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Os impactos da IoT no consumo on-line

Considerada a quarta onda da internet e uma verdadeira revolução na atualidade, a Internet das Coisas ou IoT, na sigla em inglês, deve influenciar profundamente a sociedade, trazendo impactos e novos negócios.

Segundo dados da Oracle, em todo o globo existem 14 bilhões de equipamentos conectados à internet, o que significa o dobro da população mundial. A estimativa da IBM é a de que dentro de cinco a dez anos, 100 bilhões de objetos estejam conectados em rede. De acordo o Gartner, o segmento atraiu US$ 1bilhão de investimentos em 2013 e esse número deve dobrar em 2014, segundo a IDC. É o início da fusão digital com todas as coisas, a interação do virtual com o mundo real.

A IoT é a comunicação entre objetos por rádio frequência (RFID), podendo estar conectados em rede. Ainda que em pequena proporção se comparada às previsões e pesquisas sobre o tema, ela já é uma realidade. Microcâmeras em pílulas já podem monitorar sintomas e detectar doenças. Telas em refrigeradores permitem controlar a validade dos alimentos e, em alguns países, detectar quando eles acabam. Um futuro muito próximo com cidades inteligentes repletas de objetos conectados por smartphones está por vir, o que pode trazer diversos benefícios às pessoas e ao setor empresarial se feitas com os devidos critérios de segurança e de privacidade.

Nos negócios, a expansão da IoT demanda uma série de oportunidades. A avaliação do comportamento dos usuários já é uma realidade, mas ainda pode ser mais detalhada e precisa. Isso significa oferecer uma gama de funcionalidades e experiências únicas e desejadas, resultando em maior aderência do consumidor.

Por outro lado e não de maneira contraditória, ao “emprestar inteligência aos objetos” a IoT também possibilita avaliar o seu “comportamento”, suas formas de utilização e funcionamento “reais”, localização, monitoramento do consumo, entre outros, o que permite melhorias significativas no desenvolvimento de produtos, manutenções mais eficazes, maior gerenciamento vinculado ao feedback de informação, economia de recursos e demandas automáticas. É a “humanização” das coisas.

Como protagonista da segunda onda da internet, o e-commerce já traz inúmeras facilidades: comprar em qualquer lugar e qualquer dispositivo, diversidade de produtos a um clique e facilidades de pagamento com segurança. Ainda assim, IoT também é uma excelente oportunidade para fomentar o setor. Se por um lado a loja física poderá ofertar mais interatividade com a capacidade de monitorar o tempo do consumidor dentro da loja e personalizar as ofertas ao observar os itens de maior interesse – o que já pode ser feito no comércio eletrônico – além de oferecer atendimento automatizado nas seções, nas vendas online será possível otimizar layouts e processos, oferecer experiências personalizadas como experimentar peças sem ter a necessidade de vesti-las, por exemplo, além da recomendação de serviços adicionais e aplicativos de interesse do usuário, além de maior agilidade e redução de custos.

IoT permite o engajamento contínuo com o cliente. Nesse sentido, a fidelização está não apenas em oferecer os melhores serviços, mas também em prever os desejos de consumo desse usuário e estabelecer um elo de prazer e confiança. Essa ligação poderá criar um laço que interliga automaticamente o supermercado on-line de sua preferência para recompor os alimentos ausentes na geladeira, por exemplo.

Mesmo com as inúmeras possibilidades para todos os campos e a interligação do digital com o mundo físico, IoT não será um conto de terror para o e-commerce. Muito pelo contrário. As facilidades dessa nova onda permitirão novos investimentos e podem recriar um universo ainda mais forte, onde tudo seria on-line, ou seja, aumentando a abrangência daquilo que hoje chamamos canal e-commerce, fundindo canais físicos e on-line de vendas. A expertise de gestão dessa nova tecnologia tem muito mais a ver com as disciplinas do comércio eletrônico do que qualquer outra vertical de negócios hoje existente.

*Gastão Mattos é CEO da Braspag

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