Philip K. Dick: tecnologia do futuro na ficção científica

Um dos escritores mais influentes do século XX, Philip K. Dick (1927-1982) aproximou a ficção científica da filosofia e antecipou em seus filmes e livros algumas das grandes questões do mundo atual, principalmente as revoluções da tecnologia.

Como os profetas dos tempos antigos, o autor tinha sonhos e pesadelos vívidos, os quais denominava janelas para uma realidade alternativa. Uma de suas citações conhecidas é que “nossa realidade não é real”, conforme relembrou o físico e filósofo espanhol Salvador Bayarri, durante sua participação na Campus Party, evento de tecnologia que acontece esta semana em São Paulo.

O ehttps://itforum.com.br/wp-content/uploads/2018/07/shutterstock_528397474.webpso, que já escreveu um roteiro biográfico sobre Dick, salientou que as duas questões principais que o escritor colocou desde a década de 1950, “O que é real?” e “O que é humano?”, frequentes em suas principais obras, são agora mais urgentes do que nunca, pois a tecnologia nos aproxima da realidade virtual e inteligência artificial.

As preocupações de Dick de fato tornaram-se convencionais, pois suas histórias foram adaptadas a filmes antológicos em Hollywood como Blade Runner e Minority Report. Sua intuição chave, que o mundo é moldado em nossas mentes como uma alucinação compartilhada, abre, até hoje, possibilidades incríveis e aterradoras.

A compaixão e a empatia

Dentre os temas mais frequentes do escritor americano, Bayarri destacou a necessidade de empatia entre os seres humanos, o que para Dick seria o ingrediente fundamental que nos diferencia dos androides e a qualidade humana mais elevada.

A empatia argumentada por Dick também pode ser aplicada na tecnologia. Uma inteligência artificial mais empática, por exemplo, é essencial para aplicações como veículos autônomos ou sistemas de cuidados de saúde, em que a comunicação com as pessoas é importante e as decisões sobre vida e morte devem ser feitas.

Salvador Bayarri, durante sua participação na Campus Party


“Nossas relações pessoais mudaram completamente com a tecnologia”, comentou. “Hoje, vivemos em uma bolha social onde nossa realidade pode ser moldada, pelas redes sociais ou por forças determinadas a influenciar nossas mentes para seus interesses.”

A pergunta que fica é: chegará um momento em que não conseguiremos mais distinguir o que é real do fictício?

 

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