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Por que o Japão, referência em tecnologia, não é um celeiro de startups?

O Japão, sempre visto pelo exterior como referência em tecnologia, não demonstra o mesmo desempenho quando o assunto é o fomento de um ecossistema de startups. De acordo com dados da consultoria CB Insights, o país conta com apenas três empresas classificadas como unicórnios (ou seja, que possuem um valor de mercado igual ou superior a US$ 1 bilhão).

É um número bem pequeno quando se compara com os 192 unicórnios dos Estados Unidos, 96 da China e 20 no Reino Unido e os 6 do Brasil.

De acordo com analistas ouvidos pela Financial Times em uma reportagem sobre o tema, o principal problema do Japão está na falta de mais empresas do gênero, que poderiam criar uma comunidade para o compartilhamento de boas práticas.

Sem outras empresas que vivem a mesma realidade para trocar ideais, fica maior a probabilidade dessas companhias enfiarem os pés pelas mãos.

Problemas em dobro

Um exemplo que ilustra bem essa situação é o caso da startup Seven Dreams. Fundada por membros de empresas como Sony e Fujitsu, não demorou muito para que a empresa levantasse capital. Mais precisamente, US$ 50 milhões, de empresas do porte da Panasonic. E o que a marca propunha? A criação de um robô de inteligência artificial chamado Laundroid, capaz de lavar e passar roupas perfeitamente.

A companhia tinha planos ousados: para 2017, o produto já estaria disponível para empresas, sendo que no ano de 2020 já haveria uma versão do Laundroid focada no consumidor final. A proposta da companhia caiu nas graças do público japonês.

O que surpreende nessa história é o fato de que aspectos críticos (e negativos) do equipamento não foram levados em conta. Por exemplo, o custo de US$ 16 mil pra se produzir cada unidade e o fato de que uma máquina criada para dobrar roupas não conseguia trabalhar direito com determinados tecidos.

Como era de esperar, o negócio não conseguiu avançar: os investidores perderam confiança no produto e, em abril desse ano, a Seven Dreams declarou falência sem ter vendido sequer um exemplar do seu tão comentado produto.

Volta por cima?

Sabendo que essa falta de unicórnios não pega bem, o governo japonês declarou que vai criar um programa de incentivos para, em 2023, contar com pelo menos 20 empresas bilionários dentro do seu território.

Porém, para que essa meta seja alcançada, será necessário criar um ambiente que dê mais suporte jurídico e financeiro aos empreendedores, incentivos para que grandes empresas invistam em startups promissoras e também pensar em soluções que não sejam focadas na necessidade dos usuários locais. Por enquanto, essa meta ainda aparenta ser um sonho distante

 

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