Em tempos de transformação digital, onde muitas organizações caminham rumo à automação de processos, seguindo o objetivo de construir uma rotina orientada à eficiência operacional, é natural que o foco do debate permaneça nos ganhos técnicos e processuais. Entretanto, se por um lado, a presença da tecnologia é praticamente obrigatória para gestores preocupados com o desempenho interno, também é necessário visualizar a inovação com a devida amplitude – mais precisamente, como uma agente condutora de mudanças culturais.
Isso significa, em outras palavras, redirecionar os esforços para uma gestão que estimule a diversidade entre seus colaboradores, de modo harmonioso e condizente com a responsabilidade social que é intrínseca a todas as companhias, sem exceções. Por definição, inovar é o ato de superar métodos antigos e estabelecer novas ações.
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Empresas que deixam o lugar comum e investem em tópicos de igualdade também são inovadoras, e só tendem a ganhar ao fomentar uma mentalidade disruptiva, que desconsidere estereótipos e pré-julgamentos que só servem de entraves para o crescimento do negócio.
Para que políticas de igualdade sejam sentidas na realidade da organização, é importante ir além do discurso. A mentalidade deve mudar e ser encabeçada pelas principais lideranças internas, que possuem o poder de decisões abrangentes sobre o âmbito cultural. Os motivos que fundamentam o caráter prioritário do tema são variados e convergem com o próprio fenômeno de transformação digital, até pensando na maximização da presença tecnológica de modo que a mesma seja aproveitada ao máximo, explorando todo o seu potencial.
Mirando a finalidade de tornar essas causas tangíveis, alguns aspectos merecem atenção das empresas, especialmente no que diz respeito à gestão de pessoas. Como é o processo de retenção e atração de talentos? Existe algum viés estabelecido? Iniciativas claras e voltadas para todos os gêneros, por exemplo, são primárias e indispensáveis para a construção de um ambiente inclusivo.
Contar com equipes diversificadas, que representam uma pluralidade compatível com o país que vivemos, significa cumprir uma função social na qual nenhuma organização deve se isentar. O resultado é uma governança que visualize os profissionais sob uma ótica igualitária, capaz de investir a devida atenção no que todos podem oferecer à empresa, sem distinções.
Como citado anteriormente, a inovação pode e deve servir como uma agente conciliadora de inúmeras oportunidades, favorecendo o crescimento e a capacitação de novos contratados. Para tanto, é de suma importância democratizar o uso de soluções inovadoras, seja por meio de treinamentos, programas de aprendizagem, entre outras possibilidades que consigam colocar o componente digital à disposição das pessoas.
Construir um espaço de igualdade e inclusão não é uma tarefa de fácil execução. Demanda tempo e uma política intensa de reformulação de estratégias e medidas internas. Por isso, é preciso trabalhar para que o cenário melhore de forma gradual e propositiva. Nesse sentido, tanto as empresas quanto os colaboradores devem entender que esse é um processo que não ocorre da noite para o dia. Os cenários podem mudar, demonstrando a necessidade de se ter iniciativa e perseguir o resultado objetivado, por meio de planejamentos que apresentem ações a curto, médio e longo prazo.
Pare encerrar o artigo, retorno à urgência de se pensar em meios para que a diversidade seja normalizada por cada vez mais companhias. Reconhecer pontos de melhoria e mapear onde e como isso pode ser aprimorado é o primeiro passo, e deve abrir portas para métodos mais complexos, que culminem em uma cultura livre de amarras prejudiciais. Sem dúvidas, a empresa sentirá os efeitos dessa movimentação em colaboradores engajados, produtivos e preparados para conduzir o negócio ao sucesso desejado.
* Rafael Caillet é CEO da Oystr
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