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Por que o Waze foi inventado em Israel e não no Brasil?

O Vale do Silício continua sendo o maior polo de inovação mundial, mas é preciso lançar um olhar para o segundo lugar do ranking – Israel. Startups tecnológicas e revolucionárias fazem com que país do Oriente Médio tenha papel importante na disseminação de conhecimento e tecnologia para o mundo. Como um país devastado por guerras civis consegue calcar um caminho de sucesso em inovações? A resposta está na cultura empreendedora do país.

Mais do que um centro de pesquisa, Israel se tornou um polo de criação e inovação. O aplicativo Waze, um sistema de navegação baseado em dados de satélites e informações de usuários, foi pensado e desenvolvido em território israelense. Devido ao seu sucesso, o aplicativo foi comprado pelo Google e figura entre as maiores vendas da história tecnológica de Israel.

O país, que, segundo dados da OCDE (Organização para Cooperação e desenvolvimento Econômico), investe 4,4% do seu PIB em pesquisa e desenvolvimento, não carrega a fama de inovador infundadamente. Para que um hábito científico se propague, iniciativas conjuntas foram instituídas estrategicamente.

O Ministério de Indústria, Comércio e Trabalho de Israel, por exemplo, criou o Escritório do Cientista Chefe (OCS – Office of the Chief Scientist), encarregado de promover políticas de apoio à inovação e empreendedorismo industrial no país. Ao conceder subsídios de até 50% dos custos para projeto de empreendimentos, o programa estimula os israelenses a exercitar sua criatividade positivamente em benefício do empreendedor e de Israel.

Pode ser surpreendente, mas, ainda que com programas incentivadores e uma educação de base voltada para a criação do novo, Israel não é o país mais empreendedor do mundo. Segundo pesquisa mundial do GEM (Global Entrepreneurship Monitor), quem ocupa o posto de país mais empreendedor do mundo é o Brasil. Mas, então, por que o Brasil não está entre os maiores polos tecnológicos do mundo?

A conclusão está em um impasse: o que sobra em empreendedorismo falta em inovação. Apesar do potencial, o Brasil sofre pela falta de incentivos para pesquisas que podem melhorar a quantidade e a qualidade das tecnologias.

O problema vivido pelo Brasil poderia encontrar uma solução espelhando-se na cultura de Israel. Com políticas de governo incentivadoras, os israelenses vivenciam uma troca constante entre empreendedores, gestões e autoridades, o que traz resultados econômicos fundamentais para o crescimento do país. E a propagação do novo e disruptivo, sempre.

*Arie Halpern é economista e diretor da israelense Gauzy Technologies.

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