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Pela primeira vez, gravadora Warner assina contrato com um algoritmo

Na semana passada, a notícia de que o primeiro algoritmo da história criado por uma startup havia assinado um contrato com a gravadora Warner Music, levou músicos de todo o mundo a questionarem o futuro da indústria. A Endel é um aplicativo que gera “paisagens sonoras” reativas e personalizadas para promover atividades como foco ou relaxamento.

O app coleta dados como localização, horário e clima para criar essas paisagens sonoras, e o resultado não é exatamente “musical”, e sim um misto de ruídos ambientes e longas notas, algo que está bem na moda nas plataformas de streaming sob o nome de playlists com música ambiente, como “dormir” e “relaxar”.

Embora a Endel tenha assinado um acordo com a Warner, a gravadora não assumiu o controle do produto. Trata-se de um acordo de distribuição: a startup utilizou seu algoritmo para desenvolver 600 faixas curtas em 20 álbuns, que foram disponibilizados em serviços de streaming com base em uma divisão de royalties de 50/50 para a Endel. Este não é contrato típico de gravadora majoritária – a Endel não recebe pagamentos antecipados e mantém a propriedade das faixas.

As músicas da Endel foram produzidas com o mínimo de envolvimento humano, “com um clique em um botão”. A empresa até contratou um serviço terceirizado para criar o nome das faixas. Ao todo, a startup já lançou cinco álbuns e outros 15 serão revelados este ano – todos gerados por algoritmos.

Essas playlists de contexto, com músicas para serem ouvidas em segundo plano, têm milhões de inscritos e podem ser um retorno fácil para as gravadoras. Contudo, em 2017, o mercado começou a questionar a autoria das músicas que preenchiam esse tipo de playlist no Spotify. Muitas são feitas por artistas anônimos e vendidas a gravadoras que detêm os direitos.

Ao assinar um contrato com a Endel, a Warner distribuirá 20 álbuns de material produzido por um software. Os serviços de streaming, por sua vez, são um mercado próspero para esse tipo de música com suas playlists contextuais cheias de faixas com som ambiente. Pela primeira vez, a indústria musical questiona o efeito da inteligência artificial, capaz de reduzir os custos a zero e eliminar o processo criativo.

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