a fim entre desenvolvedores, dificultando a inovação.

“A urgência e a estratégia requerida é porque as companhias têm que estar prontas, ter infraestrutura para crescer em IPv4 e, ao mesmo tempo, quando o usuário acessar o conteúdo IPv6, garantir o acesso”, resume o engenheiro da A10 Networks, Daniel Junqueira.

A melhor maneira de realizar a migração não é pensar no momento de “virar a chave”. De acordo com o especialista, é provisionar tecnologias de preservação de IPv4, enquanto se constrói a nova infraestrutura. “O assunto é antigo e, na verdade, se a gente olhar para trás, uma série de tecnologias foram desenvolvidas nos últimos anos para realizar a migração porque o IPv6 é a solução para o problema dos endereços de IP”, explica.

São ferramentas como a NAT (CGN/CGNAT), que compartilham um endereço IP global (público) entre múltiplos endereços IP locais (privados), por exemplo, e dão conta do imenso parque instalado de IPv4 que não pode ser desativado de uma hora para outra, como se fosse uma “virada de chave”. Junqueira explica que existe uma grande massa de usuários de serviços e produtos que possuem hardware, aplicações e conteúdos incompatíveis com o novo protocolo. Em contrapartida, sem a adoção do IPv6, as companhias não conseguirão expandir seus negócios – além de herdarem séries problemas de compatibilidade e usabilidade.

Segundo o engenheiro, o planejamento não é fácil e deve ser realizado de acordo com o cenário de cada organização, porém, é possível observar uma tendência comum – usar soluções como NAT, CGNAT e uma série de atributos combinados para, no concluir do projeto, obter uma oferta de “pilha dupla”, ou dual stack.

“A migração deve ser feita de maneira gradual para atualização do parque de internet, configuração de modem e todas as etapas para que, no fim, consigam ofertar tanto o IPv4 como o IPv6 nativos”, conclui Junqueira.

 

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