Reportagem do jornal Wall Street Journal apresentou um projeto secreto do Google que já reuniu dados de saúde de milhões de pacientes americanos sem que eles soubessem que a companhia tinha acesso a elas.
Chamado Nightingale (rouxinol, em inglês), o projeto foi realizado em parceria com o sistema de saúde Ascension, presente em 21 estados americanos e dona de uma cadeia de 2,6 mil hospitais, além de escritórios médicos e outras dependências. O Google não estaria cobrando nada para realizar o trabalho.
O trabalho em conjunto, iniciado no final do ano passado, estaria mais forte desde junho deste ano, com a companhia de tecnologia acessando dados como exames de laboratório, diagnósticos médicos e registros de hospitalização. Em alguns casos, informações como nome completo e data de nascimento da pessoa também foram compartilhadas.
De acordo com a reportagem, cerca de 150 empregados do Google já tiveram acesso à base de dados do centro médico.
Funcionários da Ascension já perguntaram às lideranças da companhia sobre a legalidade técnica e ética da parceria. Mas tanto os advogados da companhia como as fontes consultadas pelo WSJ afirmam que o acordo está dentro de uma lei chamada Portabilidade e Responsabilidade de Seguros de Saúde (HIPAA, na sigla em inglês), que permite que hospitais dividam dados com parceiros de negócios sem informar aos pacientes sob a condição de “ajudar a empresa e aprimorar seus trabalhos de cuidado com o paciente.”
De acordo com a matéria, o Google está utilizando os dados para desenvolver um novo software que utilize inteligência artificial para, com base em todo os históricos de informações, sugerir tratamentos mais condizentes com o histórico de vida do paciente.
Enquanto, para a companhia de Moutain View, o acordo ajuda a aperfeiçoar os sistemas internos para a criação de uma plataforma que seja comercializada para outras empresas, o benefício que a Ascension tem com essa união é o desenvolvimento de um sistema interno mais aprimorado, inteligente e ágil do que o atual.
O anúncio da participação da Google dentro de uma empresa integralmente focada em saúde chega dias após a oficialização da compra da companhia de vestíveis Fitbit, por US$ 2,1 bilhões. A análise feita logo depois da compra aponta que o negócio irá contribuir para que a participação da companhia cresça significativamente dentro do setor de saúde (ao menos, a preventiva).
A Big G não está no sozinha no mundo da exploração de saúde. Recentemente, a Microsoft anunciou parceria com a Novartis para utilização de inteligência artificial na criação de remédios e a Amazon também está investindo na construção de uma operadora de saúde para seus funcionários. A última aquisição foi a startup de assistência média Health Navigator.
A tendência é que, no curto e médio prazo, a atenção do governo americano sob o uso que essas empresas fazem dos dados cresça ao longo do tempo.
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