Um dos segredos mais bem guardados do Vale do Silício tem sido os enormes salários que os especialistas em inteligência artificial recebem por seus esforços. Entretanto, um arquivamento de impostos pouco notado por um laboratório de pesquisa chamado OpenAI trouxe alguns desses números à tona, como mostra uma reportagem do NYTimes.
A OpenAI, instituição sem fins lucrativos de pesquisa em inteligência artificial, associada com o magnata Elon Musk, pagou a seu principal pesquisador, Ilya Sutskever, mais de US$ 1,9 milhão em 2016. Pagou a outro pesquisador, Ian Goodfellow, mais de US$ 800 mil. Ambos ex-Google.
Um terceiro, o roboticista Pieter Abbeel, recebeu US$ 425 mil por seis meses de trabalho na companhia, depois de se despediu de seu último cargo como professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Os números listados nos formulários de impostos, que a OpenAI é obrigada a divulgar publicamente porque é uma organização sem fins lucrativos, dão uma nova visão sobre o que as organizações em todo o mundo estão pagando por talentos especializados na área de I.A.
Como uma ONG, a OpenAI tem como objetivo promover e desenvolver inteligência artificial amigável, para beneficiar a humanidade como um todo — e, como organização sem fins lucrativos, não pode oferecer opções de ações aos seus funcionários, só enormes salários.
Os pagamentos aos pesquisadores em IA dispararam por causa da forte demanda: não há muitas pessoas que entendem a tecnologia e milhares de empresas querendo trabalhar com ela. A Element AI, um laboratório independente no Canadá, estima que apenas 22 mil pessoas em todo o mundo tenham as habilidades necessárias para realizar as pesquisas.
“Há uma montanha de demanda e uma gota de oferta”, disse Chris Nicholson, diretor-executivo e fundador da Skymind, uma startup que trabalha com inteligência artificial.
A OpenAI gastou US$ 11 milhões em seu primeiro ano, com mais de US$ 7 milhões destinados a salários e benefícios e empregou 52 pessoas em 2016.
Isso levanta questões para universidades e governos que também precisam de especialização no setor, tanto para ensinar a próxima geração de pesquisadores quanto para colocar essas tecnologias em prática, desde as forças armadas até a descoberta de medicamentos e que nunca poderiam se igualar os salários pagos no setor privado.
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